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Congresso em Foco
18/6/2026 13:15
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), expressou nesta quinta-feira (18) sua solidariedade ao líder do governo na Casa, senador Jaques Wagner (PT-BA), após este ter sido alvo de operação de busca e apreensão pela Polícia Federal em desdobramento das investigações envolvendo a fraude financeira do Banco Master.
O congressista cobrou o respeito das instituições ao direito do colega à presunção de inocência, e criticou antecipações de juízos.
"[Declaro] meu apoio a minha solidariedade integral a um colega senador da República. Eu tenho a convicção que no decorrer do processo as verdades do senador Jacques Wagner virão à tona e elas serão comprovadas, e um dia elas serão julgadas. E é lá nesse dia que a pessoa pode ser condenada ou inocentada", afirmou.
Veja a fala:
Alcolumbre criticou a conduta de parte dos parlamentares quando celebram o avanço de investigações contra membros do grupo político oposto. Segundo o senador, essa postura é incompatível com os valores republicanos e decorre do crescimento da polarização.
"Esse mantra que todo mundo é culpado até que prove que é inocente está errado no Brasil, (...) porque todo mundo tem que ser inocente até que prove o contrário. Mas está muito difícil, porque a polarização no Brasil está nos trazendo nesse dilema, não é mais o amor que está prevalecendo, é o ódio", disse.
Segundo o presidente, o acirramento das disputas políticas e o engajamento do discurso de ódio nas redes sociais está comprometendo o espaço para a expressão do respeito no debate público. "Nós estamos exaltando o ódio, a raiva e a agressão contra aqueles que a gente nem sabe o que fez ou se fez", lamentou.
Investigação contra Wagner
Jaques Wagner foi um dos alvos na última manhã dos mandados de busca e apreensão executados pela Polícia Federal na nona fase da operação Compliance Zero. O senador é investigado como possível beneficiário de vantagens econômicas decorrentes do esquema de fraude financeira operado pelo Banco Master.
Segundo decisão do ministro André Mendonça, do STF, a PF identificou indícios de que vantagens teriam sido direcionadas ao senador direta ou indiretamente, por meio de familiares, pessoas de confiança e empresas ligadas ao grupo investigado.
Entre os benefícios citados estão a possível aquisição de um apartamento de luxo em Salvador, repasses de R$ 3,5 milhões a uma empresa associada ao seu núcleo familiar, uso de aeronaves ligadas ao Master e o pagamento de ingressos para um show musical no exterior, no valor de R$ 63,3 mil, destinado a familiares do senador.
A relação entre Wagner e a instituição bancária teria sido intermediada pelo empresário Augusto Ferreira Lima. Para a PF, a relação entre os dois seria antiga, próxima e marcada por confiança pessoal, o que teria aberto espaço para tratativas reservadas em favor de interesses do Banco Master.
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