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Tarifaço

Flávio participa de audiência nos EUA na próxima terça sobre tarifaço

Parlamentar será um dos expositores da consulta pública que antecede a decisão do governo dos Estados Unidos.

Congresso em Foco

3/7/2026 12:36

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O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) participará na terça-feira (7) de uma audiência pública nos Estados Unidos sobre a possível aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros.

O parlamentar falará no segundo e último dia da sessão promovida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), responsável pela investigação comercial aberta contra o Brasil.

A apresentação está prevista para as 10h em Washington (11h em Brasília), antes da decisão final do Governo norte-americano, esperada até 15 de julho.

Flávio terá cerca de cinco minutos para defender a suspensão do tarifaço e uma solução negociada entre os dois países. Segundo o senador, a medida prejudicaria exportadores e consumidores brasileiros e acabaria fortalecendo politicamente o presidente Lula.

A participação ocorre após o envio de um documento de 86 páginas ao Governo americano, no qual Flávio pede a suspensão das tarifas e que o Pix fique fora da disputa comercial.

No texto, ele sustenta que a sobretaxa teria efeito contrário ao pretendido por Washington ao reforçar politicamente o governo Lula.

O senador falará por cerca de cinco minutos durante a audiência pública que integra a investigação comercial aberta pelos Estados Unidos contra o Brasil.

O senador falará por cerca de cinco minutos durante a audiência pública que integra a investigação comercial aberta pelos Estados Unidos contra o Brasil.Roque de Sá/Agência Senado

Investigação comercial

A audiência faz parte de uma investigação aberta com base na Seção 301 da legislação comercial dos Estados Unidos.

O procedimento avalia se práticas brasileiras em áreas como comércio digital, serviços de pagamento eletrônico, propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol, tarifas preferenciais, combate à corrupção e desmatamento ilegal prejudicam interesses comerciais norte-americanos.

Antes de decidir sobre a aplicação de sanções, o Governo dos Estados Unidos abriu uma fase de manifestações escritas e de depoimentos públicos.

A etapa reúne representantes de empresas, entidades setoriais, especialistas e organizações dos dois países.

Além de Flávio, o painel terá a participação de Roberto Azevêdo, ex-diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), que representará a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN).

Também estão previstas falas de representantes dos setores de calçados e de empresas norte-americanas.

No documento enviado ao USTR, Flávio propôs que os Estados Unidos suspendam a aplicação da tarifa e criem um mecanismo bilateral de negociação com agenda definida para os temas investigados.

A suspensão, segundo a proposta, não encerraria a investigação, mas manteria o processo aberto enquanto os dois países negociassem uma saída.

Pix e disputa política

O Pix aparece como um dos pontos sensíveis da crise.

Flávio afirma que o sistema brasileiro de pagamentos instantâneos é uma infraestrutura pública soberana, e não uma empresa concorrente de companhias americanas. Por isso, defende que o mecanismo fique fora de qualquer sanção ou retaliação comercial.

O tema também foi citado por Lula em publicação nas redes sociais.

O presidente acusou integrantes da família Bolsonaro de tentarem submeter o Brasil aos interesses dos Estados Unidos e disse que o país não abrirá mão do Pix.

Lula também classificou como "atitude de traidores da Pátria" a defesa do adiamento da aplicação das tarifas sobre produtos brasileiros para depois das eleições de 2026.

Flávio reagiu às declarações e afirmou que Lula é quem "quer o tarifaço" contra produtos brasileiros.

Segundo o senador, o Governo teria provocado os Estados Unidos, deixado de negociar uma solução para a crise e passado a explorar politicamente o impasse comercial. Ele nega ter incentivado sanções contra o Brasil e diz atuar para impedir que a tarifa seja aplicada.

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Governo não irá à audiência

O Governo brasileiro decidiu não enviar representantes oficiais à audiência.

A avaliação é de que a sessão organizada pelo USTR é voltada à participação de entidades privadas, empresas e representantes da sociedade civil, enquanto as negociações formais seguem por canais diplomáticos.

Nos últimos dias, integrantes do Governo Lula intensificaram críticas à articulação de Flávio nos Estados Unidos.

Para o Executivo, tratativas comerciais devem ser conduzidas pelo Estado brasileiro. A oposição, por sua vez, afirma que a presença do senador na audiência busca evitar prejuízos econômicos ao país.

Enquanto a consulta pública avança em Washington, o Governo brasileiro tenta negociar uma solução para evitar a entrada em vigor das novas tarifas.

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços apresentou propostas aos Estados Unidos para responder a pontos da investigação, mas mantém fora das negociações temas considerados estratégicos, como o Pix.

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