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DECISÃO STF
Congresso em Foco
10/7/2026 6:50
A investigação da Polícia Federal sobre o Banco Master aponta que o fundador da instituição, Daniel Vorcaro, pediu a elaboração de um dossiê contra o presidente do Itaú Unibanco, Milton Maluhy Filho. A informação consta em decisão do ministro André Mendonça, do STF, que autorizou buscas contra o publicitário Thiago Miranda, apontado pelos investigadores como responsável por produzir levantamentos sobre desafetos de Vorcaro.
Segundo a decisão, a PF encontrou mensagens nas quais Vorcaro afirma que Maluhy estaria lhe causando problemas e pede ajuda ao publicitário. Veja as mensagens:
"Estou precisando fazer um levantamento do Milton Maluhy"
"Esta me causando muito problema"
"Me ajuda nisso?"
Na sequência, Thiago Miranda responde: "Deixa comigo". Dias depois, o publicitário informa que o material estava pronto, mas sugere outra estratégia para sua divulgação. "Passando o carnaval falamos. Estou com tudo pronto do Milton. Mas quero fazer da mesma forma. Soltar por outro veículo."
De acordo com a Polícia Federal, entre os arquivos localizados há um documento intitulado "Família Maluhy, Relatório sobre Execução Fiscal, Caso Milton Maluhy Filho e Camila Moretti Maluhy".
O relatório continha informações pessoais e patrimoniais de Milton Maluhy e de sua esposa, Camila Moretti Maluhy, e era identificado como documento de "informações confidenciais".
Os investigadores afirmam ainda que o arquivo trazia a identidade visual da agência MiThi, empresa de Thiago Miranda, circunstância que, segundo a PF, indica que o material foi produzido, editado ou ao menos circulou dentro da estrutura da agência.
CEO do Itaú
Na decisão, André Mendonça registra que consulta realizada em fontes abertas confirmou que Milton Maluhy ocupa, desde 2021, a presidência do Itaú Unibanco, principal concorrente privado do Banco Master.
Para a Polícia Federal, o episódio segue o mesmo padrão identificado em relação à jornalista Malu Gaspar, de O Globo. Segundo a investigação, Thiago Miranda seria responsável por coordenar levantamentos sobre a vida pessoal, profissional, financeira e patrimonial de pessoas consideradas obstáculos aos interesses de Daniel Vorcaro.
Padrão de atuação
A decisão afirma que esse modus operandi teria sido utilizado contra jornalistas, concorrentes e pessoas ligadas ao presidente do Banco Central. Segundo a PF, o objetivo seria reunir informações sensíveis capazes de constranger, intimidar ou descredibilizar essas pessoas.
A representação policial sustenta que Thiago Miranda exercia papel central nessa estrutura, sendo responsável por recrutar influenciadores, coordenar campanhas de comunicação e produzir levantamentos considerados estratégicos para o chamado "Projeto DV", iniciativa que, segundo a investigação, buscava proteger Daniel Vorcaro e o Banco Master em meio às apurações da Operação Compliance Zero.
Busca autorizada
Com base nos elementos reunidos pela Polícia Federal e no parecer favorável da Procuradoria-Geral da República, o ministro André Mendonça autorizou mandados de busca e apreensão contra Thiago Miranda. A decisão também permitiu o acesso a computadores, celulares, arquivos em nuvem, documentos e demais registros relacionados à investigação.
Processo: PET 16.346
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