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Povos indígenas

Sonia Guajajara sobre governo Bolsonaro: "desmontou política indigenista"

Deputada diz que "desmonte da política indigenista" durante a gestão do ex-presidente levou povos originários a priorizar a ocupação de espaços de poder e ampliar candidaturas.

Congresso em Foco

16/7/2026 18:08

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O que durante décadas foi visto com desconfiança pelo movimento indígena passou a ser encarado como prioridade após a passagem de Jair Bolsonaro pela Presidência da República. Essa é a avaliação da deputada federal Sonia Guajajara (Psol-SP), que atribui ao "desmonte das políticas indigenistas" entre 2019 e 2022 a decisão de ampliar a presença dos povos originários nas eleições e no Congresso Nacional.

Em entrevista ao Congresso em Foco, a parlamentar afirmou que a experiência do governo Bolsonaro evidenciou a necessidade de os indígenas ocuparem diretamente os espaços de decisão política.

"Nós tivemos um desmonte da política indigenista, um enfraquecimento dos órgãos. A Funai foi totalmente sucateada, o Ibama foi totalmente sucateado."

Segundo a parlamentar, órgãos responsáveis pela proteção das comunidades indígenas passaram a ser comandados por pessoas sem experiência na área. "Tivemos uma saúde indígena e a Funai comandadas por militares e por delegados que sequer conheciam indígenas, que sequer conheciam uma política indigenista e que tinham uma visão totalmente militar", destaca Guajajara.

Na avaliação da deputada, além da perda de capacidade institucional dos órgãos federais, houve estímulos políticos que favoreceram o avanço de atividades ilegais sobre terras indígenas.

"Além de retirar direitos, ainda houve um estímulo para a exploração dos territórios indígenas, para a invasão dos territórios, porque havia uma promessa de que essas ocupações e o garimpo seriam legalizados."

Da resistência à disputa eleitoral

A experiência vivida durante a pandemia e no governo Bolsonaro também mudou uma percepção histórica do próprio movimento indígena sobre a participação na política institucional. Durante muitos anos, explica Guajajara, havia resistência à disputa eleitoral por receio de que lideranças fossem absorvidas pela estrutura do Estado e perdessem autonomia.

Essa visão, segundo a parlamentar, começou a mudar justamente diante das dificuldades enfrentadas pelos povos indígenas nos últimos anos. "Foi durante a pandemia, sobretudo durante o governo Bolsonaro, que nós entendemos a importância de ter essas representações nos lugares de tomada de decisão", afirma.

Estratégia nacional para ampliar a bancada

A mudança de postura se reflete nas eleições de 2026. Diferentemente de pleitos anteriores, as candidaturas indígenas passaram a ser organizadas nacionalmente por meio do projeto Aldear a Política, que reúne organizações e lideranças indígenas em torno de uma estratégia comum para fortalecer a representação no Legislativo.

Segundo Sonia, o apoio das comunidades fortalece essas candidaturas, mas ainda é necessário que os partidos deem prioridade aos candidatos indígenas.

Representação ainda é pequena

Hoje, apenas três deputados indígenas ocupam cadeiras na Câmara dos Deputados. Para Sonia, ampliar essa bancada é fundamental para que pautas relacionadas aos direitos indígenas, à preservação ambiental e à soberania nacional tenham maior espaço no Parlamento.

"Essa presença indígena faz muita diferença ali na Câmara. É a voz legítima dos povos indígenas falando."

Para a deputada, a presença de indígenas no Congresso também fortalece a democracia ao aproximar as decisões políticas da diversidade da sociedade brasileira.

"A gente precisa aumentar essa representatividade indígena no Congresso Nacional. Enquanto não tivermos essa representação do Brasil nos espaços de decisão, não podemos falar de uma democracia plena."
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