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RELAÇÕES EXTERIORES
Congresso em Foco
26/7/2026 | Atualizado às 19:05
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva publicou neste domingo (26) um artigo no jornal americano The Washington Post, no qual criticou as novas tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, classificando a decisão como um "erro estratégico" e defendendo que as medidas têm motivação política.
No texto, o chefe do Executivo afirma que as sobretaxas prejudicam a economia dos dois países, comprometem a relação bilateral e reforça que o Brasil seguirá aberto ao diálogo, desde que sua soberania seja respeitada.
Nova rodada de tarifas
O artigo foi publicado poucos dias após a entrada em vigor de uma tarifa adicional de 25% sobre milhares de produtos brasileiros e do anúncio de uma nova sobretaxa de 12,5%, aplicada com base em acusações de que o Brasil estaria descumprindo suas obrigações de enfrentamento ao trabalho forçado.
O governo brasileiro contestou a justificativa adotada por Washington, classificando-a como arbitrária e anunciando que pretende recorrer à Lei de Reciprocidade e aos mecanismos da Organização Mundial do Comércio (OMC).
Prejuízos para Trump
Logo no início do texto, Lula sustenta que a política tarifária adotada pelo presidente Donald Trump teve origem em razões políticas, recordando que o primeiro comunicado, no final do primeiro semestre de 2025, já citava expressamente as ações judiciais contra o ex-presidente Jair Bolsonaro.
A nova leva de tarifas, conforme apontou o chefe de governo, expressa uma falta de compromisso de Washington com a própria colaboração com seus parceiros econômicos, ressaltando que, até então, os dois países vinham conseguindo se reaproximar e construir um novo acordo comercial.
O presidente também argumenta que o protecionismo trará efeitos negativos para a própria economia americana. "Diversos segmentos industriais dos Estados Unidos dependem de insumos brasileiros. Alimentos, calçados, têxteis, móveis, autopeças e vários outros produtos chegarão mais caros ao consumidor norte-americano", apontou.
Lula ainda alertou que, se mantido a inconsistência diplomática e econômica estadunidenses, "as empresas brasileiras vão substituir fornecedores norte-americanos por outros parceiros".
Cenário ideal
Ao abordar a relação entre os Estados Unidos e a América Latina, Lula defende uma agenda baseada em cooperação econômica e critica ações que promovam o isolamento. Ele trouxe à memória a política externa de Franklin Delano Roosevelt, que colaborou para o desenvolvimento industrial de países da América Latina. Esses mesmos países ajudaram os EUA na crise de 2008.
"A América Latina e o Caribe não precisam de porta-aviões rondando suas águas nem de punições tarifárias. O que nos falta são parceiros confiáveis e previsíveis", escreveu.
Mais adiante, afirmou que "a única guerra que precisamos travar nesta parte do mundo é contra a fome, a pobreza e a desigualdade". Mesmo em cenário de adversidades, garantiu que o Brasil pretende "continuar dialogando de maneira aberta e construtiva, como o relacionamento entre dois países como o Brasil e os Estados Unidos requer", desde que "sem interferência externa, nem subserviência".