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FOCO NAS ELEIÇÕES

Convenções prolongam recesso no Congresso; votações só voltam dia 10

Calendário das convenções partidárias adiou o retorno das sessões deliberativas; Congresso terá apenas duas semanas de esforço concentrado antes das eleições.

Congresso em Foco

2/8/2026 | Atualizado às 17:49

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O Congresso Nacional prolongou, na prática, o recesso parlamentar e só retomará as votações presenciais em 10 de agosto, apesar de o período de descanso ter terminado oficialmente no sábado (1º). A decisão leva em conta o calendário das convenções partidárias, que se encerram nesta quarta-feira (5), e o envolvimento de deputados e senadores nas campanhas eleitorais em seus estados.

Com isso, Câmara dos Deputados e Senado trabalharão com um calendário reduzido até o primeiro turno das eleições. As lideranças das duas Casas reservaram apenas duas semanas de esforço concentrado para deliberações presenciais: de 10 a 14 de agosto e de 31 de agosto a 3 de setembro. Fora desses períodos, a tendência é de baixa presença de parlamentares em Brasília.

Congresso só terá duas semanas de votações até as eleições de outubro.

Congresso só terá duas semanas de votações até as eleições de outubro.Cleia Viana/Agência Câmara

A estratégia é priorizar projetos de maior consenso e matérias que não podem ser adiadas, diante do tempo limitado para votações antes do pleito.

Entre os principais temas que aguardam análise estão a proposta que reduz a jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas e extingue a escala 6x1, a PEC da Segurança Pública, a autonomia financeira, administrativa e orçamentária do Banco Central, o Marco Legal da Inteligência Artificial e o projeto que amplia o limite de faturamento do microempreendedor individual (MEI).

Pautas pendentes para o segundo semestre legislativo.

Pautas pendentes para o segundo semestre legislativo.Arte Congresso em Foco

A pauta também inclui a votação da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2027, indispensável para a tramitação do Orçamento do próximo ano. O governo precisa encaminhar o projeto da Lei Orçamentária Anual (LOA) até 31 de agosto, o que aumenta a pressão sobre o Congresso para concluir a análise da LDO nas próximas semanas.

Outro desafio será a apreciação de 32 medidas provisórias em tramitação. Como o Congresso não entrou em recesso formal em julho, os prazos constitucionais continuaram correndo durante a interrupção das atividades. Algumas MPs já estão em regime de urgência e podem perder a validade caso não sejam votadas a tempo.

Também permanece pendente a análise de 97 vetos presidenciais, dos quais 87 têm prioridade na pauta das sessões conjuntas do Congresso. A falta de acordo entre as lideranças provocou o cancelamento de sessões previstas no primeiro semestre e ampliou o acúmulo de matérias.

Agenda de comissões

Apesar da ausência de votações em plenário na semana, algumas atividades legislativas estão previstas.

No Senado, a Comissão de Direitos Humanos (CDH) promove, nesta segunda-feira (3), audiência pública sobre a campanha Agosto Dourado e, na terça-feira (4), debate sobre a memória do Holocausto Cigano. No mesmo dia, a Comissão de Relações Exteriores (CRE) discutirá o acordo entre Mercosul e União Europeia.

Na Câmara dos Deputados, a agenda inclui audiências públicas e sessões solenes, mas não há previsão de votações em plenário. Entre os compromissos estão debates sobre a implementação da Lei Complementar 226/2026, conhecida como "Lei do Descongela Já", e uma audiência da Comissão Mista de Orçamento sobre o financiamento da educação infantil e das creches.

O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), já indicou que pretende priorizar, na retomada dos trabalhos, projetos remanescentes do primeiro semestre, evitando pautas de maior polarização durante o período eleitoral.

Com o calendário comprimido, a expectativa é que medidas provisórias, matérias orçamentárias e propostas de maior consenso tenham prioridade nas duas semanas de esforço concentrado, enquanto temas mais controversos fiquem condicionados à construção de acordos entre as lideranças ou sejam adiados para depois das eleições de outubro.

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