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ELEIÇÕES

Por unanimidade, TRE-SP mantém Pablo Marçal inelegível até 2032

Tribunal preservou condenação por "campeonato de cortes" para sua campanha na eleição à prefeitura de São Paulo em 2024.

Congresso em Foco

5/8/2026 | Atualizado às 20:21

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O Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo manteve nesta quarta-feira (5) a inelegibilidade do empresário e influenciador Pablo Marçal (União Brasil) até 2032. Os sete integrantes da Corte rejeitaram o recurso apresentado contra a condenação por uso indevido dos meios de comunicação durante a eleição municipal de 2024. A defesa ainda pode recorrer ao Tribunal Superior Eleitoral.

O processo envolve os chamados "campeonatos de cortes", promovidos para ampliar a circulação de conteúdos da candidatura de Marçal à Prefeitura de São Paulo. A iniciativa estimulava apoiadores a editar vídeos e publicá-los em diferentes redes sociais, com a promessa de recompensas vinculadas ao desempenho das postagens.

Decisão amplia cenário de complicações para Marçal viabilizar candidatura ao Legislativo.

Decisão amplia cenário de complicações para Marçal viabilizar candidatura ao Legislativo.Danilo Verpa/Folhapress

A condenação original foi estabelecida pelo tribunal em dezembro de 2025. Na ocasião, a maioria dos magistrados considerou que a estratégia permitiu uma mobilização em larga escala fora dos mecanismos regulares de impulsionamento e dificultou a fiscalização da propaganda eleitoral.

Além da inelegibilidade por oito anos, contados a partir do pleito de 2024, a Justiça Eleitoral manteve multa de R$ 420 mil. A penalidade financeira foi aplicada pelo descumprimento de uma ordem judicial que havia proibido a remuneração dos responsáveis pelos cortes e determinado a suspensão dos perfis oficiais do então candidato até o fim da campanha.

No julgamento anterior, o TRE de São Paulo afastou as acusações de abuso de poder econômico e de irregularidades na arrecadação ou aplicação de recursos. Os magistrados entenderam que não havia prova suficiente de que os prêmios em dinheiro anunciados aos participantes tenham sido efetivamente pagos.

Mesmo sem a comprovação dos pagamentos, prevaleceu o entendimento de que a própria organização da disputa e a oferta de remuneração favoreceram a divulgação massiva da candidatura. Durante o campeonato, os participantes deveriam publicar conteúdos em três redes sociais e produzir pelo menos 20 postagens.

Candidatura ameaçada

Em março deste ano, Marçal deixou o PRTB e se filiou ao União Brasil com vistas a disputar uma cadeira no Congresso Nacional. Seu nome chegou a aparecer na última pesquisa divulgada pela Quaest em São Paulo, no dia 29, quando alcançou 9% das intenções de voto para o Senado.

A decisão do TRE pode ser revertida pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Caso apresente recurso, Pablo Marçal poderá lançar uma candidatura sub judice, na qual os votos são computados, mas, se a condenação for confirmada, o resultado e uma eventual posse em caso de vitória serão anulados.

Mesmo que consiga reverter a situação na Justiça Eleitoral, Pablo Marçal ainda enfrentará um obstáculo político caso opte por disputar o Senado. O União Brasil é federado ao PP, que lançou o nome de Guilherme Derrite como candidato. Ele compõe a chapa de Tarcísio de Freitas ao lado de André do Prado (PL), que ocupa a segunda vaga da coligação na disputa pelo Senado.

O lançamento de um segundo nome pela federação é permitido, mas pode comprometer o acordo firmado com os demais partidos da aliança estadual.

Processo: 0601153-47.2024.6.26.0001

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