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Judiciário
Congresso em Foco
27/8/2026 12:58
O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) denunciou o ex-deputado estadual Arthur do Val, conhecido como Mamãe Falei, por incitação ao crime. A acusação tem como base uma declaração feita em vídeo sobre a Operação Carbono Oculto, que investigou um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao crime organizado.
Ao comentar a atuação de pessoas do mercado financeiro que teriam prestado serviços a investigados, Arthur afirmou:
"Oh! Vagabundo da Faria Lima que lava dinheiro pro crime organizado tem que ser morto."
Para o promotor Roberto Bacal, a declaração configura incitação pública à prática de homicídio.
Arthur foi denunciado com base no artigo 286 do Código Penal, que prevê pena de três a seis meses de detenção ou multa para quem incita publicamente a prática de crime.
Veja a íntegra da denúncia.
Arthur contesta acusação
Após a repercussão do caso, Arthur publicou um vídeo nas redes sociais para contestar a acusação. Ele afirmou que soube da denúncia pela imprensa, disse que ainda não havia sido citado e negou ter incentivado a prática de homicídios.
"Em nenhum momento eu tô falando pras pessoas pegarem armas e saírem matando as outras."
No vídeo, o ex-deputado argumenta que sua declaração se referia à atuação das forças policiais contra integrantes do crime organizado e classifica a denúncia como um "absurdo completo".
Arthur sustenta que não defendeu ações individuais de violência e que sua manifestação era favorável ao uso da força pelo Estado em operações policiais.
Na denúncia, o promotor informou que o ex-deputado não foi localizado nos endereços consultados e pediu que o caso seja encaminhado do Juizado Especial Criminal para a Justiça comum.
O Ministério Público apresentou ainda proposta de suspensão condicional do processo por dois anos, caso Arthur preencha os requisitos previstos em lei.
A Justiça ainda precisa decidir se recebe a denúncia.
Operação Carbono Oculto
Deflagrada em agosto de 2025, a Operação Carbono Oculto investigou um esquema de fraudes, sonegação e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis.
Segundo a Receita Federal, a organização utilizava postos, fintechs e fundos de investimento para movimentar e ocultar recursos de origem ilícita.
A ação atingiu cerca de 350 alvos em oito estados e identificou ao menos 40 fundos de investimento, com patrimônio estimado em R$ 30 bilhões.
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