Entrar

    Cadastro

    Notícias

    Colunas

    Artigos

    Informativo

    Estados

    Apoiadores

    Radar

    Eleições 2026

    Quem Somos

    Fale Conosco

Entrar

Congresso em Foco
NotíciasColunasArtigosEleições 2026RadarPrêmio
  1. Home >
  2. Notícias >
  3. Quando o feriado de 7 de Setembro virou crise entre os Poderes

Publicidade

Publicidade

Receba notícias do Congresso em Foco:

E-mail Whatsapp Telegram Google News

MEMÓRIA

Quando o feriado de 7 de Setembro virou crise entre os Poderes

Celebrações após a redemocratização foram marcadas por vaias e protestos, alcançando novo patamar nas duas últimas décadas.

Congresso em Foco

7/9/2026 7:00

A-A+
COMPARTILHE ESTA NOTÍCIA

Ao longo da Nova República, o 7 de Setembro deixou repetidas vezes de funcionar apenas como celebração da Independência para se transformar em termômetro das crises políticas do país. Presidentes foram vaiados, manifestações cercaram desfiles oficiais e sedes dos Poderes viraram destino de protestos.

A tensão atingiu outro patamar em 2021, quando Jair Bolsonaro usou atos convocados para o feriado para desafiar abertamente o STF e provocar uma reação conjunta de integrantes do Judiciário e do Congresso.

Nem todos esses episódios representaram, por si só, uma crise entre as instituições. Em diferentes momentos, a data serviu principalmente para levar às ruas o desgaste de governos provocado pela economia, por denúncias de corrupção ou por disputas sobre a legitimidade do presidente.

A sucessão dos episódios, porém, mostra como o espaço originalmente reservado ao ritual cívico se tornou também uma arena de contestação política e, em situações mais graves, de confronto entre os Poderes.

Protestos paralelos aos desfiles da Independência são recorrentes desde 1988.

Protestos paralelos aos desfiles da Independência são recorrentes desde 1988. Arte Congresso em Foco

De Sarney a Collor

Um dos primeiros sinais apareceu em 1988. No último 7 de Setembro antes da promulgação da atual Constituição, o governo José Sarney enfrentava inflação elevada e os efeitos do fracasso do Plano Cruzado.

Durante o desfile em Brasília, movimentos sociais exibiram faixas contra o governo, houve tumulto e estudantes acabaram detidos. Era a primeira manifestação contra a Presidência registrada durante a parada da Independência na capital desde o início da redemocratização.

José Sarney foi vaiado durante os desfiles de 1988 após fracasso do Plano Cruzado.

José Sarney foi vaiado durante os desfiles de 1988 após fracasso do Plano Cruzado. Reprodução/Hemeroteca Digital Brasileira

Quatro anos depois, o feriado coincidiu com um momento muito mais agudo. Fernando Collor atravessava a crise que semanas depois levaria a Câmara a autorizar a abertura de seu processo de impeachment.

Em 7 de setembro de 1992, o presidente evitou o tradicional percurso em carro aberto e foi vaiado durante a cerimônia. O esvaziamento político do ato também ficou exposto no palanque: o vice Itamar Franco e os presidentes do STF, do Senado e da Câmara não compareceram, enquanto apenas um deputado ocupou o espaço reservado aos parlamentares.

Nos anos seguintes, a data continuou servindo como vitrine da popularidade presidencial. Fernando Henrique Cardoso recebeu vaias em 2001, quando o país enfrentava o racionamento de energia. Em 2005, já sob o impacto político do mensalão, Luiz Inácio Lula da Silva acompanhou um desfile em que manifestações contra a corrupção e pedidos de impeachment dividiram espaço com apoiadores do governo.

Crise do Mensalão marcou os desfiles no final do primeiro mandato de Lula.

Crise do Mensalão marcou os desfiles no final do primeiro mandato de Lula. Reprodução/Hemeroteca Digital Brasileira

Protestos em Brasília

A primeira gestão de Dilma Rousseff também encontrou no feriado uma extensão das mobilizações políticas. Em 2011, uma marcha contra a corrupção reuniu milhares de pessoas em Brasília enquanto ocorria a programação oficial. No ano seguinte, a organização do desfile chegou a instalar barreiras ao longo da Esplanada para separar a cerimônia dos protestos.

A tensão aumentou em 2013, poucos meses depois da onda de protesto das Jornadas de Junho. O desfile com Dilma transcorreu sem incidentes, mas, assim que a programação oficial terminou, manifestantes seguiram em direção ao Congresso.

Houve confrontos com a Polícia Militar, depredações e 50 prisões ao longo do dia. Policiais recorreram a spray de pimenta e bombas de gás para impedir o avanço de grupos sobre áreas bloqueadas.

Divisão pós-Impeachment

Em 2016, o 7 de Setembro refletiu a divisão aberta pelo impeachment de Dilma. Michel Temer havia assumido definitivamente a Presidência apenas uma semana antes e fez no desfile de Brasília sua primeira aparição pública no país como titular do cargo.

Manifestantes contrários ao novo governo ocuparam parte da Esplanada dos Ministérios e depois marcharam em direção ao Congresso. Atos contra Temer também foram registrados em 25 estados e no Distrito Federal.

Naquele momento, o feriado funcionava sobretudo como continuação da disputa sobre a queda de Dilma e a legitimidade do novo governo. O salto para um conflito institucional mais explícito ocorreria cinco anos depois.

Leia Mais

Dez anos depois, quatro senadores reavaliaram impeachment de Dilma

Crise institucional no feriado

Nos desfiles de 2021, o então presidente Jair Bolsonaro transformou o feriado no principal teste de força de sua disputa com o STF. A relação entre o Palácio do Planalto e a Corte vinha se deteriorando em torno de investigações conduzidas por Alexandre de Moraes, do sistema eleitoral e da prisão de aliados do presidente.

Manifestações organizadas por apoiadores de Bolsonaro tinham o Supremo como um de seus principais alvos, e grupos chegaram à data defendendo o afastamento de ministros e outras ações contra a Corte.

Bolsonaro discursou em Brasília e depois na cidade de São Paulo. Na capital paulista, anunciou que deixaria de obedecer a decisões de Moraes, atacou pessoalmente o ministro e defendeu sua saída do tribunal. Pela manhã, em Brasília, já havia dirigido uma advertência ao então presidente do STF, Luiz Fux, ao cobrar que a própria Corte contivesse o magistrado.

A resposta veio no dia seguinte. Fux afirmou, em nome do Supremo, que a desobediência a decisões judiciais por um chefe de Poder poderia configurar crime de responsabilidade.

Na Câmara, o então presidente Arthur Lira (PP-AL) criticou a escalada e reafirmou que a discussão sobre o voto impresso estava encerrada depois de derrotada pelos deputados. No Senado, Rodrigo Pacheco (PSB-MG) suspendeu as sessões daquela semana e defendeu que Executivo, Legislativo e Judiciário restabelecessem o diálogo. Partidos da base do governo ameaçaram se juntar à oposição.

A crise obrigou o Planalto a recuar rapidamente. Dois dias depois das manifestações, Bolsonaro procurou o ex-presidente Michel Temer, que intermediou um contato com Moraes e participou da elaboração de uma declaração destinada a reduzir a tensão. O presidente tentou afastar a interpretação de que pretendia romper com os demais Poderes.

Anos depois, o episódio foi citado pela Procuradoria-Geral da República como o marco zero da trama golpista na ação penal que resultou na condenação do ex-presidente a 27 anos e três meses de prisão.

Bolsonaro anunciou nos desfiles de 2021 que não mais cumpriria ordens do STF.

Bolsonaro anunciou nos desfiles de 2021 que não mais cumpriria ordens do STF.Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

Bicentenário em campanha eleitoral

Um ano depois, já candidato à reeleição, Bolsonaro voltou a dar caráter político ao 7 de Setembro. As comemorações do Bicentenário da Independência foram acompanhadas por mobilizações de apoiadores em Brasília e no Rio de Janeiro, com eventos de campanha e novas declarações de protesto contra a atuação do STF realizados em sequência às cerimônias oficiais.

A fronteira entre a agenda da Presidência e a candidatura passou a ser questionada ainda durante a eleição, e o TSE proibiu o uso de imagens produzidas nas comemorações oficiais na propaganda eleitoral.

As consequências vieram no ano seguinte, já após a derrota de Bolsonaro para o presidente Lula.

Em 2023, o TSE concluiu, por cinco votos a dois, que Bolsonaro e seu candidato a vice, Walter Braga Netto cometeram abuso de poder político e econômico no uso das comemorações do Bicentenário e os declarou inelegíveis por oito anos a partir das eleições de 2022. A Corte também reconheceu o emprego irregular de recursos, bens e serviços públicos nos eventos.

Enquanto 2021 marcou o momento em que o 7 de Setembro se tornou palco de um confronto direto entre Presidência e Supremo, 2022 mostrou outra dimensão da disputa com a apropriação política do próprio cerimonial do Estado.

De Sarney a Bolsonaro, o feriado acompanhou crises de diferentes naturezas. Com o tempo, passou de ocasião para vaias e protestos contra presidentes a cenário em que os limites entre mobilização popular, campanha eleitoral e relação entre os Poderes também entraram em disputa.

Siga-nos noGoogle News
Compartilhar

Tags

Fernando Collor dia da independência Dilma Rousseff José Sarney Lula Jair Bolsonaro

Temas

Memória

LEIA MAIS

7 DE SETEMBRO

Lula defende soberania e diz que Brasil "não será colônia de ninguém"

PEDIDO DE LIBERDADE

Zanin segue Cármen e vota contra recurso para libertar Bolsonaro

LULA

Ao lado de Fachin, Lula critica uso de cargo para benefício pessoal

NOTÍCIAS MAIS LIDAS
Congresso em Foco
NotíciasColunasArtigosFale Conosco

CONGRESSO EM FOCO NAS REDES