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10/9/2026 | Atualizado às 17:28
Mesmo proibidas para menores de 18 anos, as apostas online já fazem parte da realidade de crianças e adolescentes brasileiros. Pesquisa realizada pela Frente Parlamentar Mista da Educação em parceria com o Equidade.info mostra que 9,5% dos estudantes de 11 anos afirmam já ter apostado.
A participação cresce conforme a idade, chegando a 32,3% aos 17 anos e ultrapassa 40%, quando considerados os estudantes com mais de 18 anos.
Entre os meninos, o avanço é ainda mais expressivo: no 3º ano do Ensino Médio, 49,7% dizem já ter feito apostas online, praticamente um em cada dois alunos do sexo masculino nessa etapa escolar.
No conjunto dos entrevistados, 20,4% afirmaram já ter realizado apostas online. A pesquisa revela ainda que a exposição às bets se intensifica ao longo da trajetória escolar: 16,2% dos estudantes do Fundamental II já apostaram, percentual que sobe para 27,3% no Ensino Médio.
Isso significa que um em cada três estudantes do Ensino Médio já teve alguma experiência com plataformas de apostas. Os números mostram que o contato com esse mercado começa anos antes da idade legal permitida e se torna progressivamente mais comum durante a adolescência.
Gênero
A diferença entre meninos e meninas aparece como um dos principais resultados da pesquisa. Considerando todos os estudantes entrevistados, 27,8% dos meninos disseram já ter realizado apostas online, contra 12,6% das meninas.
Quando o recorte considera a etapa de ensino, a distância aumenta: 19,1% dos meninos do Fundamental II já apostaram, enquanto no Ensino Médio a proporção alcança 41,7%. Entre as meninas, os percentuais são de 13,1% no Fundamental II e 11,8% no Ensino Médio.
A proporção dos meninos que já apostaram passa de 12,8% no 6º ano do Ensino Fundamental para 49,7% no 3º ano do Ensino Médio. Entre as meninas, o percentual vai de 9,4% no 6º ano para 16,6% no último ano do Ensino Médio.
Ganho
Entre os estudantes que já apostaram, 35,2% afirmam ter ganhado mais do que perderam, 27,7% dizem ter perdido mais do que ganharam e 37,1% não conseguem dizer se ganharam ou perderam mais dinheiro. Na prática, quase quatro em cada dez estudantes com experiência em apostas não sabem informar o próprio saldo.
Os valores declarados de ganhos e perdas aparecem principalmente nas faixas menores. Entre aqueles que perderam mais do que ganharam, a faixa mais frequente é a de R$ 1 a R$ 50, com 10,8%. Entre os estudantes que afirmaram ter obtido saldo positivo, a mesma faixa também aparece com maior frequência, com 9,6%.
Alerta
Para a deputada Tabata Amaral (PSB-SP), presidente da Frente Parlamentar Mista da Educação, os resultados acendem um alerta sobre a exposição precoce de crianças e adolescentes às plataformas.
"Estamos falando de uma prática que pode comprometer a saúde financeira e o desenvolvimento de uma geração inteira. A Bancada da Educação tem o compromisso de olhar para esse problema a partir de evidências e ajudar a construir políticas públicas que protejam crianças e adolescentes."
O levantamento ouviu 1.912 estudantes dos anos finais do Ensino Fundamental e do Ensino Médio em 191 escolas de todo o Brasil, entre agosto e setembro de 2026, com margem de erro de 2,4 pontos percentuais e nível de confiança de 95%.
Leia a íntegra.
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