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ENTREVISTA
Congresso em Foco
22/9/2026 | Atualizado às 16:51
Aliado histórico de Lula e ex-ministro dos governos petistas, Ricardo Berzoini abriu uma divergência com a condução dos juros no país. Para o ex-presidente do PT, a política monetária tem imposto obstáculos ao crescimento e a economia poderia estar em situação melhor com uma orientação mais atenta aos efeitos dos juros sobre o desenvolvimento. "Quando você mantém uma taxa de juros muito alta por um longo período, você cria entraves reais ao desenvolvimento", afirmou.
Berzoini reconhece que sua posição nem sempre coincide com a do governo que apoia. Na avaliação dele, os juros precisam cumprir seu papel no controle da inflação, mas sem perder de vista os efeitos sobre investimento, crédito e atividade econômica.
O peso, afirma, é maior sobre setores mais dependentes do financiamento doméstico. Berzoini cita o varejo e as pequenas e médias indústrias, que têm menos condições de buscar recursos no mercado internacional.
Ao falar do comando do Banco Central, o ex-ministro evitou fazer uma crítica pessoal a Gabriel Galípolo, mas sugeriu que uma visão diferente sobre o papel da política monetária poderia produzir resultados melhores. "Eu creio que talvez um presidente do Banco Central mais atento a essa dimensão mais ampla da taxa de juros, da política monetária, seria melhor para o Brasil", disse.
Galípolo
Gabriel Galípolo preside o Banco Central desde 2025. Antes de assumir o comando da instituição, foi diretor de Política Monetária do próprio BC, entre 2023 e 2024, e secretário-executivo do Ministério da Fazenda em 2023, quando a pasta era comandada por Fernando Haddad.
Perguntado se a escolha de Galípolo havia sido um dos principais erros de Lula, Berzoini evitou essa conclusão. Disse que a indicação levou em conta as posições conhecidas do economista antes de ele assumir o BC.
Ao comentar a condução adotada desde então, Berzoini levantou a possibilidade de que tenha ocorrido uma mudança de entendimento. "Talvez ele tenha mudado de opinião durante o seu mandato no Banco Central", afirmou.
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