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ENTREVISTA
Congresso em Foco
22/9/2026 | Atualizado às 16:56
Em meio à crise que envolve o Supremo e os desdobramentos do caso Banco Master, Ricardo Berzoini avalia que Lula não deve entrar na defesa de Alexandre de Moraes ou de outros ministros da Corte. Ex-ministro e ex-presidente do PT, ele considera que o presidente deve cobrar a apuração dos fatos sem assumir a defesa individual de nenhum magistrado.
"Acho que o presidente não deve sair em defesa de ninguém. Ele deve simplesmente cobrar que haja investigações corretas sobre todos os fatos que sejam relatados", afirmou. "Todo mundo está sujeito à lei."
Na avaliação de Berzoini, investigar é necessário, mas o momento também importa. Ele defende que o aprofundamento das apurações fique para depois das eleições, para evitar que a crise no Supremo passe a ocupar o centro de uma campanha que, segundo ele, deveria discutir outros problemas do país. "Não dá para você passar uma eleição discutindo o Supremo quando você tem que discutir saúde, educação, infraestrutura, meio ambiente", disse.
Julgamento interrompido
Uma das frentes da crise é a Petição 16.662, originada em relatório da Polícia Federal elaborado a partir de informações extraídas do celular de Daniel Vorcaro e que aponta supostos diálogos relacionados a Moraes. O material também trouxe à tona um contrato de R$ 131 milhões entre o Banco Master e o escritório de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro. O escritório nega irregularidades.
O Plenário do STF começou a discutir se a petição deveria tramitar em conjunto com outro procedimento do caso Master, mas não chegou ao mérito. O julgamento foi interrompido por pedido de vista de Flávio Dino.
Berzoini sustenta que deixar o aprofundamento das apurações para depois da eleição não significa ignorar as suspeitas. Para ele, a falta de esclarecimentos também pode enfraquecer a própria Corte. "O Supremo não pode correr o risco de ser um tribunal enfraquecido", afirmou.
Efeito ainda limitado
O ex-ministro disse estranhar que as suspeitas envolvendo Flávio Bolsonaro tenham produzido, na avaliação dele, pouco efeito sobre o apoio ao candidato e atribuiu isso, em parte, à dificuldade de eleitores menos envolvidos com política de acompanhar uma sucessão de denúncias.
Flávio é investigado pela Polícia Federal em um inquérito que apura sua atuação na obtenção de recursos junto a Vorcaro para financiar Dark Horse, filme sobre Jair Bolsonaro. A investigação, autorizada pelo ministro André Mendonça, apura suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.
Berzoini também critica a maneira como o candidato reage ao episódio. Segundo ele, a campanha procura contornar assuntos negativos enquanto explora a segmentação do eleitorado e temas como a pauta religiosa. "Ele não discute a relação dele com o Vorcaro. Ele diz que está tudo resolvido, 'já prestei contas, e não prestou. E, apesar disso, não há uma atitude mais dura em relação a ele com grande parte da mídia empresarial brasileira", afirmou.
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