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FINANCIAMENTO ELEITORAL
Congresso em Foco
26/9/2026 7:00
Mulheres e candidatos pretos e pardos enfrentam diferenças importantes no financiamento da disputa pela Câmara dos Deputados, mas o recorte racial é mais acentuado que o de gênero entre quem está fora da Casa. Levantamento do Congresso em Foco mostra ainda que o quadro muda entre os parlamentares que já têm mandato e tentam a reeleição.
Entre os candidatos sem mandato, mulheres recebem, em média, R$ 324 mil, ante R$ 299 mil dos homens. A diferença por raça é maior: mulheres brancas chegam a R$ 364 mil, enquanto mulheres pretas ou pardas ficam em R$ 285 mil. Entre os homens, os brancos também recebem em média R$ 364 mil, contra R$ 230 mil dos pretos e pardos.
Mandato reduz as diferenças
Entre os parlamentares que tentam a reeleição, as distâncias por gênero e raça diminuem — e em alguns recortes se invertem.
As deputadas têm receita média de R$ 2,67 milhões, acima dos R$ 2,29 milhões registrados pelos homens. Entre elas, as mulheres brancas chegam a R$ 2,74 milhões, enquanto as pretas ou pardas têm média de R$ 2,55 milhões.
Entre os homens com mandato, ocorre o contrário: deputados pretos ou pardos registram média de R$ 2,39 milhões, acima dos R$ 2,26 milhões dos brancos.
O contraste é especialmente forte quando se compara quem tem e quem não tem mandato dentro de cada grupo. No conjunto das mulheres, as deputadas recebem em média 8,2 vezes o valor das candidatas sem mandato. Entre os homens, a diferença é de 7,7 vezes.
Entre negros, deputados recebem até dez vezes mais
A distância cresce quando gênero e raça são analisados em conjunto.
Entre mulheres pretas e pardas, as deputadas que buscam a reeleição têm receita média de R$ 2,55 milhões, ante R$ 285 mil entre as candidatas negras sem mandato — uma diferença de 9 vezes.
Entre os homens pretos e pardos, parlamentares em exercício registram média de R$ 2,39 milhões, contra R$ 230 mil entre os demais candidatos negros. Nesse grupo, quem tem mandato recebe em média 10,4 vezes mais.
Entre as mulheres brancas, a diferença é de 7,5 vezes: R$ 2,74 milhões para as deputadas e R$ 364 mil para as demais candidatas. Entre os homens brancos, a distância é menor, embora ainda elevada: 6,2 vezes, com médias de R$ 2,26 milhões e R$ 364 mil, respectivamente.
O cruzamento mostra que a condição de incumbente está associada a uma vantagem financeira expressiva em todos os grupos analisados. Os dados, porém, não permitem atribuir essas diferenças apenas ao mandato. A arrecadação também pode refletir critérios adotados pelos partidos, competitividade das candidaturas, doações de pessoas físicas, autofinanciamento e outras fontes permitidas.
Regras para mulheres e negros
A Justiça Eleitoral estabelece reservas específicas de recursos públicos para candidaturas de mulheres, pessoas negras e indígenas.
No caso das mulheres, os partidos devem destinar recursos públicos na proporção de sua participação entre as candidaturas, respeitado o piso legal. Há também regras específicas para a distribuição destinada às candidaturas negras e indígenas.
O retrato traçado pelos dados indica que a barreira mais difícil para mulheres e candidatos negros ainda é chegar à Câmara. Uma vez eleitos, eles passam a disputar a reeleição em condições de financiamento muito mais favoráveis do que aquelas observadas entre os candidatos que tentam entrar na Casa.
O levantamento do Congresso em Foco, porém, considera todas as receitas declaradas pelas campanhas, incluindo doações de pessoas físicas, autofinanciamento e outras fontes legais. Os valores são uma fotografia das prestações de contas até 25 de setembro e podem mudar até o fim da campanha.
Como mostrou este site, o peso do mandato no financiamento eleitoral é significativo. Deputados federais que buscam a reeleição recebem, em média, quase oito vezes mais recursos que os demais candidatos à Câmara. Congresso em Foco
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