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Congresso em Foco
29/9/2026 10:15
O senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) comparou a polêmica de que pretendia retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil à facada sofrida pelo pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, durante a campanha de 2018.
A declaração foi feita na noite desta segunda-feira (28), durante participação no SantoFlow Podcast, voltado ao público católico.
O candidato também afirmou que o Estado não deve interferir nas religiões e relatou ter recebido uma representação de Nossa Senhora Aparecida feita de crochê.
"Mais uma vez, eu posso considerar uma espécie de facada também essa fake news em mim."
Flávio contou que soube da circulação do conteúdo após participar de uma partida de futebol em Minas Gerais. Segundo ele, a notícia chegou quando se preparava para tomar banho e seguir viagem.
O senador disse ter pedido à assessoria de imprensa que verificasse a informação e questionou a velocidade com que ela se espalhou.
Ao ser perguntado sobre a suposta participação do PT na divulgação, o candidato afirmou não estar surpreso.
Na resposta, associou o episódio ao atentado contra o pai, sem apresentar provas de envolvimento do partido em nenhum dos dois casos.
"Eu tenho a convicção de que tentaram matar o meu pai porque viram que ele já era presidente do Brasil lá em 2018. Por isso foram pra tentar eliminá-lo. Foi aquela facada lá em Juiz de Fora."
A Polícia Federal concluiu que Adélio Bispo agiu sozinho no atentado contra Jair Bolsonaro. A investigação não identificou mandantes ou participação de outras pessoas no ataque.
Estado laico
Flávio também defendeu que o Estado não interfira nas práticas religiosas e afirmou respeitar pessoas de diferentes crenças. O candidato citou católicos, evangélicos, seguidores de religiões de matriz africana e pessoas sem religião.
"Cada um tem que se conectar com Deus da forma que achar melhor. O Estado não tem que se meter nisso."
Ao tratar do assunto, o senador contou que havia recebido uma representação de Nossa Senhora Aparecida feita de crochê e disse que guardaria o presente "com o maior carinho".
O candidato estendeu a defesa da não interferência do governo às regras internas das igrejas. Mencionou, como exemplos, as falas de pastores e a exigência de celibato para padres.
"O Brasil não é um Estado laico? Só que eu defendo o Estado laico com respeito a todas as religiões."
Na sequência, criticou a esquerda por, segundo ele, confundir Estado laico com um Estado sem religião.
Polêmica chegou à Justiça
A declaração ocorre em meio à repercussão da informação falsa de que Flávio apoiaria a retirada do título de padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida. A campanha negou a existência dessa intenção e acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
O ministro André Mendonça determinou a remoção de publicações que atribuíssem ao candidato ou à família a proposta de retirar o título da santa. Na decisão, classificou a afirmação como "notoriamente inverídica".
O caso também chegou ao STF.
O ministro Flávio Dino derrubou a ordem de remoção de uma postagem do humorista Antonio Tabet sobre o tema, em defesa da liberdade de expressão, e submeteu a decisão ao plenário. Posteriormente, o ministro Luiz Fux restabeleceu a determinação de Mendonça para a retirada do conteúdo.
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