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JUSTIÇA ELEITORAL

Ministra do TSE manda Nikolas apagar vídeo de Lula sobre "toque" em mulheres

Estela Aranha diz que deputado ultrapassou limite da crítica ao deslocar declaração sobre exames médicos para o campo de delitos contra menores.

Congresso em Foco

30/9/2026 | Atualizado às 14:33

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A ministra Estela Aranha, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), determinou que Nikolas Ferreira (PL-MG) retire do X, em até 24 horas, um vídeo em que associa a crimes contra crianças uma declaração do presidente Lula (PT), candidato à reeleição, sobre mulheres "aprenderem a tomar toque desde uma idade pequena".

A decisão é liminar e ainda será submetida ao Plenário do TSE. Além da remoção, a ministra proibiu Nikolas de republicar o mesmo conteúdo ou versões "substancialmente idênticas". O X também foi intimado a cumprir a ordem.

Nikolas atacou Lula por fala sobre exame em meninas.

Nikolas atacou Lula por fala sobre exame em meninas.Reprodução/X

Para Estela, o deputado ultrapassou o limite da crítica política ao atribuir à fala um sentido diferente daquele apresentado no discurso original. Lula falava sobre prevenção do câncer de próstata, exames médicos e a resistência de homens ao acompanhamento de saúde quando fez a comparação com as mulheres.

"Não se está diante de mera interpretação alternativa de um fato incontroverso", escreveu a ministra. Segundo ela, o vídeo conduz o público à ideia de que Lula estaria "fazendo referência, anuindo ou normalizando práticas de crimes extremamente graves envolvendo crianças e adolescentes".

O que Lula disse

A declaração foi feita na segunda-feira (28), em Belém, depois de Lula acompanhar a primeira cirurgia robótica realizada pelo SUS na Região Amazônica. Ao tratar da resistência masculina ao exame de próstata, afirmou: "O homem é covarde. O homem não gosta de fazer teste de próstata. Ele não gosta de toque. As mulheres aprendem a tomar toque desde quando é pequena. O homem, não. Ele é cheio de trejeito".

Nikolas divulgou o trecho e contestou a explicação de que Lula se referia a exames médicos. No vídeo, afirmou que meninas não são submetidas desde cedo a exames ginecológicos internos e acrescentou: "Imagina uma merda de um pedófilo ouvindo uma declaração do presidente da República falando isso". Também relacionou o episódio à ausência de Lula em debates e criticou eleitores do petista.

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Na terça-feira (29), Lula disse que pretendia comparar a resistência dos homens ao exame de próstata com a maior disposição das mulheres para realizar exames preventivos. Também chamou Nikolas de "canalha" por, segundo ele, distorcer sua declaração.

Crítica dura continua protegida

Ao analisar o pedido da campanha, Estela ressaltou que a liberdade de expressão protege manifestações políticas duras, exageradas e até errôneas. Citando entendimento do Supremo Tribunal Federal, lembrou que autoridades públicas estão sujeitas a escrutínio mais intenso e que o debate eleitoral admite críticas "ácidas ou contundentes".

Para a ministra, porém, esse não foi apenas um caso de crítica à formulação usada por Lula. O vídeo de Nikolas, segundo a decisão, introduziu uma "conotação inteiramente diversa", levando uma discussão sobre saúde pública para o campo de crimes previstos no Código Penal e no Estatuto da Criança e do Adolescente.

Estela resumiu o entendimento em um dos principais trechos da decisão: "A desinformação eleitoral não se limita à mentira integralmente fabricada. A distorção também pode decorrer da maneira pela qual uma informação é apresentada".

A ministra também considerou o alcance da conta de Nikolas para reconhecer a urgência da retirada, afirmando que sua capacidade de difusão amplia os efeitos do conteúdo. A campanha de Lula havia pedido ainda a condenação de Nikolas a multa de R$ 30 mil. Esse ponto será analisado no julgamento do mérito da representação.

Processo: 0602461-76.2026.6.00.0000

Leia a íntegra da decisão da ministra

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