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Congresso em Foco
5/10/2026 15:35
As urnas mexeram nas bancadas, fortaleceram a direita e redesenharam o Congresso. Mas uma velha regra da política brasileira sobreviveu praticamente intacta: ninguém governa sozinho, e o caminho para a maioria continua passando pelo Centrão.
Na divisão adotada por esta reportagem, a fotografia da nova Câmara é eloquente: 257 deputados estão no Centrão, 132 na direita e 124 na esquerda.
Os 257 representam exatamente a maioria absoluta da Casa. O PL, sozinho, tornou-se a maior bancada partidária, com 121 deputados, enquanto a esquerda terá 124 parlamentares no conjunto considerado aqui.
No Senado, o cenário é diferente, mas a lógica é parecida. São 34 senadores de centro, 31 de direita, 15 de esquerda e o senador Romário sem partido.
O PL emerge como a maior bancada isolada, com 28 cadeiras, mas nenhum dos dois polos ideológicos, pela classificação aqui feita, chega sozinho aos 41 votos da maioria absoluta.
É aí que o Centrão mostra novamente sua força. Não se trata propriamente de um bloco ideológico, muito menos de uma organização de comando único. É um conjunto heterogêneo de partidos, marcado pelo pragmatismo negociador e pela disposição de compor maiorias. Aliás, não raro é uma característica que seus críticos associam à busca por cargos, emendas e espaços de poder, mas que também funciona, na prática, como um mecanismo que obriga governos a ampliar suas coalizões.
A consequência é simples. Lula ou Flávio Bolsonaro, quem vencer o segundo turno presidencial de 25 de outubro, encontrará no dia seguinte a mesma aritmética.
De modo que para formar maioria estável, comandar as Casas, ocupar comissões e fazer avançar uma agenda relevante, será preciso conversar com os partidos do centro.
Num país eleitoralmente polarizado, o Congresso produz uma espécie de antídoto aritmético contra a hegemonia de qualquer dos extremos: as urnas podem dividir o Brasil; já os números do Congresso obrigam a recompô-lo.
O Centrão nasceu com a Constituição
Há uma coincidência histórica saborosa. Nesta segunda-feira, 5 de outubro, a Constituição completa 38 anos. Com efeito, a Carta Magana foi promulgada em 5 de outubro de 1988.
E foi justamente durante a Assembleia Nacional Constituinte que ganhou corpo o nome "Centrão". O grupo surgiu como um bloco suprapartidário, então identificado principalmente com setores conservadores e moderados, e se organizou para alterar o Regimento Interno da Constituinte e aumentar seu poder de interferência sobre o texto que chegaria ao plenário.
Registros históricos da Câmara mostram o Centrão já articulado em novembro de 1987 e, em dezembro, aprovando mudanças regimentais após uma intensa disputa com os setores progressistas.
Trinta e oito anos depois, os partidos mudaram, as personagens mudaram e o país mudou. Mas, na hora de formar maioria no Congresso, a velha lógica continua surpreendentemente familiar.