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ELEIÇÃO NO CEARÁ
Congresso em Foco
7/10/2026 | Atualizado às 8:52
O ex-governador Ciro Gomes (PSDB) se recusou a reconhecer a derrota para Elmano de Freitas (PT) na disputa pelo governo do Ceará, disse ter sido "roubado" e anunciou que sua campanha recorrerá à Justiça contra o resultado. Em manifesto divulgado nesta terça-feira (6), dois dias depois da eleição, o tucano acusou o adversário e o Judiciário de fraude, sem apresentar provas de adulteração da votação ou da totalização dos votos.
Elmano foi reeleito no primeiro turno com 2.875.573 votos, ou 53,19% dos válidos. Ciro recebeu 2.498.891 votos, 46,22%, diferença de 376.682 votos.
"Não cumprimentei o candidato vitorioso. Ele não ganhou, ele e sua organização criminosa tomaram as eleições!", escreveu Ciro no documento, intitulado "Manifesto ao povo cearense". Em seguida, afirmou: "Já ganhei e perdi eleições, nunca repudiei o resultado das urnas, mas meu sentimento, pela primeira vez na vida, é de que fomos roubados."
No texto, Ciro também disse ter autorizado sua equipe jurídica a apresentar uma reclamação à Justiça. Ao mesmo tempo, atacou o próprio Judiciário: "Digo logo que não acredito nela neste país apodrecido, mas vale documentar que sigo lutando."
Ataque a Toffoli
O principal alvo do manifesto é o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal. Ciro o acusou de ter promovido uma "fraude final" ao autorizar a exibição de inserções da campanha de Elmano na sexta-feira e no sábado anteriores à eleição. "Toffoli, ex-advogado do PT e ministro do STF nomeado por Lula, fora da condição de membro do TSE, foi o responsável pela fraude final contra nós", afirmou.
Ciro disse que a decisão permitiu a exibição de "mais de 900 comerciais" de Elmano e questionou quantos eleitores poderiam ter sido influenciados pela propaganda. A controvérsia envolveu uma disputa judicial entre as duas campanhas sobre inserções eleitorais na reta final. Ciro, porém, não apresentou no manifesto provas que indicassem fraude nas urnas ou erro na apuração. Com 100% das urnas contabilizadas, a Justiça Eleitoral proclamou Elmano vencedor no primeiro turno.
Ruptura com derrotas anteriores
A reação contrasta com a postura adotada por Ciro em eleições anteriores. No próprio manifesto, ele lembra que já venceu e perdeu disputas sem contestar o resultado e afirma que, desta vez, se sentiu "roubado".
O ex-governador aproveitou o documento para fazer uma série de críticas ao PT e ao governo estadual, em áreas como pobreza, segurança pública, educação e saúde. Também disse que o Ceará foi transformado em um "quintal do PT" e afirmou que a República brasileira "apodreceu" por causa da atuação de integrantes do Supremo.
As acusações políticas e administrativas aparecem no manifesto sem documentação que permita verificar, a partir do texto divulgado por Ciro, a responsabilidade atribuída por ele ao PT ou ao STF.
A campanha de Elmano reagiu dizendo que Ciro questiona uma escolha legítima feita pelos eleitores. O coordenador da campanha do governador reeleito, Chagas Vieira, afirmou que o adversário tenta se apresentar como vítima de uma decisão judicial que apenas recompôs tempo de propaganda retirado anteriormente.
Disputa apertada
A eleição foi decidida por uma margem de 6,97 pontos percentuais. Elmano superou os 50% dos votos válidos necessários para vencer no primeiro turno, enquanto Ciro terminou pouco mais de 376 mil votos atrás.
Ciro concorreu por uma aliança que reuniu o PSDB e o PL no Ceará. Durante a campanha, evitou dividir palanque com Flávio Bolsonaro nas visitas do senador ao Estado e procurou reduzir o impacto da associação com a família Bolsonaro em um eleitorado fortemente favorável a Lula.
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