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ELEIÇÕES

Quebra de sigilo, emendas e segurança: veja destaques de Lula no SBT

Presidente participou de sabatina na reta final da campanha para o segundo turno das eleições presidenciais, marcado para domingo (25).

Congresso em Foco

19/10/2026 20:43

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participou nesta segunda-feira (19) de uma sabatina no SBT Brasil. A entrevista ocorreu a seis dias do segundo turno das eleições presidenciais, quando Lula disputará a reeleição contra o senador Flávio Bolsonaro (PL). Acompanhe ao vivo os principais momentos da participação do presidente.

A entrevista será conduzida pelas jornalistas Basília Rodrigues, Marina Demori e Simone Queiroz, com retransmissão pelo SBT News. A emissora também convidou Flávio Bolsonaro para uma sabatina na quarta-feira (21), mas o candidato ainda não confirmou sua participação.

Na quinta-feira (15), Lula participou de uma sabatina da TV Globo, exibida após o Jornal Nacional. O presidente também esteve no primeiro debate direto contra Flávio Bolsonaro no segundo turno, promovido pela Band no domingo (18). Os dois candidatos têm um novo confronto previsto para sexta-feira (23), em debate organizado pela TV Globo.

Durante a entrevista, o chefe de governo reconheceu que esperava vencer as eleições no primeiro turno, mas negou ter subestimado a força eleitoral de Flávio Bolsonaro. O presidente também rejeitou as acusações de que as políticas econômicas aprovadas nas últimas semanas tiveram objetivos eleitorais. Sobre a proposta de transporte público gratuito aos fins de semana, reiterou que pretende utilizar recursos de emendas parlamentares, mesmo diante da possibilidade de resistência no Congresso.

Na área de segurança pública, Lula voltou a defender a redução da maioridade penal para 16 anos em casos de crimes hediondos e a manutenção das saídas temporárias para presos com bom comportamento, ressalvadas as restrições para crimes graves. O presidente também confirmou que pretende criar o Ministério da Segurança Pública após a aprovação da PEC da Segurança, independentemente do resultado eleitoral.

Lula tornou a citar uma reforma do Judiciário para discutir a adoção de mandatos para ministros do STF e ampliar a participação da sociedade na escolha de seus integrantes; e voltou a desafiar Flávio Bolsonaro a autorizar a quebra dos sigilos bancário e telefônico dos dois candidatos e de seus familiares.

Acompanhe:

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Leitura do primeiro turno

Questionado sobre o desempenho eleitoral do primeiro turno, Lula negou ter subestimado a força de Flávio Bolsonaro e da direita brasileira, mas reconheceu que esperava um resultado mais favorável diante dos resultados de seu governo. O presidente ressaltou que a mobilização popular ganhou força após a votação de 4 de outubro. "O povo está assumindo a responsabilidade da campanha, sobretudo porque o povo quer garantir a continuidade do processo democrático", declarou.

Lula comparou o resultado deste ano com a eleição de 2002, quando disputou o segundo turno contra José Serra. Na ocasião, contou que ficou frustrado por não conseguir a vitória na primeira etapa, apesar da confiança que tinha no desempenho eleitoral. "Eu fui no meu comitê, tinha muita delegação de estrangeira, todo mundo de cabeça baixa, eu fui obrigado a fazer um discurso para levantar a moral da minha tropa", relatou.

Desta vez, o presidente disse estar mais tranquilo e reconheceu perdas de votos em Estados onde a campanha esperava um desempenho superior. Lula afirmou que trabalha para recuperar apoio no Sul, ampliar a mobilização de governadores do Nordeste, vencer em Minas Gerais e reduzir a vantagem de Flávio em São Paulo. "Nós podemos ganhar as eleições em Minas Gerais, nós podemos diminuir a diferença aqui em São Paulo e, se isso acontecer, nós ganhamos a eleição".

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Políticas "eleitoreiras"

Lula negou que as políticas econômicas anunciadas e aprovadas nas semanas próximas às eleições tenham objetivos eleitorais. Questionado sobre o reajuste do Bolsa Família, o perdão das dívidas dos microempreendedores individuais (MEIs) e a proposta de transporte coletivo gratuito aos fins de semana, o presidente afirmou que as iniciativas dependiam da disponibilidade de recursos e da tramitação no Congresso.

Sobre o reajuste do Bolsa Família, Lula explicou que a equipe econômica identificou espaço fiscal para compensar a inflação acumulada pelo programa. Segundo o presidente, os adicionais concedidos a famílias com crianças haviam levado o governo a adiar a correção do benefício. "Eu fiquei muito nervoso, porque reposição de inflação é obrigação em qualquer lugar do mundo", declarou.

Em relação ao Desenrola MEI, o petista afirmou que o governo identificou quase R$ 15 bilhões em dívidas consideradas irrecuperáveis e decidiu conceder perdão a aproximadamente 4 milhões de microempreendedores. Também citou a aprovação do aumento do teto de faturamento da categoria. "Eu não vou deixar de dar um benefício que eu posso dar, porque tem eleição".

Lula também rejeitou a interpretação de que a aprovação de propostas importantes após o primeiro turno tenha ocorrido por causa do resultado eleitoral. O presidente afirmou que os projetos já tramitavam no Congresso e que havia solicitado sua votação antes de 4 de outubro. "Veja: independente do resultado eleitoral, o benefício vai continuar para o povo brasileiro", disse.

Dívida pública

Lula rejeitou a avaliação de que o crescimento da dívida pública e os gastos com as políticas econômicas anunciadas pelo governo possam provocar uma crise fiscal em 2027. Questionado sobre as fontes de financiamento das propostas, o presidente afirmou que todas estão dentro das possibilidades orçamentárias e citou a previsão de superávit primário de 0,1%, em contraste com o déficit de 2,8% que disse ter encontrado ao assumir a presidência.

O petista recorreu ao histórico de suas duas primeiras gestões, entre 2003 e 2010, quando registrou superávits primários em todos os anos, para defender sua condução das contas públicas. "Eu não preciso aprender responsabilidade com a Faria Lima. Responsabilidade eu tenho, porque eu sei, como pai de família, como trabalhador de fábrica que recebe salário, que a gente não pode gastar o que a gente não tem", declarou.

Lula também criticou a autonomia do Banco Central, com o argumento de que o governo precisa participar das discussões sobre a política monetária. "Quem discute? Quem discute? O sistema financeiro. É isso, que faz pressão todo santo dia, pressão todo santo dia", afirmou. O presidente acusou o setor financeiro de concentrar suas cobranças nos resultados fiscais sem discutir os valores pagos pelo governo aos credores da dívida pública.

Defesa da PEC 6x1

Questionado sobre alegações de que teria articulado a redução da jornada nacional de trabalho sem ouvir o setor produtivo, Lula defendeu o fim da escala 6x1 e afirmou que conquistas históricas dos trabalhadores sempre enfrentaram resistência de setores empresariais.

"Toda vez que você teve uma conquista pro povo trabalhador, o mundo ia acabar", declarou o presidente, citando a criação do salário mínimo, a CLT e o 13º salário.

O presidente também criticou a posição atribuída à Federação das Indústrias de São Paulo durante a Constituinte de 1946, quando, segundo ele, empresários resistiam à ampliação das férias dos trabalhadores sob o argumento de que o descanso estimularia o ócio e o consumo de álcool. "Eles querem ter 10 dias pra ir pra Paris. E, no caso do povo pobre, eles acham que vai beber", ironizou.

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Disputa sobre transporte gratuito

Lula reconheceu que sua proposta de utilizar recursos de emendas parlamentares para financiar o transporte público gratuito aos fins de semana deverá enfrentar resistência no Congresso. "Vai ser uma briguinha com o Congresso Nacional, mas isso é parte da democracia", declarou. O presidente afirmou acreditar que deputados e senadores aceitarão destinar parte dos recursos ao programa.

O petista voltou a defender a gratuidade como complemento ao fim da escala 6x1, aprovado pelo Congresso na semana passada. A proposta busca garantir que os trabalhadores possam aproveitar os dois dias de descanso remunerado para atividades de lazer e convivência familiar. "Não adianta você dar dois dias para descansar e não ter dinheiro para sequer ir visitar um parente", argumentou.

Segundo estimativa do deputado Jilmar Tatto (PT-SP), presidente da Frente Parlamentar em Defesa da Tarifa Zero, a gratuidade custaria R$ 16 bilhões por ano, o equivalente a aproximadamente 26% dos R$ 61 bilhões previstos para emendas parlamentares no Orçamento de 2026.

Maioridade penal

Lula tornou a defender a redução da maioridade penal para 16 anos em casos de crimes hediondos, argumentando que adolescentes dessa idade já possuem responsabilidades políticas, como o direito ao voto. O presidente disse que essa já era sua posição antes do pleito, e negou que tenha adotado em função do primeiro turno. "Primeiro, eu acho que nós, seres humanos, temos que ter a capacidade de mudar de opinião quando nós estamos convencidos de que é importante", declarou.

Questionado sobre as saídas temporárias de presos, o petista voltou a defender a concessão do benefício a condenados por crimes sem violência que apresentem bom comportamento. Lula argumentou que a convivência familiar é importante para a ressocialização dos detentos. "Você não pode, por causa de dois ou três, punir centenas ou milhares de pessoas. Nós acreditamos na possibilidade de recuperar", afirmou.

O presidente ressaltou que presos condenados por crimes graves, como estupro e violência contra a mulher, não devem receber autorização para deixar as unidades prisionais. Também defendeu que a análise seja feita individualmente pelas autoridades responsáveis, levando em consideração o histórico e o comportamento de cada condenado.

PEC da Segurança

Lula defendeu a aprovação da PEC da Segurança Pública para ampliar a participação da União no combate à criminalidade e integrar a atuação das forças policiais federais, estaduais e municipais. O presidente argumentou que a divisão de responsabilidades estabelecida pela Constituição de 1988 dificulta a coordenação das operações. "Porque você tem polícia que não se conecta, que não conversa", apontou.

O petista confirmou que pretende criar o Ministério da Segurança Pública logo após a aprovação da proposta, mesmo em caso de derrota no segundo turno. "Qualquer que seja o resultado das eleições, aprovada a PEC, eu vou criar o ministério", garantiu. Lula explicou que desistiu de instalar a pasta no início do mandato por ter sido alertado sobre a necessidade de definir previamente suas atribuições. Questionado sobre um possível ministro, não apresentou nomes.

O presidente também anunciou a intenção de dobrar os efetivos da Polícia Federal e da Polícia Rodoviária Federal para ampliar o patrulhamento das fronteiras. Lula rejeitou a utilização das Forças Armadas nessa atividade, defendendo que os militares se concentrem na defesa nacional. "Quem tem que cuidar é uma polícia especializada", argumentou.

Outra prioridade apresentada foi a transformação de 138 presídios estaduais em unidades de segurança máxima, com o objetivo de impedir que lideranças do Comando Vermelho e do Primeiro Comando da Capital (PCC) continuem a comandar atividades criminosas de dentro das penitenciárias. Lula afirmou que a iniciativa exigirá recursos adicionais e que a equipe econômica já foi informada sobre a necessidade de financiamento.

Reforma do Judiciário

Lula defendeu uma reforma do Judiciário para alterar os critérios de escolha dos ministros do STF, com a possibilidade de estabelecer mandatos e ampliar a participação da sociedade nas indicações. "Eu acho que, para ser ministro da Suprema Corte, a gente vai ter que discutir outro critério para escolher, não pode ser só o presidente da República, eu quero ver se a sociedade participa disso, eu quero que tenha mandato", declarou.

Questionado sobre a indicação de Jorge Messias ao STF, Lula negou ter sofrido desgaste político com a resistência ao nome do advogado-geral da União. "Quem teve desgaste foi quem não aprovou, não fui eu", respondeu. O petista defendeu a qualificação jurídica de Messias, mas evitou confirmar se insistirá em sua indicação, afirmando que decidirá o assunto depois das eleições.

O presidente também afirmou que adotará a competência profissional e o conhecimento jurídico como requisitos para futuras indicações. Lula disse ter orgulho dos ministros que nomeou em seus mandatos anteriores e negou ter exigido contrapartidas pelas escolhas. "Nunca pedi um favor ao ministro da Suprema Corte. Nunca pedi e não vou pedir".

Desafio a Flávio

Lula voltou a desafiar Flávio Bolsonaro a autorizar a quebra dos sigilos bancário e telefônico dos dois candidatos e de seus familiares, proposta apresentada durante o debate da Band, no domingo (18). O presidente defendeu que as informações sejam submetidas à Justiça para apurar as acusações de corrupção feitas durante a campanha. "Estou cansado de falar em corrupção, de falar em corrupção e [ao] erminar as eleições, nada é apurado", declarou.

O petista afirmou que ele e seus familiares estão preparando procurações para entregar ao STF e ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), com autorização para acesso às informações. "Eu quero que você faça o mesmo, da sua família, você e seus irmãos, e vamos entregar. Vamos deixar investigar para saber aonde é que está a corrupção nesse país", cobrou.

Lula também acusou Flávio de ter mentido 43 vezes sobre sua relação com Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, mencionando encontros entre o senador e o banqueiro. Durante o debate de domingo, Flávio afirmou não ter nada a esconder, mas não confirmou se aceitaria a abertura dos sigilos nos termos propostos pelo presidente.

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