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Eleições
Congresso em Foco
23/10/2026 | Atualizado às 23:02
AO VIVO Atualizado às 23h15 · 30 atualizações
O presidente Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) participam nesta sexta-feira (23) do último debate entre os candidatos à presidência da República antes do segundo turno das eleições de 2026. O encontro ocorre a dois dias da votação deste domingo (25) e representa a última oportunidade de confronto direto entre os dois adversários antes de os eleitores voltarem às urnas.
Promovido pela TV Globo, o evento será realizado nos Estúdios Globo, no Rio de Janeiro, com mediação do jornalista César Tralli. O programa está previsto para começar após o Jornal Nacional e também terá transmissão pelas plataformas digitais do Grupo Globo.
No retorno do debate para o terceiro bloco, Flávio criticou o governo pelo endividamento das famílias e afirmou que os brasileiros passaram a parcelar até despesas básicas. “O brasileiro antes parcelava um fogão, um micro-ondas, uma geladeira. Agora parcela o que tem dentro da geladeira”, declarou. Ele voltou a defender a transformação da Caixa em um “Banco da Prosperidade”, com renegociação de dívidas e crédito para pequenos empreendedores, especialmente nas periferias.
Lula respondeu citando programas de renegociação já realizados por seu governo e anunciou uma nova etapa para enfrentar o endividamento. Segundo o presidente, a proposta prevê um leilão que poderá alcançar mais de R$ 150 bilhões para negociação de dívidas bancárias. Lula também afirmou que a medida busca devolver consumidores ao mercado e estimular a atividade econômica.
O presidente ainda citou medidas direcionadas aos pequenos negócios e afirmou que o governo anunciou nesta semana o perdão de cerca de R$ 15 bilhões em dívidas, envolvendo aproximadamente 4 milhões de pessoas. Lula defendeu que a redução do endividamento permitirá que parte maior da renda das famílias seja destinada às despesas básicas.
Ao escolher o SUS como tema, Lula questionou Flávio Bolsonaro sobre declarações atribuídas a integrantes de sua equipe e perguntou como o adversário pretende ampliar os serviços de saúde. O presidente também voltou a criticar a condução da pandemia durante o governo de Jair Bolsonaro e destacou a atuação de médicos, enfermeiros e outros profissionais do SUS durante a crise sanitária.
Flávio rebateu afirmando que pretende cortar gastos com corrupção e burocracia, e não recursos da saúde. “O SUS é mal gerido, mas o SUS é um orgulho nacional”, declarou. O candidato citou filas para atendimento, falta de medicamentos em unidades de saúde e dificuldades enfrentadas por mães atípicas para conseguir atendimento especializado para os filhos.
Na réplica, Lula voltou a cobrar uma resposta sobre o financiamento do sistema e afirmou que o SUS teve papel fundamental no atendimento à população durante a pandemia. “Graças a Deus existiu o SUS, com médicos, enfermeiros, faxineiros e motoristas, que colocaram a sua vida em risco para evitar um desastre nesse país”, disse.
Flávio Bolsonaro criticou o crescimento da dívida pública e relacionou os gastos do governo às taxas de juros e ao endividamento das famílias. O candidato prometeu usar a Caixa Econômica Federal para comprar e refinanciar dívidas bancárias, além de conceder um período sem pagamentos para pessoas físicas e empresas.
“Eu vou comprar a sua dívida dos bancos e vou refinanciar pela Caixa Econômica Federal”, afirmou Flávio, dizendo que pessoas físicas poderiam ficar seis meses sem pagar as parcelas e empresas, um ano.
Lula rebateu afirmando que a proposta de renegociação apresentada pelo adversário reproduz medidas que seu governo já encaminhou ou colocou em prática. O presidente defendeu o crescimento do PIB como caminho para reduzir a relação entre dívida e economia e afirmou que a expansão do crédito e da atividade econômica continuará sendo prioridade.
“O SUS é mal gerido, mas é símbolo de orgulho nacional.” Flávio Bolsonaro (PL) — Candidato à presidência
Lula questionou Flávio Bolsonaro sobre o uso da expressão “Bolsa Farelo” ao se referir ao Bolsa Família e afirmou que a declaração representaria falta de respeito com a população de baixa renda. “Por que você chamou o Bolsa Família de ‘Bolsa Farelo’? Sabe o que é isso? É falta de respeito com o povo pobre deste país”, afirmou.
Na resposta, Flávio direcionou as críticas ao governo e afirmou que Lula deveria pedir desculpas à população mais pobre. O candidato citou o aumento da população em situação de rua, criticou o valor de benefícios anunciados pelo governo e questionou: “Esse é o presidente que cuida dos mais pobres?”
Lula cobra a Flávio pedido de desculpas por fala dos "nove dedos". O presidente afirmou que conhece o mundo do trabalho, lembrou que começou a trabalhar ainda jovem e que perdeu um dedo em acidente de trabalho. Na resposta, chamou Flávio de “miliciano” e afirmou: “Não vou permitir que um miliciano me chame de novidadeiro”.
Na tréplica, Flávio pediu desculpas. “Lula, se eu te ofendi por ter te chamado de novidadeiro, eu te peço desculpas de verdade. Eu não queria te ofender”, afirmou. Em seguida, o candidato passou a cobrar desculpas de Lula por problemas que atribuiu ao governo nas áreas de pobreza, segurança pública, violência contra as mulheres, endividamento das famílias e preço dos alimentos.
Terceiro Bloco
Lula e Flávio poderão escolher o assunto que desejam discutir entre os temas exibidos em um telão.
Durante cada confronto, o candidato que estiver com a palavra poderá deixar o púlpito e circular pelo cenário, enquanto o adversário deverá permanecer em seu lugar. Depois, os papéis serão invertidos conforme a condução do debate.
Na prática, os blocos dão aos candidatos maior liberdade para direcionar o confronto aos assuntos escolhidos por eles, além de permitir uma interação mais dinâmica no palco.
Durante o segundo bloco, os questionamentos temáticos levam a discussões sobre SUS, dívida pública e políticas sociais.
Brasil e Argentina
Flávio diz que terá mesmo trabalho de Milei para recuperar economiaLeia maisNa rodada sobre o Nordeste, Flávio rebateu a declaração de Lula sobre um vídeo de Jair Bolsonaro durante a pandemia e afirmou que a gravação foi retirada de contexto. “Se você pegar dez segundos antes e dez segundos depois, vai ver que é exatamente o contrário”, disse. Em seguida, Flávio acusou o governo federal e administrações estaduais aliadas de não conseguirem conter o avanço do crime organizado na região.
Lula respondeu destacando investimentos realizados por seus governos no Nordeste, citando a expansão de institutos federais e universidades. O presidente também ressaltou sua origem nordestina e cobrou do adversário exemplos de obras realizadas na região durante o governo Bolsonaro. “Como eu sou nordestino, como carreguei um pote de água com seis anos de idade, eu quero que o Nordeste seja tratado como qualquer outra região desse país. Porque nós merecemos respeito”, afirmou.
Flávio citou o presidente da Argentina, Javier Milei, ao criticar a condução da economia pelo governo Lula. Segundo o candidato, Milei recebeu uma economia com inflação elevada e precisou adotar medidas para reorganizar o país.
“Quando eu falo do Milei, o que ele fez lá? Ele arrumou a economia. Lá na Argentina, a esquerda governou por 20 anos. Vocês destruíram a Argentina. O Milei começou o governo com 211% de inflação”, afirmou.
Flávio comparou a situação argentina com o cenário que, segundo ele, encontrará no Brasil caso seja eleito. “Eu vou ter que ter o mesmo trabalho aqui, porque você está deixando o país quebrado”, declarou, ao também acusar Lula de elevar os gastos públicos em busca da reeleição.
Em relação ao Norte, Lula rebateu Flávio e relembrou a crise de falta de oxigênio registrada no Amazonas durante a pandemia de Covid-19. O presidente associou o episódio ao governo de Jair Bolsonaro e fez críticas ao ex-presidente.
Na rodada sobre a Região Sul, Lula questionou Flávio Bolsonaro sobre a política de valorização do salário mínimo e perguntou se o adversário pretende garantir reajustes acima da inflação também para aposentados, pensionistas, beneficiários do BPC e trabalhadores rurais.
Flávio respondeu que pretende reajustar as aposentadorias acima da inflação e rejeitou a possibilidade de privatização do Banco do Brasil, da Caixa e da Petrobras. Na sequência, voltou a defender medidas de ajuste econômico e citou a Argentina ao argumentar que pretende reorganizar as contas públicas.
Lula insistiu no questionamento e cobrou uma resposta direta sobre os benefícios previdenciários. Flávio reafirmou: "Eu vou reajustar as aposentadorias acima da inflação”. O candidato também criticou a atuação do governo federal após as enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul e prometeu apoiar obras de prevenção contra novos alagamentos e investimentos em infraestrutura na Região Sul.
“Quando Trump decidiu taxar o Brasil, eu não fiquei preocupado, porque não nasci com medo de cara feia. Se Trump não quer comprar do Brasil, vou vender para outros países.” Lula (PT) — Candidato à reeleição
Na rodada sobre o Centro-Oeste, Flávio Bolsonaro questionou Lula sobre as dificuldades enfrentadas pelos produtores rurais, especialmente no acesso ao crédito, e acusou o presidente de hostilizar o agronegócio.
Lula rebateu afirmando que seu governo ampliou os investimentos no agronegócio e na agricultura familiar. Também citou a abertura de novos mercados internacionais para produtos brasileiros e contestou as críticas do adversário.
Na sequência, Flávio voltou a falar das dificuldades para obtenção de financiamento e prometeu fortalecer o Plano Safra e o seguro rural, além de reduzir burocracias para produtores. O candidato também defendeu o uso de tecnologia no acesso a benefícios rurais e um pacto com governadores do Centro-Oeste para reforçar o combate ao crime organizado e a fiscalização das fronteiras.
Região Sudeste
Lula afirmou que a política de valorização adotada pelos governos do PT permitiu elevar o salário mínimo e beneficiar trabalhadores, aposentados, pensionistas e beneficiários do BPC. Na sequência, questionou Flávio Bolsonaro sobre a proposta de tarifa zero no transporte público aos fins de semana, defendida pelo presidente como forma de ampliar as opções de lazer dos trabalhadores após o fim da escala 6x1.
Flávio respondeu ser favorável à gratuidade dos ônibus nos fins de semana, mas criticou a política tributária do governo. O candidato afirmou que o aumento do salário mínimo perde efeito diante da carga de impostos e direcionou críticas à reforma tributária e ao futuro IVA. Flávio também relacionou o poder de compra do Bolsa Família ao preço dos alimentos e afirmou que os R$ 600 atualmente têm menor capacidade de compra.
Ao rebater Flávio Bolsonaro durante a discussão sobre infraestrutura, Lula comparou o adversário a um estudante que se prepara para o vestibular decorando o conteúdo, mas sem aprender.
“Eles conseguem decorar, mas não conseguem aprender”, afirmou Lula antes de citar obras de infraestrutura que, segundo ele, estão em andamento no país.
No debate sobre infraestrutura, Lula afirmou que seu governo realizou investimentos em rodovias, ferrovias, hidrovias, portos e aeroportos e citou o Programa de Aceleração do Crescimento. Segundo o presidente, foram anunciados R$ 1,7 trilhão em investimentos, dos quais quase R$ 800 bilhões já teriam sido executados. Lula também mencionou obras como a Transnordestina, a ligação entre Porto Velho e Manaus, o túnel Santos-Guarujá e projetos de mobilidade urbana.
Já Flávio Bolsonaro defendeu a continuidade das concessões de rodovias e portos e afirmou que pretende ampliar investimentos em infraestrutura caso seja eleito. O candidato também destacou a expansão da internet como parte dessa estratégia, citando a instalação de pontos de conexão em escolas e unidades de saúde e defendendo maior cobertura para áreas indígenas e para o agronegócio.
O candidato do PL prometeu novas rodovias com pedágio zero para motocicletas.
O primeiro bloco do debate começou com uma rodada dedicada ao tema infraestrutura e exportação, dentro da dinâmica que prevê discussões sobre as diferentes regiões do país e uma questão nacional prioritária.
O candidato sorteado para iniciar é Flávio Bolsonaro. Após a fala inicial, Lula terá a oportunidade de falar.
Começou às 21h39 desta sexta-feira (23) o último debate entre Lula e Flávio Bolsonaro antes do segundo turno da eleição presidencial, marcado para domingo (25).
O confronto encerra a agenda de debates da campanha e ocorre a menos de 48 horas da votação. A partir de agora, os candidatos apresentam propostas, respondem aos questionamentos do adversário e protagonizam o último confronto antes dos eleitores irem às urnas.
No primeiro bloco, terá seis rodadas sobre as regiões do país e um tema nacional prioritário. Cada candidato contará com três minutos por rodada, divididos entre pergunta, resposta, réplica e tréplica.
Pelas regras divulgadas pela emissora, o debate será dividido em quatro blocos, sendo três com temas determinados e o último de tema livre. A ordem das perguntas será definida por sorteios realizados ao vivo durante o programa.
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