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ELEIÇÕES 2026

PT pede prisão de gestores por falta de ônibus na eleição em São Paulo

Partido acusa secretário municipal e presidente da SPTrans de descumprir ordem judicial durante o segundo turno e pede multa de R$ 1 milhão por hora. Lula pede extensão do horário de votação.

Congresso em Foco

25/10/2026 | Atualizado às 16:24

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A campanha do presidente Lula pediu à Justiça Eleitoral, neste domingo (25), a prisão em flagrante do secretário municipal de Mobilidade Urbana e Transporte de São Paulo, Celso Jorge Caldeira, e do presidente da SPTrans, Victor Hugo Borges. A Federação Brasil da Esperança acusa os dois gestores de descumprir uma decisão judicial que determinou a circulação de 100% da frota operacional de ônibus da capital paulista durante o segundo turno das eleições.

A ação, protocolada na 1ª Zona Eleitoral de São Paulo, também pede o restabelecimento imediato do serviço, sob pena de multa de R$ 1 milhão por hora de descumprimento, e o envio da Polícia Federal às garagens das concessionárias para assegurar a saída dos veículos.

Lula vai pedir prorrogação do horário

Em declaração a jornalistas em frente à sua casa, no Alto de Pinheiros, zona oeste de São Paulo, Lula afirmou que quase 40% dos ônibus da capital foram retirados de circulação. Segundo o presidente, problemas semelhantes ocorreram em Salvador, Feira de Santana, Recife, Teresina e João Pessoa.

"Quero pedir que o povo não desista de votar. E nós estamos deixando o pedido para a Suprema Corte para que ela possa prorrogar o processo eleitoral, para que as pessoas que foram proibidas de votar por sacanagem de prefeito compareçam a votar", afirmou.

Lula disse que pretende recorrer aos ministros Nunes Marques e André Mendonça para ampliar o horário de votação e permitir que eleitores prejudicados pela falta de transporte cheguem às urnas. "Não é possível, em pleno século 21, você ter prefeito tentando coibir o povo de exercer o seu livre direito democrático de votar", criticou.

Paradas de ônibus lotadas em São Paulo neste domingo, 25 de outubro.

Paradas de ônibus lotadas em São Paulo neste domingo, 25 de outubro.Marco Ambrosio/AtoPress/Folhapress

A campanha de Lula também pediu a ampliação do horário de votação na capital paulista, sob o argumento de que a oferta insuficiente de ônibus poderia impedir eleitores de chegar às urnas até as 17h.

O pedido foi motivado por denúncias de demora no transporte coletivo. Segundo levantamento do Metrópoles, citado na representação e baseado em dados do aplicativo Infobus, apenas 9.892 dos 13.790 ônibus municipais estavam em operação às 13h20 deste domingo. Outros 3.898 veículos, equivalentes a 28,3% da frota cadastrada, permaneciam nas garagens.

Pedido de prisão

Na representação, a federação sustenta que a redução do transporte pode configurar três crimes eleitorais: impedir ou dificultar o exercício do voto, restringir o fornecimento normal de transporte no dia da eleição e desobedecer a uma ordem da Justiça Eleitoral.

Caso as prisões sejam negadas, os advogados pedem, alternativamente, a condução dos gestores à Polícia Federal e seu afastamento das funções até o encerramento da votação e o retorno dos eleitores. Também solicitam os registros completos da operação dos ônibus, por linha e horário.

Em relação ao prefeito Ricardo Nunes (MDB), a federação pede que a Procuradoria Regional Eleitoral avalie as providências cabíveis, considerando sua prerrogativa de foro. A petição não solicita diretamente sua prisão. Em outra ação, porém, as parlamentares Sâmia Bomfim, Mônica Seixas e Luana Alves, do Psol, pediram a prisão do prefeito e dos dois gestores municipais.

Em Salvador, prisão determinada

A federação cita como precedente o caso de Salvador, onde o presidente do Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA), desembargador Maurício Kertzman Szporer, determinou neste domingo a prisão em flagrante do secretário municipal de Mobilidade, Pablo Souza, após denúncias de retenção de ônibus durante a votação.

A ordem ainda não havia sido cumprida porque o secretário estava em Paris, em missão oficial a convite do governo francês. Segundo a Prefeitura de Salvador, ele deve retornar ao Brasil nesta segunda-feira (26) e se apresentar às autoridades.

Na capital baiana, a Justiça também determinou a liberação imediata dos veículos, com transporte gratuito até o retorno dos eleitores, sob pena de multa de R$ 1 milhão por hora de descumprimento. A decisão ocorreu após o Ministério Público Eleitoral identificar ônibus parados em garagens durante o horário de votação.

Prefeitura nega falta de ônibus

Em São Paulo, a determinação de manter a frota operacional dos dias úteis foi assinada na sexta-feira (23) pelo juiz Tiago Ducatti Lino Machado, da 1ª Zona Eleitoral. A decisão fixou multa pessoal de R$ 100 mil para Ricardo Nunes e para o presidente da SPTrans em caso de descumprimento injustificado, além de advertir sobre possível responsabilização criminal.

O prefeito negou a falta de ônibus e acusou os adversários de explorar politicamente o episódio. "Não temos falta de ônibus, a demanda está sendo atendida. É uma estratégia muito ruim que estão usando", afirmou Nunes à Folha de S.Paulo.

A SPTrans informou que comunicou as concessionárias sobre a determinação judicial no sábado (24), mas alegou dificuldades para reorganizar as escalas de motoristas em prazo tão curto. A empresa afirmou estar adotando providências para cumprir a decisão. Aliado do candidato presidencial Flávio Bolsonaro (PL), Nunes havia anunciado inicialmente uma operação equivalente à dos sábados, inferior à exigida pela Justiça Eleitoral.

Leia a íntegra da representação

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