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RIO DE JANEIRO
Congresso em Foco
29/10/2026 16:14
A Polícia Federal cumpriu nesta quinta-feira (29) mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao pastor e empresário do ramo do tabaco Márcio Poncio, conhecido como "pastor do cigarro", aliado do ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar, que está preso.
A ação faz parte da nona fase da Operação Unha e Carne, investigação que também resultou nas prisões de Bacellar e do deputado estadual eleito Márcio Canella (União). A nova etapa apura suspeitas de lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio por integrantes de organização criminosa com atuação no Rio de Janeiro.
Ao todo, foram expedidos pelo STF quatro mandados de busca e apreensão, cumpridos na Barra da Tijuca. Três endereços são salas comerciais ligadas a Poncio, apontadas pela PF como estruturas administrativas do grupo investigado. O quarto é a residência de Bernardo Coutinho Loyola, sobrinho do bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho.
Os agentes buscam documentos, aparelhos eletrônicos, registros contábeis e outros materiais que possam esclarecer a movimentação de recursos financeiros da organização. A nova fase foi autorizada após a análise de informações extraídas de celular apreendido na quinta etapa da operação, realizada em julho.
Segundo a PF, os dados permitiram identificar endereços, empresas e bens que poderiam estar sendo utilizados para administrar e ocultar recursos de atividades criminosas. A operação investiga grupos ligados ao jogo do bicho e à chamada Máfia do Cigarro, suspeitos de movimentar dinheiro ilícito e realizar pagamentos a agentes públicos do Rio de Janeiro.
A investigação identificou indícios de uma rede patrimonial composta por imóveis de alto padrão, aeronaves executivas, veículos de luxo e empresas controladas por integrantes da organização. Os investigadores apuram como esses recursos foram movimentados e utilizados na aquisição de bens de elevado valor econômico.
Parte desse patrimônio estaria registrada em nome de familiares, colaboradores e terceiros "formalmente desvinculados do núcleo investigado", embora permanecesse sob administração dos integrantes do grupo. A estratégia investigada permitiria esconder os verdadeiros proprietários e dificultar o rastreamento dos recursos.
A PF também apura movimentações recorrentes de dinheiro em espécie, operações financeiras sem rastreabilidade e a utilização de empresas nacionais e estrangeiras, inclusive sediadas em paraísos fiscais. Os investigadores identificaram ainda indícios do uso de entidades religiosas e empresas de administração patrimonial para ocultar a titularidade de bens de elevado valor econômico.
Relações políticas
Márcio Poncio é empresário do setor de tabaco e integrante da Igreja da Nuvem. Ele é pai da deputada estadual Sarah Poncio (Solidariedade), que votou a favor da revogação da primeira prisão de Rodrigo Bacellar, em dezembro de 2025. Na ocasião, a Alerj aprovou a suspensão da prisão do então presidente da Casa por 42 votos a 21.
O pastor foi preso em 2 de julho, durante a quinta fase da Operação Unha e Carne. Na mesma etapa, foram expedidas novas ordens de prisão contra Bacellar e Adilsinho, que já estavam detidos. Em nota divulgada naquela ocasião, a PF descreveu o conteúdo de planilhas com registros financeiros apreendidas durante a investigação.
A prisão preventiva de Poncio foi posteriormente convertida em domiciliar pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, em julho.
A investigação também alcançou Márcio Canella, ex-prefeito de Belford Roxo e deputado estadual eleito em outubro. Ele foi preso preventivamente em 15 de outubro, durante a oitava fase da operação, sob suspeita de atuar como articulador político de organização criminosa que utilizava postos de combustíveis para lavagem de dinheiro.
Segundo a PF, o grupo movimentou mais de R$ 7,6 bilhões em seis anos. Canella também havia sido preso em flagrante em julho, após os agentes encontrarem um fuzil em seu veículo.
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