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Caso Master
Congresso em Foco
30/10/2026 8:19
O depoimento do fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, prestado à Polícia Federal em 15 de outubro de 2026, foi tornado público e encaminhado ao STF nesta quinta-feira (29). Durante o interrogatório, o banqueiro negou ter cometido fraude nas operações envolvendo o Banco de Brasília (BRB), pediu o arquivamento da investigação e afirmou estar disposto a prestar esclarecimentos sobre suas relações.
A oitiva foi realizada antes do indiciamento de Vorcaro e de outras 13 pessoas pela Polícia Federal por suspeitas de irregularidades nas operações entre as duas instituições financeiras.
Em um dos momentos do depoimento, Vorcaro afirmou que outras questões poderiam ser investigadas, mas insistiu que não haveria fundamento para manter o inquérito sobre a suposta fraude contra o BRB.
"Tem outras coisas para serem investigadas, tem coisa, e estou disposto a que se investigue. As minhas relações, eu estou disposto a falar tudo. Mas esse caso tem que ser arquivado, imediatamente, urgentemente", declarou.
O ex-controlador do Master sustentou que as operações questionadas foram desfeitas ou substituídas por outros ativos e que o BRB não teria sofrido prejuízo. Essa versão foi contestada pelos investigadores durante o interrogatório.
A Polícia Federal, por sua vez, aponta a negociação de carteiras de crédito sem comprovação de existência e descreve Vorcaro como líder de uma suposta organização criminosa. Entre os crimes atribuídos a ele estão gestão fraudulenta de instituição financeira, induzimento a erro, fraude em fiscalização e lavagem de dinheiro.
Carteiras de crédito e prejuízo ao BRB
Boa parte do depoimento foi dedicada às operações envolvendo a empresa Tirreno, responsável por carteiras de crédito negociadas com o Banco Master e posteriormente destinadas ao BRB.
Os investigadores confrontaram Vorcaro com laudos periciais, documentos e mensagens extraídas de aparelhos celulares. Segundo a PF, os elementos reunidos indicam que carteiras de crédito avaliadas em R$ 12,2 bilhões foram negociadas sem comprovação de sua existência.
Vorcaro reconheceu que houve problemas nas operações, mas argumentou que os negócios não chegaram a ser concluídos nos termos inicialmente previstos. Segundo ele, os créditos foram substituídos por outros ativos, o que afastaria a hipótese de fraude.
Os policiais contestaram essa interpretação. Para os investigadores, a substituição posterior dos ativos não elimina a necessidade de apurar possíveis irregularidades na negociação original.
O banqueiro também questionou os valores de prejuízo mencionados durante a investigação e defendeu a realização de uma perícia independente para avaliar os ativos entregues ao BRB.
Apartamentos para o ex-presidente do BRB
Outro ponto abordado foi a relação de Vorcaro com Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, e a oferta de imóveis em Brasília e São Paulo.
Os investigadores questionaram mensagens nas quais Vorcaro demonstrava interesse em manter Paulo Henrique satisfeito e discutia apartamentos que poderiam ser disponibilizados ao executivo.
Vorcaro negou que os imóveis representassem uma vantagem indevida para facilitar a compra de carteiras de crédito. Segundo ele, a oferta estava relacionada à possibilidade de Paulo Henrique assumir uma função de direção no grupo financeiro que seria formado com a união das instituições.
O banqueiro afirmou que os apartamentos seriam destinados à moradia do executivo e de sua família, caso a operação fosse concluída. Também declarou que Paulo Henrique não chegou a ocupar os imóveis.
Relação com o Banco Central
A PF também questionou Vorcaro sobre informações prestadas ao Banco Central, especialmente a identificação da origem das carteiras de crédito e a documentação utilizada para comprovar sua existência.
Os investigadores apontaram divergências nas informações encaminhadas ao órgão regulador e questionaram a emissão de cédulas de crédito bancário (CCBs) sem documentação suficiente.
Vorcaro negou ter agido para dificultar a fiscalização. Ele afirmou que centralizava determinadas comunicações com o Banco Central para evitar erros e sustentou que eventuais falhas deveriam ser examinadas individualmente, inclusive na esfera administrativa.
Ao final do depoimento, voltou a pedir o arquivamento do inquérito ou, alternativamente, que a investigação aguardasse uma avaliação completa dos ativos envolvidos.
O interrogatório reúne questionamentos sobre a origem das carteiras de crédito, as operações financeiras entre Master e BRB, a atuação de dirigentes e advogados, a oferta de apartamentos a Paulo Henrique Costa e as informações prestadas ao Banco Central.
Vorcaro nega ter cometido fraude. As conclusões apresentadas pela Polícia Federal são objeto de investigação e não representam condenação judicial.
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