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FUGA PARA OS EUA
Congresso em Foco
1/11/2026 | Atualizado às 9:40
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou neste sábado (31) que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pode permanecer no país pelo tempo que desejar. Apesar da manifestação de apoio ao candidato derrotado na eleição presidencial brasileira, Trump disse não ter planos de encontrá-lo. Flávio está em Miami desde quarta-feira (28), depois de deixar o Brasil contrariando uma ordem do ministro Alexandre de Moraes, do STF.
Em conversa com jornalistas em Mar-a-Lago, na Flórida, Trump afirmou que não pretende receber o senador. "Não tenho planos de encontrá-lo, mas acho que ele foi muito maltratado. Muito maltratado. Então, ele pode ficar aqui pelo tempo que quiser", declarou.
Questionado se havia conversado com Flávio, o republicano não respondeu diretamente. Repetiu que o senador poderia permanecer nos Estados Unidos e voltou a criticar o resultado eleitoral brasileiro. "Na minha opinião, a eleição foi uma vergonha", afirmou.
Trump não apresentou provas de irregularidades na votação. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) confirmou a reeleição de Lula (PT), com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio. O PL, partido do senador, reconheceu o resultado das urnas.
Trump autorizou entrada de Flávio
As declarações ocorreram no mesmo dia em que o secretário de Estado americano, Marco Rubio, negou participação direta do governo dos Estados Unidos na organização da saída de Flávio do Brasil.
"Não facilitamos nada", afirmou Rubio. O secretário confirmou, porém, que Trump autorizou a entrada do senador e de sua família em território americano.
Segundo Rubio, Flávio já possuía visto e recebeu uma autorização migratória temporária, conhecida como parole. O mecanismo permite o ingresso no país por decisão das autoridades americanas, mas não equivale à concessão de asilo ou residência permanente. Assim, a declaração de Trump de que o senador pode ficar pelo tempo que quiser não significa, por si só, autorização legal para permanência indefinida.
A negativa de Rubio contrasta com reportagens dos jornais The Wall Street Journal e The New York Times, segundo as quais Jason Miller, assessor de comunicação da Casa Branca, ajudou a providenciar o avião particular utilizado por Flávio. Não está esclarecido se Miller agiu por iniciativa própria ou em nome do governo americano.
Saída após proibição do STF
Flávio deixou o Brasil na noite de terça-feira (27), pela fronteira terrestre com a Argentina. Embarcou em Puerto Iguazú em um jato particular que fez escala no Equador antes de chegar a Miami, na manhã de quarta-feira (28), acompanhado da família.
A viagem ocorreu após o ministro Alexandre de Moraes determinar a entrega dos passaportes do senador e proibi-lo de deixar o país. Como os documentos brasileiros não foram apresentados no prazo, a Polícia Federal (PF) providenciou seu cancelamento.
A PF informou não ter encontrado registro da saída de Flávio pelos postos brasileiros de controle migratório e investiga as circunstâncias da viagem. O senador alega perseguição política e nega ter cometido crimes. Flávio ingressou na Argentina usando seu passaporte italiano.
A permanência de Flávio nos Estados Unidos também provocou questionamentos no Congresso americano. Um grupo de 25 parlamentares democratas enviou carta a Rubio cobrando explicações sobre a possível participação de autoridades do país na viagem e sobre as condições de entrada do senador. Os congressistas pediram respostas até 13 de novembro.
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