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ATAQUES RACISTAS

Carol Dartora nega pedido de reembolso de espumante e denuncia racismo

Deputada relata mais de 300 comentários racistas, reconhece ressarcimento indevido de bebidas alcoólicas e promete corrigir prestação de contas.

Congresso em Foco

3/11/2026 | Atualizado às 8:38

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A deputada Carol Dartora (PT-PR) negou ter solicitado o reembolso de três taças de espumante e uma cerveja consumidas durante viagem a Nova York, em março, e denunciou ter recebido mais de 300 comentários racistas após a divulgação das despesas. Em vídeo publicado nas redes sociais, a parlamentar reconheceu que a Câmara ressarciu indevidamente as bebidas alcoólicas, afirmou que havia orientado sua equipe a excluir esses gastos e prometeu corrigir a prestação de contas.

"Minha dignidade, minha integridade e minha vida precisam ser respeitadas. Eu sou uma mulher na política, ficha limpa e já recebi inúmeras ameaças de morte", afirmou. Segundo ela, a fiscalização dos gastos parlamentares é legítima, mas não pode servir de justificativa para ataques discriminatórios. "Quando se trata de uma mulher que rompe o lugar social de subalternidade e se torna deputada federal, racismo e misoginia se somam para questionar até o seu direito de estar ali", declarou a deputada, primeira negra a se eleger na Câmara pelo Paraná.

O desabafo ocorreu após reportagem publicada no domingo (1º) pelo Metrópoles informar que a Câmara havia reembolsado despesas da deputada com bebidas alcoólicas durante a viagem. O ressarcimento desses produtos é proibido pelas regras da cota parlamentar.

Reembolso indevido

Segundo o Metrópoles, uma conta do The Palm Bar & Grill, que incluía três taças de espumante e uma sobremesa, foi reembolsada em R$ 453,84. Outra, do Luke's Lobster, com um sanduíche de lagosta e uma cerveja artesanal, resultou em ressarcimento de R$ 216,18. Os valores incluem alimentos e não correspondem exclusivamente às bebidas.

A deputada afirmou que esteve em Nova York entre 9 e 19 de março para participar de atividades da Comissão sobre a Situação da Mulher, na Organização das Nações Unidas (ONU), onde atuou em debates sobre direitos das mulheres, misoginia e racismo nas redes sociais.

"Houve um reembolso indevido de três taças de espumante e uma cerveja. Essas bebidas não poderiam ser reembolsadas. Eu reconheço essa falha no procedimento administrativo, mas eu não a determinei, não a pedi", disse.

Carol atribuiu o equívoco à dificuldade de interpretação das notas fiscais emitidas em inglês e afirmou que havia orientado sua equipe a excluir as bebidas. Segundo ela, a conferência feita pela Câmara também deveria ter identificado os itens proibidos.

Pelas regras da Câmara, a cota parlamentar permite o ressarcimento de despesas com alimentação vinculadas ao mandato, mas não de bebidas alcoólicas. O Ato da Mesa 43/2009 estabelece que o próprio deputado assume a responsabilidade pelas despesas apresentadas para reembolso. A conferência administrativa da Casa não afasta essa obrigação.

Lanchonete de estação de metrô

A parlamentar também rebateu críticas por ter consumido um sanduíche de lagosta, conhecido como lobster roll, durante a viagem. Segundo ela, a refeição ocorreu em uma lanchonete no subsolo da estação Grand Central, e não em um restaurante de luxo. "Eu comi um lobster roll, um pão recheado com lagosta, numa lanchonete no subsolo da Estação Central de Nova York. E a indignação é por isso", afirmou.

Carol disse que a repercussão ignorou o contexto da refeição e ajudou a criar uma imagem de ostentação. Ela reconheceu, porém, que os valores podem causar indignação diante da desigualdade social brasileira. "Sei que no Brasil desigual em que vivemos, esse dinheiro pesa para muita gente. Por isso, a explicação precisa ser completa e responsável", declarou.

"Prestar contas é meu dever"

Na parte final do vídeo, a deputada criticou o que considera tratamento desigual dispensado a mulheres negras na política. Segundo ela, a cobrança por transparência deve atingir todos os parlamentares, sem distinção. "Quando os comentários atacam minha cor e demonstram revolta por uma mulher preta consumir algo associado a conforto, isso é racismo", afirmou.

Carol defendeu a regulamentação das plataformas digitais e a responsabilização por ataques racistas e misóginos. Ela também mencionou ser autora de um projeto de lei voltado ao enfrentamento da violência digital de gênero e da discriminação racial. "Eu tenho o dever de prestar conta, sim, tenho responsabilidade ética, mas nenhuma cobrança autoriza humilhação ou exposição discriminatória a que estou sendo vítima nesse momento."

A parlamentar não informou no pronunciamento se registrou ocorrência ou acionou autoridades para investigar os ataques relatados. "Prestar contas é meu dever. Exigir dignidade e segurança é meu direito. O reembolso indevido exige correção e isso acontecerá. O racismo, a misoginia e as ameaças exigem responsabilização", concluiu.

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