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MUNDO

Senado do Paraguai aprova impeachment contra Santiago Peña

Rejeitado pedido de prazo adicional para defesa, Santiago Peña foi destituído por unanimidade após acusações de má gestão do governo.

Congresso em Foco

6/11/2026 20:51

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O Senado do Paraguai aprovou nesta sexta-feira (6), por 44 votos a zero, o impeachment do presidente Santiago Peña, acusado de mau desempenho no cargo após a crise financeira do Ueno Bank. Com a destituição, Peña se tornou o segundo presidente paraguaio retirado do poder por julgamento político desde a redemocratização do país, depois de Fernando Lugo, em 2012.

A decisão ocorreu um dia depois de Peña anunciar sua renúncia, que não havia sido aceita pelo Congresso. A destituição também impede que ele receba o título de senador vitalício, concedido pela Constituição paraguaia aos ex-presidentes, e tenha acesso às prerrogativas parlamentares correspondentes.

Peña renunciou um dia antes do julgamento por crise financeira no Ueno Bank.

Peña renunciou um dia antes do julgamento por crise financeira no Ueno Bank. Pedro Ladeira/Folhapress

Peña não compareceu ao julgamento e enviou seus advogados ao Senado. Antes da sessão, solicitou mais 72 horas para preparar a defesa, mas os parlamentares rejeitaram o pedido.

A acusação responsabilizou o presidente por falhas na fiscalização financeira, possíveis conflitos de interesses e pela concentração de recursos previdenciários no Ueno Bank, instituição da qual foi acionista indireto. Também questionou a nomeação de ex-dirigente do banco para comandar o Banco Central do Paraguai.

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Defesa de Peña

O advogado Adolfo Ferreiro contestou a legalidade do julgamento e anunciou que poderia recorrer à Suprema Corte paraguaia e a tribunais internacionais. A defesa sustentou que o impeachment não poderia prosseguir após a apresentação da renúncia.

"O julgamento político existe para defender determinados funcionários contra agravos, perseguições, assédios e impedimentos ao exercício de suas funções", declarou Ferreiro.

O advogado Ricardo Preda também contestou as acusações e argumentou que o presidente não poderia ser responsabilizado por decisões de instituições autônomas, como o Banco Central e o Instituto de Previdência Social.

Crise do Ueno Bank

O impeachment foi desencadeado pela intervenção do Banco Central no Ueno Bank, após a deterioração da situação financeira da instituição. A suspensão das operações bloqueou o acesso de milhões de clientes a suas contas e comprometeu recursos públicos depositados no banco, inclusive fundos previdenciários.

A crise desencadeou manifestações em Assunção e ampliou a pressão pela saída de Peña. Na quinta-feira, a Câmara dos Deputados aprovou a abertura do impeachment por 78 votos, enquanto parlamentares também discutiam o pedido de renúncia apresentado pelo presidente.

O julgamento prosseguiu no Senado diante da resistência de congressistas a conceder a Peña o direito de ocupar uma cadeira vitalícia na Casa. Com a destituição, a presidência passa ao então vice-presidente Pedro Alliana, que assume o mandato até 2028.

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