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Alvo de impeachment, Santiago Peña renuncia à presidência do Paraguai

Peña anunciou sua saída após perder o apoio do Partido Colorado, que aderiu ao pedido de impeachment por suspeitas ligadas ao Ueno Bank.

Congresso em Foco

5/11/2026 14:39

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O presidente do Paraguai, Santiago Peña, anunciou sua renúncia nesta quinta-feira (5), após perder o apoio do Partido Colorado e se tornar alvo de processo de impeachment. A decisão ocorreu durante crise política e financeira desencadeada pelo colapso do Ueno Bank, instituição que sofreu intervenção do Banco Central paraguaio.

Peña comunicou sua saída em pronunciamento divulgado nas redes sociais, após três anos e dois meses no cargo. "Tomei a decisão de apresentar minha renúncia à presidência da República. O faço pensando na estabilidade de nosso país, na paz social e na necessidade de preservar nossas instituições democráticas", declarou.

Veja o pronunciamento:

O ex-presidente também dirigiu pedido de desculpas à população pelo envolvimento no caso Ueno Bank. "Nunca foi minha intenção falhar com a confiança que depositaram em mim. Em cada dia, assumi esta responsabilidade com a vontade de trabalhar pelo Paraguai. Mas hoje a minha prioridade é uma só: a tranquilidade dos paraguaios que confiaram suas economias em nosso sistema financeiro".

Santiago Peña cobrou eficiência do Fundo de Garantia de Depósitos, instituição paraguaia equivalente ao Fundo Garantidor de Créditos brasileiro, no ressarcimento dos clientes prejudicados pela falência do banco. "Por trás de cada depósito há anos de esforço, sacrifício e projetos familiares. Meu maior desejo é que se garanta a devolução desses recursos", disse.

A renúncia ainda depende de aceitação do Congresso Nacional. O vice-presidente Pedro Alliana, também do Partido Colorado, deverá assumir o governo para concluir o mandato presidencial, previsto até agosto de 2028.

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Processo de impeachment

O pedido de impeachment contra Santiago Peña foi apresentado na quarta-feira (4), com a assinatura de 35 deputados da oposição. A acusação aponta conflito de interesses, favorecimento ao Ueno Bank e omissão diante de irregularidades financeiras. Os parlamentares também pediram o afastamento do vice-presidente Pedro Alliana.

O Ueno Bank possui cerca de 2,9 milhões de clientes e administrava mais de US$ 800 milhões em recursos públicos. A instituição teve suas operações suspensas após o Banco Central identificar problemas de solvência. Peña foi acionista da holding controladora do banco até março de 2025 e nomeou Carlos Carvallo, antigo dirigente do grupo financeiro, para a presidência do Banco Central.

O processo ganhou força nesta quinta-feira, quando o ex-presidente Horacio Cartes, presidente do Partido Colorado e principal aliado político de Peña, anunciou apoio ao impeachment. A decisão ampliou a pressão sobre o governo e abriu caminho para a destituição do presidente.

Pela Constituição paraguaia, a Câmara dos Deputados precisa aprovar a acusação por maioria de dois terços para encaminhá-la ao Senado. A destituição também depende de dois terços dos votos dos senadores. Peña apresentou sua renúncia antes da conclusão do julgamento.

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Setor financeiro Santiago Peña Paraguai impeachment

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