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MUNDO
Congresso em Foco
5/11/2026 16:41
A Câmara dos Deputados do Paraguai aprovou nesta quinta-feira (5), por 78 votos, a abertura de processo de impeachment contra o presidente Santiago Peña. A decisão ocorreu em sessão extraordinária, após 35 parlamentares apresentarem acusação por irregularidades no caso do Ueno Bank, instituição financeira que sofreu intervenção do Banco Central paraguaio.
Os deputados acusam Peña de conflito de interesses por sua participação acionária na Ueno Holding, controladora do banco, e pela nomeação de Carlos Carvallo, ex-presidente da Financiera Ueno, para comandar o Banco Central paraguaio. Os parlamentares também questionam alterações na legislação sobre conflitos de interesses promovidas pelo presidente.
Segundo os autores do pedido, Peña permitiu o depósito de centenas de bilhões de guaranis do Instituto de Previdência Social (IPS) no Ueno Bank, acima dos limites previstos na legislação paraguaia.
O Partido Colorado, legenda de Peña, apoiou o impeachment do presidente, mas se opôs ao afastamento do vice-presidente Pedro Alliana. Em votação separada, a Câmara rejeitou a acusação contra Alliana por 48 votos contrários e 30 favoráveis, determinando o arquivamento do pedido.
Com a aprovação, o processo contra Peña segue ao Senado, responsável pelo julgamento. A Câmara designou oito deputados para sustentar a acusação perante os senadores. Pela Constituição paraguaia, a destituição exige o apoio de dois terços do Senado.
Renúncia de Santiago Peña
Santiago Peña anunciou sua renúncia nesta quinta-feira, durante a sessão que examinava o pedido de impeachment. Em pronunciamento divulgado nas redes sociais, o presidente justificou sua saída pela necessidade de preservar a estabilidade política, a paz social e as instituições democráticas do Paraguai.
Peña também pediu desculpas à população e manifestou preocupação com os clientes prejudicados pela crise bancária. O presidente cobrou o funcionamento do Fundo de Garantia de Depósitos para assegurar o ressarcimento dos recursos e a proteção do dinheiro público.
A renúncia ainda depende de aceitação do Congresso Nacional. Com sua formalização, o vice-presidente Pedro Alliana, também do Partido Colorado, deverá assumir o governo para concluir o mandato presidencial, previsto até agosto de 2028.
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