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Congresso em Foco
21/11/2016 | Atualizado às 11:50
[fotografo]Antônio Cruz/ABr[/fotografo][/caption]Recentemente indicado líder do governo Temer no Congresso, Romero Jucá (PMDB-RR) coleciona sete processos em que é investigado por crimes como apropriação indébita, corrupção passiva, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. Nunca é demais lembrar que o mesmo senador foi recentemente flagrado em ligações telefônicas comprometedoras, nas quais defendia abertamente uma operação-abafa para "estancar a sangria" representada pela Operação Lava Jato no mundo político.
Temos então um senador multi-investigado, flagrado em tramas obscuras, mas que mantém seu poder político. Isso só é possível porque ele, como tantos outros, se protege pela prerrogativa de foro.
E como fica a sociedade diante de histórias como essa? Qual o sentimento que pode advir, senão o da impunidade e o de que as instituições protegem quem tem poder e recursos financeiros?
E, quem pode negar que a certeza da impunidade alimenta a corrupção e os desvios na administração pública? Quem pode duvidar do fato de que a impunidade destrói a credibilidade nas instituições, condição fundamental para a construção da Justiça e da democracia?
Processos que se arrastam sem decisão definitiva prejudicam a imagem dos políticos inocentes; minam a credibilidade da classe política como um todo, e arranham a imagem do Judiciário.
Os únicos beneficiados são aqueles que cometeram malfeitos, que se utilizaram dos mandatos para fazer negócios, e que se aproveitam da prerrogativa de foro para escapar das garras da lei.
Essa é uma situação que não pode perdurar. Como bem alertou o ministro Luis Roberto Barroso, o Supremo Tribunal Federal não está dotado das condições necessárias para atuar como corte penal.
Sua vocação deve ser funcionar como última instância recursal do Poder Judiciário e como corte constitucional, mantendo suas atribuições de primeira instância em matéria penal apenas para um rol extremamente reduzido de autoridades.
A Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania prepara-se para votar uma PEC que pode solucionar esses problemas e, mais importante, enviar à sociedade brasileira o sinal claro de que o Senado não tolera a impunidade.
O texto é de autoria do senador Alvaro Dias (PV-PR) e tem parecer favorável de Randolfe Rodrigues (Rede-AP). Sem prejuízo de eventuais aprimoramentos que possa receber, é importante que ele seja aprovado e que o instituto da prerrogativa de foro enfim seja revisto.
O resgate da credibilidade da classe política é fundamental para o avanço da democracia. Do contrário, abriremos espaço para aventureiros, que se declaram não políticos, mas que são capazes de trazer enormes retrocessos à nossa jovem democracia.
Mas não há como ter credibilidade com a manutenção do foro privilegiado, que dá aos detentores de mandato vantagens que não são conferidas ao cidadão comum.
Pôr fim a esse privilégio é o desejo da sociedade brasileira. Espero que o Senado faça a sua parte.
* Ângela Portela é senadora pelo PT de Roraima.
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