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Congresso em Foco
16/11/2006 8:52
Em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, o senador baiano Antonio Carlos Magalhães (PFL) criticou as alianças que estão sendo constituídas pelo presidente Lula e disse que tem poucas esperanças no êxito do governo, porque o estilo é praticamente o mesmo da primeira administração.
"Logo que venceu as eleições, ele disse que não faria uma salada de frutas, mas o pior é que está fazendo uma salada de frutas podres, ao insinuar que alguns políticos que o ajudaram na reeleição poderão participar do seu governo", afirmou ACM.
Mesmo após perder a hegemonia de 16 anos na Bahia, o pefelista assegurou que o carlismo não acabou no estado. "O carlismo não acaba porque em todas as cidades, em todos os bairros, em todas as ruas, há a marca de ACM. Eu não descuido um segundo da política, trato bem o meu eleitorado e sou querido na Bahia (...). O PFL perdeu porque não posso ganhar todas. Para resumir, quero citar uma frase do meu filho Luís Eduardo Magalhães: "Se eu pudesse, eu ganharia, mas eu tenho de perder uma, porque, se não perdesse, seria um mágico". E eu não sou mágico".
ACM avaliou que a popularidade de Lula, o marketing bem-feito e os programas sociais foram as razões para a vitória de Lula em 415 das 417 cidades da Bahia. "O marketing do Lula foi muito bem-feito, o marketing do governador Alckmin não foi bem-feito. Eu várias vezes reclamei, e eles não mudaram. Não tenho como negar que a vitória do Lula foi consagradora. O que ele precisa ter, agora, é dignidade e ética no exercício do cargo".
Questionado pelo repórter Luiz Francisco se o PFL deve manter uma aliança incondicional com o PSDB durante o segundo mandato do presidente Lula, ACM afirmou: "aliança, sim; incondicionalmente, não".
"Nesta primeira fase, a união é muito importante para enfrentarmos com mais garra o governo Lula. Entretanto, vejo algumas coisas estranhas, como a possibilidade de o PSDB baiano participar do governo [Jaques] Wagner. Se isso realmente acontecer, é porque o PSDB acabou".
Leia a entrevista:
Como o senhor acha que será o segundo mandato do presidente?
Tenho poucas esperanças no êxito do governo do presidente Lula porque seu estilo é praticamente o mesmo da primeira administração. Logo que venceu as eleições, ele disse que não faria uma salada de frutas, mas o pior é que está fazendo uma salada de frutas podres, ao insinuar que alguns políticos que o ajudaram na reeleição poderão participar do seu governo.
Quem compõe a salada?
Se você vir a agenda do Palácio do Planalto, as pessoas que são recebidas pelo presidente -[com] algumas das quais ele não tem coragem de aparecer nas fotografias, como forma de se livrar do peso que elas trazem-, você perceberá que essas pessoas não podem fazer uma boa moldura do seu governo. Então, se o Lula fizer um bom governo, será surpresa, como foi surpresa a nossa derrota na Bahia.
Lula não chega mais forte ao Palácio do Planalto por ter vencido Alckmin por uma diferença tão grande de votos?
Claro que chega, porque o voto legitima até as ações ilegítimas e os crimes praticados. Então, não existe nenhum clima para pedir o impeachment do presidente, como querem alguns políticos mais radicais. O problema do governo Lula é com a Justiça, cabe à Justiça julgar os métodos passados, presentes e futuros do governo.
O presidente já deu a entender que quer mudar seu estilo e dar menos oportunidades aos derrotados nas últimas eleições. O senhor acha que esse é o caminho correto?
Esse fato é positivo porque, de um modo geral, os derrotados sempre têm um complexo. O primeiro mandato do presidente foi marcado por derrotados, infelizes com a vida e com o eleitorado, e deu no que deu: denúncias e mais denúncias de corrupção.
A que o senhor atribuiu o fato de, na Bahia, Lula ter vencido Alckmin em 415 das 417 cidades?
O presidente Lula sempre foi muito popular na Bahia. Quem acompanha de perto a política baiana sabe que nós já votamos com ele [no segundo turno das eleições de 2002]. Então, com a intensificação dos programas sociais e esse traço de união entre o meu eleitorado e o dele, Lula se consolidou no estado. Além disso, o marketing do Lula foi muito bem-feito, o marketing do governador Alckmin não foi bem-feito. Eu várias vezes reclamei, e eles não mudaram. Não tenho como negar que a vitória do Lula foi consagradora. O que ele precisa ter, agora, é dignidade e ética no exercício do cargo. Não agindo com dignidade, não formando uma boa equipe, não tendo cuidado com a ética, como não teve no primeiro mandato, Lula vai fracassar.
O senhor acha que o PFL deve manter uma aliança incondicional com o PSDB durante o segundo mandato do presidente Lula?
Aliança, sim; incondicionalmente, não. Nesta primeira fase, a união é muito importante para enfrentarmos com mais garra o governo Lula. Entretanto, vejo algumas coisas estranhas, como a possibilidade de o PSDB baiano participar do governo [Jaques] Wagner. Se isso realmente acontecer, é porque o PSDB acabou.
Qual a expectativa que o senhor tem da economia brasileira até o final do segundo mandato do presidente Lula?
Eu não sou economista, mas leio muito e ouço especialistas. E, pelo que ouço, é possível que tenhamos alguns embaraços. O PIB deste ano, que deverá crescer apenas 2,5%, quando o governo prometeu 5%, revela que alguma coisa está errada, que o país está mal. Mas aí vem o presidente Lula e solta números à vontade. Nestes números, que não são contestados pela oposição por incompetência, como aconteceu na campanha do governador Alckmin, o país está uma maravilha. Mas isso não é a realidade. A situação está boa para os banqueiros, para quem ganha mais. Quem tem menos está vivendo do Bolsa Família. E o presidente Lula diz que, com o Bolsa Família, as pessoas tomam café da manhã, almoçam e jantam. Se isso for verdade, o café da manhã, o almoço e o jantar são muito ruins.
O senhor começa 2007 vivendo uma situação inédita. Pela primeira vez, fará oposição em três esferas [Prefeitura de Salvador, governo estadual e Presidência da República]. Como será o seu comportamento?
De forma tranqüila, porque não tenho a responsabilidade de ser governo. Quem é governo, muitas vezes, não pode dizer tudo o que deve e pensa. E agora estou livre para dizer o que devo e penso.
O senhor foi derrotado na última eleição. O senhor está infeliz com a vida e com o eleitorado? Não, porque tive na minha vida pública uma série de vitórias que me dá um crédito muito grande para perder uma ou outra eleição, mesmo que eu não tenha sido candidato, porque acho que o governador Paulo Souto [derrotado pelo petista Jaques Wagner] é sério, competente e merecia vencer a eleição. Não tenho como negar a minha derrota, como também não tenho como negar que o presidente Lula foi o grande vencedor no estado.
Por que o PFL perdeu uma hegemonia de 16 anos na Bahia? Cansaço do eleitorado ou o fim da era ACM?
O carlismo não acaba porque em todas as cidades, em todos os bairros, em todas as ruas, há a marca de ACM. Eu não descuido um segundo da política, trato bem o meu eleitorado e sou querido na Bahia. Se a Folha fizer hoje uma pesquisa, após a derrota do nosso grupo, o jornal vai constatar que estarei nos primeiros lugares de popularidade. O PFL perdeu porque não posso ganhar todas. Para resumir, quero citar uma frase do meu filho Luís Eduardo Magalhães: "Se eu pudesse, eu ganharia, mas eu tenho de perder uma, porque, se não perdesse, seria um mágico". E eu não sou mágico.
A família Sarney perdeu a eleição no Maranhão, o grupo político do senhor foi derrotado na Bahia. As chamadas oligarquias políticas estão mesmo com os dias contados?
Oligarquia é uma classificação que os jornalistas dão a determinados políticos. Ora, eu seria um oligarca se houvesse um histórico em minha família, pessoas que fizeram carreira no sertão. Sou filho de um professor da Faculdade de Medicina da UFBa [Universidade Federal da Bahia], que teve apenas um mandato federal e, mesmo assim, não era um político de votos, era um intelectual. De uma vez por todas, não sou um oligarca. Fui deputado estadual, prefeito de Salvador, três vezes deputado federal, duas vezes senador, três vezes governador, ministro. Ou seja, ocupei os mais importantes postos da política. E sabe quem estava atrás de mim nisso tudo? Eu mesmo e o eleitorado baiano. Não quero ser conselheiro, como os oligarcas. Quero estar na ativa e disputar mais eleições.
A partir de 2007, o PFL somente governará o Distrito Federal. O seu partido foi o grande derrotado nas últimas eleições?
Não, o PFL fez a maior bancada no Senado, apesar da redução na Câmara. Temos um grande número de prefeitos e vereadores. Em 1986, também tínhamos um governador [João Alves, de Sergipe] e recuperamos o poder político. Quem está na vida pública sabe que vitórias e derrotas são cíclicas.
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