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Lula nega crise com Congresso, mas critica emendas impositivas

Declaração ocorre em meio a tensão com Senado pela indicação ao STF e a embates na Câmara envolvendo o PL Antifacção.

4/12/2025
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva negou nesta quinta-feira (4) que o governo enfrente dificuldades na relação com o Congresso Nacional. A declaração ocorreu durante a 6ª plenária do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social Sustentável (CDESS), o Conselhão, realizada no Palácio do Itamaraty, em Brasília.

"Vocês acham que nós, do governo, temos problema com o Congresso Nacional? A gente não tem", afirmou Lula.

Apesar da tentativa de minimizar o cenário, o presidente voltou a criticar as emendas impositivas e classificou como um "erro histórico" o fato de o Congresso controlar parte expressiva do orçamento federal.

Presidente Lula negou haver crise com o Congresso, apesar das recentes críticas dos parlamentares.Ricardo Stuckert/PR

"Eu, sinceramente, não concordo com as emendas impositivas. Acho que o fato de o Congresso Nacional sequestrar 50% do orçamento da União é um grave erro histórico. Mas isso só vai acabar quando você mudar as pessoas que governam e as pessoas que aprovaram isso", declarou.

Relação estremecida

Nas últimas semanas, episódios no Senado e na Câmara expuseram atritos entre o Legislativo e o Executivo.

A indicação de Jorge Messias para o STF, anunciada na segunda quinzena de novembro, desencadeou uma crise com o Senado. Senadores preferiam o nome do ex-presidente da Casa Rodrigo Pacheco (PSD-MG), e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), criticou publicamente o governo por demorar a enviar ao Congresso a formalização da indicação — requisito para iniciar a tramitação.

Para Alcolumbre, o atraso soou como uma tentativa de ganhar tempo para Messias buscar apoio entre os parlamentares, o que acabou levando ao adiamento da sabatina, antes prevista para 10 de dezembro.

Em nota divulgada no último domingo (30), Alcolumbre acusou o Executivo de acreditar que a aprovação seria resolvida "na base da troca de cargos e da liberação de emendas", e afirmou que "nenhum Poder está acima do outro".

Na Câmara, o principal foco de tensão envolveu o PL Antifacção, relatado por Guilherme Derrite (PP-SP), um desafeto do PT. A votação do texto provocou embates diretos entre o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o líder do PT, Lindbergh Farias (RJ). Lindbergh acusou Motta de distorcer o conteúdo da proposta e de promover uma "lambança" na condução da sessão.

A reação de Motta foi imediata: ele anunciou rompimento público com o líder petista e afirmou haver quebra de confiança na relação com o governo. Motta também considera que setores do PT fomentam uma campanha difamatória contra ele nas redes sociais.

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