A Polícia Federal deflagrou nesta sexta-feira (12) a Operação Transparência para apurar suspeitas de irregularidades na destinação de verbas públicas provenientes de emendas parlamentares.
Uma das pessoas investigadas é Mariângela Fialek, que assessorou o deputado Arthur Lira (PP-AL) quando ele era presidente da Câmara. Ela é alvo de medidas autorizadas no âmbito da operação.
A ação foi autorizada pelo ministro Flávio Dino, do STF. Estão sendo cumpridos dois mandados de busca e apreensão em Brasília, com foco na coleta de documentos e dispositivos que possam esclarecer o suposto esquema. Mariângela cuidava da parte de emendas durante a presidência de Lira e está lotada atualmente na liderança do PP na Câmara.
Segundo a decisão de Dino, a investigação foi alimentada por depoimentos de parlamentares de diferentes partidos: Glauber Braga (Psol-RJ), José Rocha (União-BA), Adriana Ventura (Novo-SP), Marangoni (União-SP), Dr. Francisco (PT-PI), e do senhador Cleitinho (Republicanos-MG). Todos relataram um suposto processo de controle centralizado e opaco sobre a destinação de recursos, que teria continuado mesmo após a saída de Lira da Presidência da Câmara.
Indícios apontados pela PF e acolhidos pelo STF
A decisão detalha uma série de elementos que colocam Mariângela no papel de operadora direta das emendas, atuando segundo ordens atribuídas ao ex-presidente da Câmara:
- Controle de emendas de todas as comissões da Casa: deputados relataram que todas as planilhas e minutas chegavam "pela Tuca", mesmo quando contrariavam a deliberação das comissões.
- Pressão sobre presidentes de comissões: José Rocha afirmou ter recebido planilhas sem identificação de autores das emendas e uma orientação para priorizar repasses ao Estado de Alagoas, terra de Lira. Após resistir, relatou ter sido pressionado pelo ex-presidente da Câmara.
- Possível "direcionamento forçado" de verbas: Glauber Braga disse que emendas para o município de Rio Largo (AL) foram incluídas na Comissão de Turismo, que não tinha nenhum parlamentar alagoano, indicando interferência externa. A cidade, de cerca de 70 mil habitantes, teria recebido R$ 90 milhões entre 2019 e 2022.
- Remanejamento informal de recursos: dados telemáticos mostram anotações e planilhas atribuídas a Mariângela com alterações manuais de destino de emendas, descritas pelo ministro como funcionamento em "conta de padaria".
- Atuação na CODEVASF: Dino destacou que parte das verbas envolvidas tinha como destino a estatal, onde Mariângela ocupava cargo de conselheira fiscal, o que agravaria suspeitas de conflito de interesses.
Segundo a PF, os elementos reforçam a hipótese de que havia uma estrutura organizada para distribuir emendas de forma irregular, favorecendo aliados políticos e redutos eleitorais ligados ao então presidente da Câmara.
O deputado e a assessora ainda não se manifestaram. O espaço permanece aberto para manifestação.
Durante sua gestão de quatro anos à frente da Câmara, o congressista alagoano acumulou poder sobre emendas parlamentares.