O ministro do STF Dias Toffoli derrubou o sigilo dos depoimentos e da acareação realizados no inquérito que apura suspeitas de irregularidades envolvendo o Banco Master. Um dos trechos que vieram a público mostra o advogado de defesa de Daniel Vorcaro, Roberto Podval, afirmando que não forneceria à Polícia Federal a senha do celular do banqueiro por temer vazamentos.
O aparelho, do dono do Banco Master, foi apreendido durante a Operação Compliance Zero, e o acesso ao conteúdo foi solicitado pela PF durante uma acareação realizada em 30 de dezembro de 2025.
Segundo Podval, a defesa se recusou porque já vinha questionando a exposição de informações sigilosas relacionadas ao inquérito. Podval afirmou que foi abordado pela responsável pela condução do procedimento e recebeu a solicitação para abrir o sigilo do aparelho.
"A senhora me pediu se eu poderia abrir o sigilo do celular do Vorcaro eu disse que não abriria, porque nós tínhamos receio, inclusive, dos vazamentos."
Podval afirmou que informações relacionadas à audiência teriam sido divulgadas em pouco tempo, apesar do caráter sigiloso do depoimento.
"O sigilo era absoluto, não deu 20 minutos, as questões estavam todas ali colocadas."
Ele também ressaltou que a defesa já havia solicitado a abertura de um inquérito para investigar o vazamento de informações. "Nós já, inclusive, já havíamos pedido a instauração de um inquérito para averiguar os vazamentos", afirmou, acrescentando que a situação deveria ser registrada formalmente.
"Então, nós vamos relatar ao ministro o ocorrido, deixo aqui consignado, mas esse caso aconteceu 20 minutos depois da audiência acabar."
Ao justificar a recusa em liberar o acesso ao aparelho, o advogado ainda citou a possibilidade de haver dados pessoais no celular e afirmou que Vorcaro nem sequer teria levado o dispositivo ao local do procedimento.
"Vorcaro nem celular trouxe, que não era para ter risco de nada."