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CPMI do INSS: relator pede quebra de sigilos de filho de Lula

Pedido de Alfredo Gaspar inclui quebra de sigilos bancário e fiscal de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, no âmbito da investigação do INSS.

3/2/2026
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O relator da CPMI do INSS, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), protocolou requerimento pedindo a quebra dos sigilos bancário e fiscal de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula. A medida integra a retomada dos trabalhos da comissão em 2026 e deve ser levada à votação na próxima quinta-feira (5).

No pedido, Gaspar solicita o acesso a relatórios de inteligência financeira (RIFs) do Coaf e a movimentações bancárias e fiscais de Lulinha no período de 1º de janeiro de 2022 a 31 de janeiro de 2026, alegando a existência de indícios levantados pela Polícia Federal no âmbito da investigação sobre fraudes bilionárias no INSS.

Leia a íntegra do pedido feito pelo relator.

Base governista barrou, no ano passado, a convocação de Fábio Luís Lula da Silva na CPMI do INSSArquivo/Greg Salibian/Folhapress

Segundo o relator, a necessidade da medida decorre de mensagens interceptadas pela PF em que o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, ao ser questionado sobre o destino de um pagamento de R$ 300 mil, afirma que o valor seria destinado a "o filho do rapaz". De acordo com Gaspar, a Polícia Federal interpreta a referência como sendo dirigida a Lulinha, com a empresária Roberta Luchsinger atuando como intermediária financeira.

O requerimento sustenta ainda que há indícios de tentativa de obstrução de Justiça, citando mensagens em que Roberta orienta Camilo a destruir provas após fases da operação policial, além de demonstrar preocupação com a apreensão de um envelope que conteria o nome de "nosso amigo".

Suspeita de atuação como "sócio oculto"

Na justificativa apresentada à CPMI, Alfredo Gaspar afirma que, sob a ótica investigativa, há suspeita de que Lulinha teria atuado como "sócio oculto" de Antônio Camilo em empreendimentos de cannabis medicinal, supostamente financiados com recursos desviados do INSS. O texto cita como elementos de reforço viagens realizadas em conjunto, inclusive em voo internacional na classe executiva, além da hipótese de pagamento de despesas pessoais e de uma "mesada" atribuída ao lobista.

O relator argumenta que o rastreamento das movimentações financeiras é essencial para estabelecer eventual nexo entre os desvios investigados e o possível benefício a agentes políticos ou familiares, destacando que a CPMI se encontra na fase de "follow the money" das apurações.

Governo atua para barrar requerimentos

Integrantes da comissão afirmam que o governo está mobilizado para barrar requerimentos que envolvam Lulinha, incluindo pedidos de convocação já apresentados anteriormente e rejeitados. No ano passado, a base governista rejeitou requerimento que convocava o filho do presidente. O governo conta com maioria na CPMI, apoiada sobretudo por partidos do Centrão, o que tem dificultado o avanço de iniciativas que possam atingir diretamente o Palácio do Planalto.

Segundo relatos de parlamentares da oposição, o governo dispõe de cerca de 18 votos, contra 12 da oposição, em deliberações desse tipo.

Nova fase da CPMI

Gaspar afirma que, em 2026, a CPMI do INSS entra em uma nova etapa, com foco também nos empréstimos consignados, além dos descontos associativos já investigados. A comissão deve ouvir nesta quinta-feira o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, Maurício Camisotti, preso na Operação Sem Desconto, e o presidente do INSS, Gilberto Waller Júnior.

Do lado governista, parlamentares do PT articulam requerimentos que miram o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e pessoas de seu entorno, reforçando o ambiente de confronto político na retomada dos trabalhos da comissão.

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