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Psol pede inquérito policial contra Flávio por reunião com Trump

Deputados da federação Psol Rede acusam Flávio Bolsonaro de violação da soberania nacional ao pedir mudança da classificação de facções aos EUA.

30/5/2026
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Parlamentares da federação Psol-Rede apresentaram à Procuradoria-Geral da República (PGR) uma representação contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), a quem acusam de violação da soberania nacional. A bancada solicita a abertura de um inquérito para investigar a conduta do pré-candidato do PL à Presidência da República durante sua viagem aos Estados Unidos.

A peça foi encaminhada em resposta à decisão do governo do norte-americano de classificar as facções Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como grupos terroristas, e não mais como organizações criminosas. O anúncio foi feito pelo Departamento de Estado na quinta-feira (28), dois dias após a visita de Flávio à Casa Branca.

Na ocasião, o senador informou à imprensa que solicitou pessoalmente a Donald Trump a reclassificação das facções. Os autores da representação afirmam que o congressista teria usurpado a competência diplomática da União, resultando assim em um ato administrativo de país estrangeiro sobre o Brasil, incorrendo em violação à soberania nacional.

Flávio se reuniu com Trump e com Marco Rubio na última terça-feira. Jefferson Rudy/Agência Senado

Os congressistas do Psol também ressaltam que a mudança de abordagem sobre o CV e PCC pode refletir em efeitos práticos sobre o Brasil. "Além de possibilitar a imposição de sanções econômicas a instituições financeiras brasileiras, a classificação (...) abre, sob o direito interno norte-americano, a possibilidade jurídica de intervenção militar dos Estados Unidos em áreas de atuação dessas organizações, à revelia do governo brasileiro", apontam.

Nesse sentido, sustentam que "não há margem para qualificação benigna" da conduta de Flávio. "O representado utilizou o seu mandato de Senador da República para, em solo estrangeiro, convidar um governo estrangeiro a intervir nos assuntos internos do Brasil, com impacto direto sobre a soberania nacional, o sistema financeiro, o processo eleitoral e a integridade territorial do país".

Histórico familiar

Os autores relembraram que, em 2025, o governo americano impôs sanções a autoridades brasileiras e tarifas de importação ao Brasil em meio a articulações do ex-senador Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio, nos Estados Unidos. O caso agora é alvo de ação penal no STF.

Segundo os signatários, o novo episódio revela um "padrão sistemático e reiterado de apelo à potência estrangeira para interferência nos assuntos internos do Brasil, com finalidade política e eleitoral confessa".

Confira a representação.

Oposição reage

Em nota, o senador Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição no Senado e coordenador da pré-campanha presidencial de Flávio, se pronunciou em defesa do colega. "É inaceitável que, enquanto o Brasil sofre sob o domínio de facções criminosas, parlamentares se mobilizem para criminalizar o esforço de buscar cooperação internacional contra o terrorismo", disse.

Segundo o parlamentar, "a soberania nacional serve para garantir a segurança do cidadão de bem, e não para servir de escudo a quem aterroriza o povo". Nesse sentido, o grupo teria agido para "buscar apoio de nações amigas para asfixiar as finanças das facções e unir forças para proteger a população do terror e da violência".

Veja a íntegra da nota:

"NOTA À IMPRENSA

A representação do PSOL e da Rede contra o senador Flávio Bolsonaro é mais uma demonstração de que a esquerda brasileira tenta utilizar o Judiciário como extensão de seu projeto político. É inaceitável que, enquanto o Brasil sofre sob o domínio de facções criminosas, parlamentares se mobilizem para criminalizar o esforço de buscar cooperação internacional contra o terrorismo.

O mesmo campo político que hoje clama por "soberania" foi o que, durante anos, viajou o mundo denunciando o próprio país e buscando interferência estrangeira por razões ideológicas. Se o crime que nos acusam é o de buscar apoio de nações amigas para asfixiar as finanças das facções e unir forças para proteger a população do terror e da violência, assumimos essa culpa com convicção.

Enquanto a esquerda protege quem mantém relações de intimidade com o crime, nós continuaremos focados em desarticular as organizações que hoje dominam territórios e fazem reféns milhões de brasileiros. A soberania nacional serve para garantir a segurança do cidadão de bem, e não para servir de escudo a quem aterroriza o povo.

Senador Rogério Marinho

Coordenador-Geral da Pré-Campanha"

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