Em novo vazamento publicado nesta terça-feira (9), o portal Intercept Brasil divulgou documentos trocados entre o proprietário do Banco Master, Daniel Vorcaro, e seus interlocutores diretos. O material detalha planos de pagamento e repasses realizados para a produção do filme Dark Horse, que retrata a campanha presidencial de Jair Bolsonaro em 2018.
Os documentos também revelam a participação de um dos fundos de investimento ligados ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro como destinatário de um dos repasses. O valor e a data da transferência coincidem com o cronograma registrado na documentação.
Material vazado
O plano de financiamento de Dark Horse foi registrado em uma planilha intitulada "Funding Schedule". O documento, compartilhado entre operadores do Banco Master, prevê pagamentos de US$ 23,9 milhões entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026. A planilha também registra repasses já realizados, que somam US$ 10,6 milhões entre fevereiro e maio de 2025.
Também foram divulgadas mensagens de agosto de 2025 entre o empresário Thiago Miranda, apontado como intermediário da família Bolsonaro, e Daniel Vorcaro. Nas conversas, Miranda menciona a planilha e informa que havia duas parcelas em atraso e uma terceira prestes a vencer. Vorcaro responde: "Segunda fazemos duas".
Na sequência, o controlador do Banco Master cobra de seu cunhado e assistente, Fabiano Zettel, uma solução para as parcelas pendentes. Zettel responde que iria "para cima do mineiro", apelido atribuído a Antônio Carlos Freixo Júnior, executivo ligado à Entre Investimentos e Participações.
A reportagem também divulgou um comprovante de transferência internacional de US$ 2 milhões realizada em 13 de fevereiro de 2025 para o Havengate Development Fund LP, fundo controlado por Paulo Calixto, advogado de Eduardo Bolsonaro. A Entre Investimentos e Participações aparece como remetente da operação.
O Grupo Entre se manifestou sobre o caso e afirmou que "realiza suas operações em conformidade com as normas e regulamentações aplicáveis ao setor financeiro". A empresa declarou ainda estar à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos sobre os repasses.
Confira a planilha:
Vazamentos de Dark Horse
A família Bolsonaro enfrenta uma crise de imagem desde o início de maio, quando começaram os primeiros vazamentos envolvendo a participação de Daniel Vorcaro no custeio da obra cinematográfica, gravada nos Estados Unidos. O primeiro deles foi um áudio enviado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao banqueiro em novembro de 2025, também cobrando recursos para o filme.
O congressista se defendeu afirmando que se tratava de um patrocínio privado a uma produção privada, em um período em que ainda não existiam suspeitas sobre a fraude no Banco Master.
Dias depois, o Intercept divulgou novas mensagens e documentos que apontam que Eduardo Bolsonaro, radicado nos Estados Unidos desde fevereiro de 2025, estaria entre os responsáveis pela gestão financeira da produção. Segundo a reportagem, ele também teria orientado Vorcaro sobre formas de encaminhar recursos aos Estados Unidos sem chamar a atenção dos serviços alfandegários.
Os vazamentos também indicam que as transferências teriam sido realizadas por meio de fundos de investimento ligados a aliados de Eduardo Bolsonaro. O ex-deputado nega ter recebido os valores. A Polícia Federal investiga se o patrocínio ao filme teria sido utilizado para custear sua permanência nos Estados Unidos, onde articulou junto ao governo local a imposição de sanções contra autoridades brasileiras.
Desde o início dos vazamentos, o desempenho de Flávio Bolsonaro nas pesquisas eleitorais tem apresentado queda. A mais recente, realizada pelo instituto Real Time Big Data, apontou derrota em segundo turno para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em uma eventual disputa pelo Planalto. O pré-candidato do PT aparece com 45% das intenções de voto, ante 40% do nome do PL. Até então, os dois estavam em empate técnico, com Flávio Bolsonaro numericamente à frente.