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Líder do PL cobra Fachin por investigação de Moraes no caso Master

Sóstenes pede investigação "séria e imparcial" sobre Moraes e cobra de Lula o afastamento do diretor-geral da PF.

2/9/2026
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O líder do PL na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), se pronunciou nesta quarta-feira (2) a respeito do relatório da Polícia Federal contendo as mensagens trocadas pelo controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, com o ministro Alexandre de Moraes, do STF, e com o procurador-geral da República, Paulo Gonet.

O congressista cobrou em nome da bancada a iniciativa do presidente do STF, Edson Fachin, para que seja autorizada tempestivamente a abertura de inquérito contra Alexandre de Moraes, e que "não jogue este problema para debaixo do tapete". Seu partido é signatário de múltiplos pedidos de impeachment contra o ministro citado.

Segundo Sóstenes, a crise envolvendo as conversas de Moraes e Vorcaro requer uma "investigação séria e imparcial", e uma inação por parte da chefia da Suprema Corte "pode contaminar um poder importante da República, que é o Poder Judiciário".

Veja a fala:

Demanda ao Planalto

Além de cobrar a investigação a Alexandre de Moraes, o líder do PL demandou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva que retire do cargo o diretor-geral da PF, Andrei Passos. O delegado não chegou a aparecer entre os contatos de Daniel Vorcaro, mas foi citado em mensagens do banqueiro a terceiros.

"É responsabilidade do presidente da República a nomeação do superintendente da Polícia Federal. Por que ele ainda não afastou o Andrei para que ele possa ser investigado afastado do cargo? É porque a amizade é estreita e a confiança do presidente Lula no Andrei, no Alexandre de Moraes, no [Paulo] Gonet, elas são altamente comprometedoras", declarou.

O deputado alega que se o chefe de governo "quiser só se descolar [de Moraes] e não tomar medida nenhuma, ele também é conivente junto". Por outro lado, "Se ele afastar, em especial o superintendente, (...) para que a investigação corra naturalmente; ele estará, sim, querendo uma investigação séria e segura".

Achados da PF

O relatório da Polícia Federal cita registros de supostos contatos e encontros de Vorcaro com Moraes desde 2023 e mensagens enviadas a um número atribuído ao ministro. Em uma delas, o banqueiro demonstra preocupação com uma possível ação contra ele e menciona a necessidade de procurar o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet.

A corporação também cita o contrato do Banco Master com o escritório de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, que previa pagamentos de R$ 3 milhões mensais, além de tratativas sobre eventos com Moraes em Londres. Segundo a PF, os metadados de um documento do contrato indicavam um usuário chamado "Ministro Alexandre de Moraes" como responsável pela última alteração.

O próprio Paulo Gonet é citado nas conversas. O histórico de mensagens revela que ele e Vorcaro chegaram a conversar por telefone e que o procurador teria solicitado ao banqueiro o custeio da passagem e da hospedagem de seu filho para um evento jurídico patrocinado pelo Master em Londres, onde o coordenador da PGR proferiu palestra.

A PF ressalva, porém, que não realizou diligências investigativas contra magistrados ou integrantes do Ministério Público e não concluiu que Moraes tenha cometido crime, interferido em apurações ou atendido a pedidos de Vorcaro.

Por enquanto, Moraes não foi formalmente incluído como investigado no inquérito. Na noite de terça-feira (1º), Paulo Gonet solicitou a nulidade do relatório da PF. Segundo a PGR, André Mendonça extrapolou sua competência ao autorizar a investigação sobre um colega da Suprema Corte sem aprovação prévia do Plenário.

Manifestação de Fachin

Em nota publicada desta quarta e reiterada na sessão plenária do STF, Edson Fachin comentou o caso sem citar nomes. O presidente afirmou que o momento é de "especial gravidade" e exige a preservação da integridade do Supremo, da autoridade de suas decisões e da confiança da sociedade na instituição.

O ministro esclareceu que a presidência do Supremo ainda está analisando os fatos e ressaltou que pretende agir sem precipitação. "Nos próximos dias, concluída a análise necessária dos fatos e observados os procedimentos institucionais pertinentes, esta Presidência anunciará, no tempo devido e sem precipitação, as medidas cabíveis e necessárias", assegurou.

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