Notícias

Oposição celebra e esquerda critica afastamento de Andrei da PF

Carlos Viana pede prisão preventiva; parlamentares de esquerda questionam Mendonça.

8/9/2026
Publicidade
Expandir publicidade

O afastamento preventivo do diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, por determinação do ministro André Mendonça, do STF, provocou reações opostas entre parlamentares nesta terça-feira (8).

Integrantes da oposição apoiaram a medida e defenderam o aprofundamento das investigações, enquanto deputados de esquerda acusaram o magistrado de interferência política na corporação às vésperas das eleições.

Mendonça afastou Andrei e o diretor de Inteligência Policial da PF, Leandro Almada da Costa, após afirmar ter identificado um "monitoramento sistemático e ilegal" realizado pela inteligência da corporação contra ele e o advogado-geral da União, Jorge Messias.

A decisão também determinou a abertura de apurações sobre a produção dos relatórios.

Afastamento provoca cobranças por investigação e acusações de interferência no órgão.Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

Oposição apoia afastamento

O senador Rogério Marinho (PL-RN) defendeu que Andrei permaneça fora do comando da PF. Segundo ele, as suspeitas existentes comprometem a atuação do diretor-geral e podem contaminar as investigações conduzidas pela corporação.

"Andrei Rodrigues precisa permanecer afastado", afirmou. Marinho acusou o diretor-geral de manter proximidade excessiva com o Palácio do Planalto e disse que a PF não pode ser transformada em "instrumento de aparelhamento e blindagem do governo".

O senador Carlos Viana (PSD-MG) foi além e anunciou ter protocolado uma representação pedindo a prisão preventiva de Andrei. Segundo ele, é necessário descobrir quem teria ordenado o monitoramento, quem executou a medida e qual destino foi dado aos relatórios.

"Se a estrutura de inteligência da Polícia Federal foi usada ilegalmente, afastamento não encerra o caso. É preciso chegar aos responsáveis", afirmou.

Senador anunciou pedido de prisão preventiva de Andrei Rodrigues após o afastamento.Reprodução / X

O deputado Alfredo Gaspar (PL-AL) classificou o episódio como "gravíssimo" e afirmou que as suspeitas de uso indevido da estrutura da PF precisam ser esclarecidas.

O senador Sergio Moro (PL-PR) também apoiou Mendonça. "O Diretor Andrei Rodrigues não tem condições de permanecer no comando da Polícia Federal", escreveu.

Para o ex-juiz, diante da ausência de uma iniciativa do presidente Lula, caberia às demais instituições agir.

enador manifestou apoio a André Mendonça e disse que Andrei não tem condições de permanecer no cargo.Reprodução / X

Já o deputado Marcel van Hattem (Novo-RS) comemorou a decisão e destacou que o afastamento havia sido solicitado pelo Novo ao Supremo. "Pedimos e André Mendonça determinou", escreveu. O pedido do partido também incluía a prisão preventiva de Andrei, medida que não foi acolhida por Mendonça.

Deputado comemorou o afastamento e destacou que o Novo havia pedido a medida ao STF.Reprodução / X

Nikolas Ferreira (PL-MG) também reagiu à decisão. O deputado publicou um vídedo com a legenda: "Bom dia!!! Que todos os tiranos caiam".

Esquerda acusa Mendonça de interferência política

Parlamentares de esquerda reagiram ao afastamento acusando André Mendonça de interferência política na Polícia Federal e relacionando a medida à disputa eleitoral.

O deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) classificou a decisão como "irresponsável" e acusou o ministro de tentar interferir nas eleições para beneficiar Flávio Bolsonaro.

O petista contrapôs o afastamento de Andrei ao andamento da investigação sobre o financiamento do filme "Dark Horse", ligado à família Bolsonaro.

"Mendonça quer interferir na eleição para proteger Flávio Bolsonaro", afirmou.

Glauber Braga (PSOL-RJ) também atacou a atuação do ministro e cobrou uma reação dos demais integrantes do Supremo. "E quem é que vai determinar o afastamento de André Mendonça?", questionou. O deputado acusou Mendonça de promover uma "blindagem" de Flávio Bolsonaro e Nikolas Ferreira.

André Janones (Rede-MG) também se manifestou contra a medida e se somou às críticas à condução de Mendonça no caso Master. O deputado já integrava o grupo de parlamentares que vinha defendendo a suspeição do ministro na relatoria das investigações.

Rogério Correia (PT-MG) afirmou que o afastamento seria uma tentativa de "livrar o bolsonarismo". O deputado relacionou a decisão às apurações sobre o Banco Master e questionou o momento em que a medida foi tomada.

Chico Alencar (PSOL-RJ), por sua vez, destacou a proximidade das eleições e acusou Mendonça de parcialidade. "Faltam 26 dias para as eleições e o juiz do STF continua sendo terrivelmente parcial com Flavio Bolsonaro. Até quando?", escreveu.

As críticas à atuação do ministro já vinham crescendo antes do afastamento de Andrei.

Na semana passada, deputados de PT, PSOL, PCdoB e Rede recorreram ao presidente do STF, Edson Fachin, para questionar a permanência de Mendonça à frente do caso Master.

Entre os parlamentares envolvidos estavam Pedro Uczai (PT-SC), Lindbergh, Janones e Rogério Correia. Uczai, líder do PT na Câmara, havia defendido "transparência e isonomia" na condução das investigações.

Segunda Turma forma maioria

A Segunda Turma do STF formou maioria nesta terça para manter o afastamento determinado por Mendonça. Luiz Fux e Nunes Marques acompanharam o relator, garantindo três votos pela manutenção da medida.

O julgamento, no entanto, foi suspenso após pedido de vista de Gilmar Mendes. Enquanto a análise não é concluída, o afastamento de Andrei e de Leandro Almada continua válido.

A Advocacia-Geral da União prepara recurso contra a decisão. O governo deve sustentar que o afastamento do diretor-geral da PF pelo Supremo invade competência do presidente da República, responsável pela nomeação e exoneração do chefe da corporação.

Veja mais no portal
cadastre-se, comente, saiba mais

Notícias Mais Lidas

Artigos Mais Lidos