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WhatsApp sugere "Tropa do Flávio" ao pesquisar por "Exército do Lula"

Pesquisa pelo canal suspenso também exibe páginas ligadas a Lula e ao PT, mas o inverso não ocorreu nas buscas registradas pelo Congresso em Foco.

14/10/2026
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Quem procura o canal "Exército do Lula" no WhatsApp pode encontrar uma sugestão inesperada: a "Tropa do Flávio", página voltada a apoiadores do candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL). O resultado aparece elencado junto com canais relacionados ao presidente Lula (PT) e ao Partido dos Trabalhadores.

A situação foi registrada em uma captura de tela confirmada pelo Congresso em Foco e ocorre em meio à disputa judicial que levou à suspensão temporária do "Exército do Lula", administrado pelo deputado federal reeleito André Janones (Rede-MG).

A diferença chama atenção não apenas pelo contexto da disputa judicial, mas também pelo funcionamento dos algoritmos de recomendação em pleno segundo turno presidencial. A questão ganha relevância porque esses mecanismos influenciam a descoberta de canais e podem ampliar a visibilidade de determinados conteúdos.

O caminho inverso, porém, não apresentou o mesmo comportamento nas buscas registradas pelo Congresso em Foco. Ao pesquisar "Tropa do Flávio", não apareceram canais relacionados a Lula ou ao PT, nem mesmo os oficiais do presidente e do partido.

Isso não significa, entretanto, que todos os usuários encontrarão o mesmo resultado. As sugestões do WhatsApp podem variar conforme diferentes fatores, incluindo o histórico de interação e as características de cada conta.

Ainda assim, a associação entre os dois canais é curiosa, especialmente porque um deles está temporariamente impedido de publicar novas mensagens após questionamentos judiciais apresentados pela campanha ligada ao outro.

Canal aguarda retomada

O "Exército do Lula" está no centro de uma disputa judicial iniciada após questionamentos apresentados pela campanha de Flávio Bolsonaro ao TSE.

No domingo (11), Nunes Marques determinou a suspensão do canal. A decisão provocou divergências com o corregedor-geral da Justiça Eleitoral, Ricardo Villas Bôas Cueva, que já analisava um pedido semelhante e defendeu que a controvérsia fosse submetida ao plenário da Corte.

Na terça-feira (13), Nunes Marques condicionou a retomada das atividades à regularização formal do canal perante a Justiça Eleitoral.

A campanha de Lula registrou o endereço eletrônico, mas ressaltou que a providência não significava assumir a administração da ferramenta, atribuída a Janones.

O presidente do TSE reconheceu o registro e estabeleceu que as atividades poderão ser retomadas após o prazo de 48 horas previsto na regulamentação eleitoral.

Enquanto o canal aguarda o fim desse intervalo, a pesquisa por seu nome no WhatsApp também exibe páginas relacionadas aos dois lados da disputa presidencial.

Veja a cronologia do caso até aqui:

  • 7 de outubro: Campanha de Flávio aciona o TSE

A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) pede a suspensão do canal "Exército do Lula", sob a alegação de que ele compartilhava conteúdos já classificados como falsos pela Justiça Eleitoral.

  • 10 de outubro: Corregedor pede provas

O corregedor-geral eleitoral, Ricardo Villas Bôas Cueva, solicita provas à campanha de Flávio e manifestação da equipe de Lula, sem decidir sobre a suspensão.

  • 10 de outubro: Campanha de Flávio apresenta nova ação

Apenas 41 minutos depois, a campanha apresenta outro pedido, desta vez à presidência do TSE, alegando descumprimento de acordo firmado entre a Meta e a Justiça Eleitoral. O caso chega a Nunes Marques.

  • 11 de outubro: Nunes Marques suspende o canal

O presidente do TSE determina a suspensão do "Exército do Lula", por considerar que o canal reproduzia para milhões de pessoas conteúdos já reconhecidos como falsos pela Corte.

  • 11 de outubro: Corregedor derruba suspensão

Villas Bôas Cueva restabelece o canal, defende a liberdade de expressão e questiona a apresentação de duas ações sobre o mesmo assunto. Determina que a divergência seja analisada pelo plenário.

  • 12 de outubro: Nunes Marques pede análise técnica

Em vez de levar o caso ao plenário, Nunes Marques convoca representantes das campanhas e determina uma análise técnica das publicações do canal.

  • 12 de outubro: Análise não identifica conteúdos falsos

A área técnica do TSE não encontra informações falsas no material examinado. A campanha de Flávio contesta o resultado, alegando que mensagens poderiam ter sido apagadas automaticamente antes da fiscalização.

  • 13 de outubro: Nunes Marques retira canal do ar novamente

O ministro suspende a decisão de Cueva e determina que o canal permaneça fora do ar até a regularização de seu registro perante a Justiça Eleitoral.

  • 13 de outubro: Campanha de Lula registra o canal

A campanha formaliza o registro no TSE, mas afirma que a medida não significa assumir a administração do canal, atribuída ao deputado André Janones, nem reconhecer que ele integrasse anteriormente a propaganda eleitoral.

  • 13 de outubro: TSE autoriza retorno após 48 horas

Nunes Marques reconhece o registro e afirma que o canal poderá voltar a funcionar após o prazo de 48 horas previsto em resolução da Justiça Eleitoral.

Como funcionam as sugestões

O WhatsApp informa que utiliza diferentes critérios para recomendar canais aos usuários, incluindo número de seguidores, frequência de publicações, reações recebidas e semelhança entre conteúdos.

A plataforma também considera informações gerais de localização e idioma, além do histórico de pesquisas e interações de cada usuário.

Isso significa que os resultados podem variar entre contas e dispositivos.

O episódio, porém, evidencia a importância dos mecanismos de descoberta de conteúdo em uma campanha eleitoral marcada pela distribuição de mensagens a grandes audiências.

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