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JUSTIÇA ELEITORAL
Congresso em Foco
14/10/2026 | Atualizado às 8:03
O canal de WhatsApp "Exército do Lula", coordenado pelo deputado federal reeleito André Janones (Rede-MG), foi retirado do ar na noite desta terça-feira (13), por determinação do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques. Com mais de 4 milhões de seguidores, a ferramenta é usada para mobilizar apoiadores do presidente Lula (PT) na disputa do segundo turno contra Flávio Bolsonaro (PL), marcado para 25 de outubro.
A suspensão ocorreu mesmo depois de a campanha petista atender à exigência de registrar o canal na Justiça Eleitoral. Nunes Marques considerou cumprida a determinação, mas manteve o prazo de 48 horas, previsto nas normas eleitorais, para a retomada das atividades. Até lá, ficam suspensos o envio de atualizações e a entrada de novos seguidores.
Janones reagiu à decisão em um vídeo publicado nas redes sociais. O deputado negou que a ferramenta tenha divulgado notícias falsas e questionou o momento da suspensão, ocorrida, segundo ele, às 23h26 de terça-feira.
"Estou triste, mas ao mesmo tempo eu estou confiante. Isso não abala, essa tristeza não é suficiente para abalar a minha confiança", declarou.
O parlamentar também associou o episódio à votação da proposta que prevê o fim da escala de trabalho 6x1. "Fica a pergunta: será uma coincidência o canal ter caído justamente durante a votação do fim da escala seis por um?", indagou.
Campanha nega administrar canal
A disputa começou com uma ação da campanha de Flávio, que questionou a regularidade da ferramenta e apontou a divulgação de informações falsas. Um relatório técnico do TSE, porém, não identificou, nas mensagens examinadas, os conteúdos apontados na denúncia. O documento registrou que 499 publicações haviam sido apagadas, o que limitou a análise.
Ao formalizar o registro nesta terça-feira, a defesa de Lula ressaltou que a providência foi adotada exclusivamente para cumprir a ordem judicial. Segundo os advogados, isso não significa reconhecer que o canal integrava a estrutura oficial de propaganda da candidatura.
A campanha sustenta que a ferramenta foi criada e é administrada por Janones, sem sua supervisão direta.
O restabelecimento das atividades também está condicionado ao cumprimento das regras de identificação dos responsáveis pela propaganda eleitoral.
Divergência no TSE
O caso provocou decisões conflitantes na cúpula da Justiça Eleitoral. Nunes Marques determinou a suspensão do canal no domingo (11). A medida foi revertida pelo corregedor-geral eleitoral, Ricardo Villas Bôas Cueva, mas restabelecida pelo presidente do tribunal na terça-feira.
Diante do impasse, Cueva defendeu que a controvérsia seja resolvida pelo plenário do TSE, em sessão presencial ou virtual.
"A urgência da providência decorre da proximidade do segundo turno das eleições e da necessidade de assegurar, em tempo útil, uma solução colegiada que prestigie o diálogo, a harmonia institucional e a delimitação das competências da Presidência e da Corregedoria-Geral Eleitoral", afirmou o corregedor.
Processo: 0602791-73.2026.6.00.0000