Flávio Bolsonaro (PL) venceu o 2º turno da eleição presidencial na região intermediária de Uruguaiana, no Rio Grande do Sul, com 130.600 votos e 51,70% dos votos válidos. Lula (PT) somou 122.006 votos e 48,30%, diferença de 8.594 votos e 3,40 pontos percentuais. A região intermediária do IBGE reúne 10 cidades, todas com urnas apuradas.
A votação regional ocorreu em uma eleição marcada pela virada histórica de Lula sobre Flávio Bolsonaro. O presidente chegou ao segundo turno atrás do senador, mas conseguiu reverter a desvantagem e conquistar o quarto mandato.
O que mudou entre os turnos
No 1º turno, em 4 de outubro de 2026, Flávio Bolsonaro liderou com 50,25% e Lula ficou com 41,97%. Entre os turnos, Lula cresceu 6,33 pontos percentuais e acrescentou 20.414 votos; Flávio Bolsonaro avançou 1,45 ponto percentual e somou mais 8.982 votos. Em 2022, Jair Bolsonaro (PL) venceu a região com 50,39% contra 49,61% de Lula; em 2026, Flávio Bolsonaro ampliou esse resultado em 1,31 ponto percentual. O resultado regional acompanhou o estado, mas contrastou com o nacional, onde Lula venceu. Conforme mostrou o Congresso em Foco, Lula ampliou sua participação relativa na disputa contra Flávio nas 27 unidades da Federação, embora o senador tenha mantido a liderança em parte delas.
Cidades da região
Cada candidato venceu em 5 das 10 cidades. Na cidade-polo, Uruguaiana, Flávio Bolsonaro obteve 61,46% - margem de 22,92 pontos percentuais, a mais larga da região. Nas outras 9 cidades, Lula liderou com 51,40% e margem de 2,81 pontos. Entre as cinco maiores: Flávio Bolsonaro venceu em Uruguaiana (61,46%); Lula venceu em Sant'ana do Livramento (56,35%), São Borja (52,23%), Rosário do Sul (50,65%) e Alegrete (50,39%). Alegrete teve a menor margem da região, de 0,79 ponto, com 20.737 votos contra 20.412. Sant'ana do Livramento foi o município mais favorável a Lula, com 28.608 votos e 56,35%.
Comparecimento e abstenção
O eleitorado somou 347.041 pessoas. O comparecimento foi de 258.385 eleitores (74,45%), com abstenção de 88.656 (25,55%). No 1º turno, a abstenção havia sido de 27,58%, queda de 2,03 pontos percentuais no 2º turno. Brancos somaram 3.071 votos (1,19%) e nulos, 2.708 (1,05%). A participação dos eleitores teve importância especial na disputa nacional. Como mostrou o Congresso em Foco, a abstenção e os votos brancos e nulos representavam um contingente expressivo de eleitores que poderia influenciar o resultado do segundo turno.
Contexto no estado e no país
A região respondeu por 3,77% dos votos válidos do Rio Grande do Sul, estado onde Flávio Bolsonaro venceu com 57,84% contra 42,16% de Lula. No plano nacional, Lula foi eleito com 51,79% e 64.256.232 votos, contra 48,21% e 59.826.041 de Flávio Bolsonaro. A vitória marcou a primeira vez, desde a adoção do sistema de dois turnos para presidente, em 1989, que um candidato terminou a primeira votação em segundo lugar e conseguiu vencer a disputa. A eleição também contrariou a maioria das pesquisas divulgadas na reta final da campanha. Levantamento do Congresso em Foco mostrou quais institutos chegaram mais perto do resultado das urnas.
Veja o mapa completo dos Estados vencidos por Lula e Flávio Bolsonaro.
Perfil socioeconômico
Segundo o IBGE (Censo Demográfico 2022), a região tinha 445.081 habitantes em 39.085,33 km², com densidade de 11,39 hab/km². A renda média per capita foi de R$ 1.565,95, variando de R$ 1.653,21 em Alegrete a R$ 1.229,26 em Barra do Quaraí. A agropecuária respondeu por 37,34% do valor adicionado bruto em 2021, e o PIB regional somou R$ 18.002.788 mil em 2023 (IBGE, PIB dos Municípios 2023).