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Após acusação de Flávio, presidente do TSE defende lisura da eleição

Sem citar o nome de Flávio, Kassio Nunes Marques afirma que votação transcorreu dentro da "mais absoluta normalidade" e promete analisar questionamentos apresentados pelos meios legais.

29/10/2026
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O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, defendeu a legitimidade da eleição presidencial de domingo (25) após o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) voltar a questionar o resultado e levantar suspeitas de fraude sem apresentar provas. Em nota divulgada na quarta-feira (28), o ministro afirmou que o pleito transcorreu "dentro da mais absoluta normalidade" e assegurou que eventuais contestações serão examinadas pela Justiça Eleitoral.

"Ressalto o compromisso de toda a Justiça Eleitoral com a vontade soberana do eleitorado, que foi às urnas e legitimamente escolheu seus representantes", declarou Nunes Marques, sem mencionar Flávio nominalmente.

Eleição transcorreu dentro da "absoluta normalidade", defende Nunes Marques.Gabriela Biló/Folhapress

O presidente do TSE reconheceu que houve instabilidade na reta final da votação, mas afirmou que as medidas adotadas garantiram a segurança da apuração. Também assegurou que "todos os questionamentos feitos dentro do devido processo legal serão analisados e respondidos".

Flávio contesta resultado e anuncia oposição dos EUA

A manifestação ocorreu após Flávio divulgar uma carta dos Estados Unidos, para onde viajou apesar de estar proibido pelo Supremo Tribunal Federal (STF) de deixar o Brasil. O senador voltou a contestar a eleição, vencida por Lula (PT) com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21%. O parlamentar não apresentou qualquer indício de sustente sua versão.

Na primeira versão da carta, Flávio se apresentou como o "verdadeiro presidente eleito do Brasil". Posteriormente, a expressão foi substituída por "líder do Brasil". O senador também negou ter fugido e justificou a viagem pelo receio de sofrer novas medidas judiciais.

"Quero deixar claro: não fugi do Brasil, eu saí pelo Brasil", escreveu. Flávio agradeceu aos presidentes Donald Trump, dos Estados Unidos, e Javier Milei, da Argentina, e anunciou que pretende comandar a oposição do exterior.

"Por isso, liderarei a oposição daqui. Direi o que vocês, aí, não podem dizer, e assumirei os riscos que vocês não podem correr", afirmou. O senador também declarou apoio a Rogério Marinho (PL-RN) para a presidência do Senado.

Coordenador da campanha do senador, Marinho afastou efeitos práticos da carta em que o ex-candidato contestou o resultado do segundo turno e reivindicou a vitória na disputa. Questionado se concordava com a acusação de fraude apresentada pelo aliado, Marinho respondeu: "Eu não posso fazer essa afirmação, eu não tenho provas". O senador acrescentou: "Agora, é evidente que se você faz alguma afirmação, você precisa trazer provas".

Flávio deixou o Brasil na terça-feira (27), sem cumprir a ordem do ministro Alexandre de Moraes para entregar seus passaportes à Polícia Federal. A medida foi determinada em investigação sobre suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo o senador e o advogado Willer Tomaz. Ambos negam irregularidades.

Leia a íntegra da carta de Nunes Marques:

"Ressalto o compromisso de toda a Justiça Eleitoral com a vontade soberana do eleitorado, que foi às urnas e legitimamente escolheu seus representantes. No último domingo (25), foram realizadas as eleições mais inclusivas da história da República brasileira. Mesmo diante da instabilidade na reta final de votação, graças às medidas adotadas e à competência dos técnicos do Tribunal, foi possível avançar com a apuração e entregar um pleito com segurança.

Informo que todos os questionamentos feitos dentro do devido processo legal serão analisados e respondidos. Com o empenho de servidores públicos de todo o país, dos mesários, das forças de segurança e dos demais atores envolvidos, as Eleições 2026 transcorreram dentro da mais absoluta normalidade e com respeito aos ditames legais e constitucionais.

Ministro Kassio Nunes Marques, presidente do Tribunal Superior Eleitoral"

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