O União Brasil, que apoiou Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no segundo turno, juntou-se a MDB, PSDB e PDT na defesa da legitimidade da eleição presidencial. As manifestações ocorreram após o senador, derrotado por Lula (PT), fugir do país, voltar a levantar suspeitas de fraude sem apresentar provas e declarar-se o "verdadeiro presidente eleito do Brasil".
Em nota divulgada nesta quarta-feira (28), o União Brasil afirmou que a eleição de domingo (25) "transcorreu com lisura e o seu resultado deve ser respeitado". A legenda, presidida por Antonio Rueda e integrante de uma federação com o PP, havia declarado apoio a Flávio após o primeiro turno. "A eleição terminou. O Brasil continua, e precisa de todos nós", afirmou o partido, que defendeu o respeito ao resultado das urnas e o encerramento da disputa eleitoral.
O MDB também reafirmou sua confiança no sistema eleitoral brasileiro e na legitimidade do resultado. A manifestação foi publicada nas redes sociais da legenda, presidida pelo deputado Baleia Rossi (SP). "O MDB reafirma sua total confiança no sistema eleitoral brasileiro e, portanto, na legitimidade do resultado do pleito do último domingo", publicou o partido no X.
PSDB critica postura; PDT repudia saída do país
O presidente nacional do PSDB, deputado Aécio Neves (MG), classificou como "incompreensível" o comportamento de Flávio e defendeu que a oposição ao governo Lula seja exercida dentro do Brasil, com respeito às instituições e ao processo eleitoral. "O exercício da oposição numa democracia é tão relevante quanto o exercício dos próprios governos", afirmou Aécio, que prometeu uma atuação "qualificada, firme e dura", mas subordinada às regras democráticas.
O PDT, que apoiou Lula, foi mais incisivo. Em nota de repúdio, classificou como ilegal a saída de Flávio do Brasil e criticou suas alegações contra os sistemas eleitoral e jurídico. A legenda também reafirmou o compromisso com a Constituição e o resultado das urnas.
Até mesmo o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio, afirmou não ter provas de fraude eleitoral. Questionado sobre a acusação do aliado, declarou: "Eu não posso fazer essa afirmação, eu não tenho provas". Antes de Flávio deixar o país, contrariando determinação do ministro Alexandre de Moraes, do STF, o próprio PL havia reconhecido a reeleição de Lula.
Presidente do TSE defende legitimidade da eleição
O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, também defendeu a legitimidade da eleição. Sem mencionar Flávio nominalmente, afirmou que a votação transcorreu "dentro da mais absoluta normalidade", apesar da instabilidade registrada na reta final, e prometeu analisar os questionamentos apresentados pelos meios legais.
As manifestações ocorreram após Flávio divulgar uma carta dos Estados Unidos, para onde viajou apesar de estar proibido pelo Supremo Tribunal Federal (STF) de deixar o Brasil. Na primeira versão, apresentou-se como o "verdadeiro presidente eleito", expressão posteriormente substituída por "líder do Brasil".
Derrotado por Lula, que recebeu 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% do senador, Flávio anunciou que pretende comandar a oposição do exterior. Ele deixou o país sem cumprir a ordem judicial de entrega dos passaportes à Polícia Federal.