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[fotografo] Wilson Dias [/fotografo]
Marcelo Viana Estevão de Moraes*
A América do Sul sofre hoje os efeitos perversos de três grandes crises - econômica, sanitária e ecológica – que têm dimensões estruturais e conjunturais.
Na dimensão econômica, em termos estruturais, ressalta a perda de complexidade da economia, com a desindustrialização e a especialização regressiva primário-exportadora. Ter um setor primário-exportador forte não é por si um problema. O dos EUA também é muito importante. O problema reside em ter uma economia de baixa complexidade, com dependência crescente de setores de menor densidade tecnológica em áreas pouco inovadoras. Esse quadro de fundo é agravado pela perda de dinamismo econômico e pela deterioração do padrão de vida da população na conjuntura de uma pandemia que se encontra fora de controle.
A epidemia de covid-19 revelou a vulnerabilidade sanitária da região, desnudando as deficiências dos sistemas nacionais de saúde pública e a incapacidade do complexo produtivo de saúde dos países sul-americanos de fornecer, no tempo necessário, insumos, vacinas e equipamentos na quantidade requerida para o enfrentamento da doença. A dependência externa extrema maximizou os impactos da crise sanitária sobre a economia, agravando um quadro geral adverso do ponto de vista econômico e social.
O retrocesso econômico e a deterioração das condições de vida da imensa maioria da população tendem a agravar a pressão sobre o meio-ambiente, tornando-a ainda mais nociva em um contexto de grande sensibilidade global para a crise ecológica. A Amazônia está no centro das atenções no quadro das mudanças climáticas em curso.
Nunca foi tão importante ter uma instância de governança na América do Sul que pudesse articular de modo eficiente as políticas públicas dos diversos países que integram a região, de modo a maximizar esforços na luta contra essas adversidades comuns, por meio de uma estrutura institucional de cooperação sistemática. São essas circunstâncias que revelam as consequências negativas da destruição da Unasul (União das Nações Sul-Americanas).
Composta pelos 12 países da América do Sul, a Unasul foi uma organização que almejou estabelecer uma integração regional ampla entre eles nos mais diversos campos de políticas setoriais.
O Brasil desempenhou um papel estratégico em sua criação devido a seu peso geopolítico – territorial, populacional e econômico - no espaço sul-americano e pelo compartilhamento de interesses em torno de um projeto de desenvolvimento integrado que propiciasse a prosperidade e a segurança coletiva regional.