Publicidade
Expandir publicidade
[fotografo] Josh Calabrese / Unsplash[/fotografo]
Observar o que está se passando com a política e os políticos no mundo e no Brasil me leva a fazer uma analogia com a “cegueira branca”, descrita por José Saramago, em seu livro "Ensaio sobre a cegueira". Nele, o autor narra uma inusual epidemia de cegueira que se espalha e vai contaminando um a um, trazendo o caos e abalando as estruturas da sociedade.
A metáfora me parece perfeita, a cegueira branca a que se refere Saramago não era real. As pessoas eram “contaminadas” e passavam a ver o mundo através de um “mar de leite” e a agir com o pior dos seus instintos básicos. Penso que na política estamos assim, só que é uma “cegueira política”.
Ela age da mesma forma que a branca, em que os primeiros cegos contaminados passaram a contaminar os demais nas redes sociais. Seu uso intensivo tem ofuscado uma enormidade de pessoas, trazendo, como a cegueira branca, o pior do ser humano: o egoísmo, a negação do outro, a alienação do indivíduo em relação a ele mesmo, o preconceito e a violência bruta e dura. Como se fosse o mundo da “laranja mecânica”, em que jovens se reúnem em gangues para cometer atos de ultra violência, desenhando assim o seu futuro (sociedade) distópico.
> A vitória do bom senso
Newton dizia que para toda ação existe uma reação igual e contrária, e estão surgindo movimentos “anticegueira” para que as pessoas percebam que o que fazem no mundo digital afeta as pessoas no mundo real. O Instituto Política Viva surgiu para abrir uma janela de coerência e verdade nesse mundo. Suas atividades no universo virtual tornam a si e a seus integrantes vigilantes desse espaço. São grupos formados por gente inteligente, criteriosa e, principalmente, com valores e sentimentos. São vigilantes pois sua missão, como afirma sua fundadora, Rosangela Lyra, é a de combater as fake news, ou seja, ser uma trincheira contra a cegueira política.
> Política Viva: nova coluna do Congresso em Foco focará no engajamento social
Frequentar o mundo das redes sociais e ver as barbaridades que ali acontecem e não ser contaminado precisa de uma forte, inteligente e emocional mediação, como a que Dante teve com Virgílio e Beatriz Portinari para visitar o inferno.
| 1. Fora de nosso foco de atenção; |
| 2. Fora do nosso campo de compreensão (quando não temos vocabulário para explicar); |
| 3. Fora de nossa referência (dificuldade de situar-se na perspectiva dos outros); |
| 4. Fora de nossa possibilidade de percepção segundo nossos preconceitos; |
| 5. Fora de nosso foco do tempo (taxa psicológica de desconto do tempo); |
| 6. É uma situação que não queremos ver por nos causar dor ou desgosto (supressão da informação dolorosa); |
| 7. Não podemos distingui-la em meio à sobrecarga de informação (desinformação por sobrecarga de informação); |
| 8. Porque a razão humana opera com distorções, somos afetados pelo impressionismo circunstancial (juízo formado à primeira vista); |
| 9. A realidade emite sinais fortes para as urgências e fracos para as importâncias; |
| 10. O ser humano tem tendência à resposta mecânica, costuma reagir sem pensar e sobrepesar. E também ensinava como enfrentar a cegueira, com ciência e consciência. |