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Da direita para a esquerda: os prefeitos de Maceió, JHC (PL); do Rio, Eduardo Paes (PSD), e do Recife, João Campos (PSB), e o vice-prefeito eleito do Rio Eduardo Cavaliere (PSD). Foto: Reprodução/redes sociais
Homem branco, casado, com ensino superior completo e idade entre 40 e 49 anos, filiado a partido de centro ou direita. Esse é o perfil médio dos prefeitos que assumem seus postos nesta quarta-feira (1º) em todo o Brasil. O retrato não difere das eleições anteriores e confirma a histórica desigualdade de gênero e raça na ocupação de cargos eletivos no país e o avanço de legendas mais conservadoras.
A nova composição das prefeituras escancara, no entanto, a maior derrota eleitoral da esquerda nos últimos 20 anos. Embora o PT tenha melhorado seu desempenho em relação a 2020, partidos do seu espectro ideológico vão comandar cerca de 750 prefeituras. Enquanto isso, partidos de direita e centro direita elegeram mais de 4,5 mil prefeitos.
Nas capitais, a derrota da esquerda também foi acachapante: apenas João Campos (PSB), em Recife, e Evandro Leitão (PT), em Fortaleza, vão comandar as cidades mais importantes de seus estados. É o pior resultado para esse campo político desde a volta das eleições diretas para prefeito, em 1985, quando havia conquistado quatro capitais. Número repetido em outras disputas eleitorais. Ainda assim, houve um avanço para os petistas, que não haviam vencido em nenhuma cidade desse porte em 2020, e viram aumentar o seu número de prefeitos, de 183 para 252.
População e orçamento
O MDB e o PSD vão controlar mais de um terço do caixa das prefeituras brasileiras, R$ 489 bilhões (38%). Com a reeleição do prefeito Ricardo Nunes em São Paulo, o MDB será responsável por gerir R$ 254 bilhões dos orçamentos municipais (19,7%), enquanto o PSD, do prefeito reeleito Eduardo Paes, do Rio, gerenciará R$ 234 bilhões (18,1%).
Além de São Paulo, o MDB também governará as capitais Porto Alegre, Belém, Boa Vista e Macapá, que somam R$ 22 bilhões. O PSD também reelegeu prefeitos em outras capitais, como São Luís, Florianópolis, Belo Horizonte e Curitiba.
Ao todo, a legenda liderada por Gilberto Kassab estará à frente de 37,3 milhões de brasileiros por meio de prefeituras a partir de 2015 – oito anos atrás, o número de pessoas sob gestão do partido era cerca de três vezes menor (13,4 milhões). Ao todo, o PSD terá 891 prefeitos e prefeitas. O MDB, 864 prefeituras.
Votos
Apesar de não ocupar o primeiro lugar em número de prefeitos eleitos em 2024, o PL foi o partido que recebeu o maior número de votos para seus candidatos ao comando dos municípios: a sigla do ex-presidente Jair Bolsonaro alcançou 15,6 milhões de votos no primeiro turno e outros 4,3 milhões no segundo, totalizando 19,9 milhões de eleitores. O PT, do presidente Lula, ficou na sexta posição
Em segundo e terceiro lugares estão os dois partidos com maior número de prefeituras: o PSD, com a soma de 16,5 milhões de votos nos dois turnos, e o MDB, com 19,2 milhões.
Dentre os partidos de esquerda, apesar de o PSB ter assumido a liderança em municípios, o PT foi o que conquistou o maior número de votos: seus prefeitos alcançaram 8,8 milhões de eleitores no primeiro turno e pouco mais de dois milhões no segundo (10,9 milhões, ao todo). Os petistas conquistaram 252 prefeituras, número superior ao registrado em 2020, quando a sigla elegeu apenas 182 representantes, seu pior desempenho neste século.