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Judiciário

A hora de romper o ciclo: por que Lula deve indicar uma mulher ao STF após a rejeição de Messias

Episódio expõe fissura institucional e cria oportunidade para ampliar representatividade na Corte.

Celeste Leite

Celeste Leite

30/4/2026 13:00

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A rejeição de Jorge Messias pelo Senado não é apenas um revés político; é um alerta institucional. O episódio evidencia que parte da classe política ainda acredita poder operar os rituais da República como se estivéssemos numa democracia ornamental, onde decisões de altíssimo impacto constitucional se reduzem a cálculos internos de poder. Como promotora de justiça que trabalha diariamente com vítimas de violência, vejo nesse impasse algo mais profundo: a chance concreta de o país interromper um ciclo de exclusão histórica e avançar na direção de um STF que reflita, de fato, o Brasil que existe — e não o Brasil que certos grupos insistem em preservar.

O Senado quis mandar um recado. Mandou. Mas recados políticos não podem capturar a essência do processo constitucional. A cadeira que se abre no Supremo não é moeda de troca, não é prêmio de consolação e tampouco deve servir para acomodar interesses de ocasião. A vaga pertence à sociedade brasileira — especialmente às mulheres, que são maioria da população, maioria entre as vítimas que buscam o sistema de justiça e crescente força técnica nas carreiras jurídicas.

Neste momento, insistir em um nome que perpetue a lógica tradicional seria não apenas um erro político, mas um erro democrático. A rejeição de Messias revelou uma fissura institucional. E fissuras podem ser remendadas com improvisos — ou podem ser transformadas em marcos históricos. A diferença entre uma coisa e outra se chama coragem política.

É exatamente isso que se exige agora: coragem para reconhecer que uma democracia madura não teme pluralidade — ao contrário, precisa dela para sobreviver. Coragem para admitir que a presença feminina no STF não é adorno. É lastro constitucional. É sensibilidade jurídica necessária para compreender temas que atravessam a vida concreta das pessoas: violência doméstica, políticas de cuidado, discriminação estrutural, direitos reprodutivos, desigualdade salarial, proteção de crianças e adolescentes. Temas que chegam ao Ministério Público todos os dias e são julgados, direta ou indiretamente, nas instâncias superiores.

Rejeição de Messias transforma escolha em debate sobre legitimidade e diversidade.

Rejeição de Messias transforma escolha em debate sobre legitimidade e diversidade.Gustavo Moreno/SCO/STF

Ignorar isso é fechar os olhos para a realidade do país. E fechar os olhos é um luxo institucional que o Brasil já não pode mais se permitir.

A indicação de uma mulher para o STF, neste momento, é mais do que uma resposta afirmativa à sociedade. É uma demonstração inequívoca de que a democracia não se intimida diante de pressões políticas, de que o Executivo não se curva ao jogo rasteiro e de que o país compreende a urgência de se tornar institucionalmente coerente com o que diz defender.

Se a rejeição de Messias explicitou ruídos, ela também abriu um flanco para a reconstrução. E reconstrução se faz com princípios, não com acomodação. Lula tem agora a oportunidade — rara, histórica e irrepetível — de traduzir em ato concreto aquilo que tantos brasileiros esperam: um Supremo mais plural, mais legítimo e mais preparado para enfrentar os desafios constitucionais de uma nação que não aceita mais ser governada por estruturas que excluem a maior parte de sua população.

A rejeição foi um recado. A resposta, agora, precisa ser maior do que o recado: precisa ser um avanço.


O texto acima expressa a visão de quem o assina, não necessariamente do Congresso em Foco. Se você quer publicar algo sobre o mesmo tema, mas com um diferente ponto de vista, envie sua sugestão de texto para [email protected].

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