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A violência política: a quem interessa bloquear a participação real das mulheres na política brasileira?

Não basta eleger mais mulheres é preciso garantir que elas possam exercer seus mandatos com segurança, voz e legitimidade.

Alessandra Nilo

Alessandra Nilo

28/5/2025 11:00

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Imagine uma cena parecida com aquelas de filmes distópicos: uma vereadora eleita, ao ocupar a tribuna para exercer seu direito à fala, é ignorada deliberadamente por seus colegas homens, que ficam de costas em protesto. Em outro cenário, o microfone de uma parlamentar é cortado porque o presidente da Câmara discorda do tema abordado. Numa terceira situação, uma sessão é encerrada de forma irregular para impedir que uma líder de bancada apresente um projeto de lei com conteúdo "abortista".

Essas não são ficções. Essa é a realidade, o cotidiano da maioria das mulheres que ousam ocupar esse espaço historicamente reservado aos homens: o da política institucional. A cada eleição, mais mulheres são eleitas. Mas a cada eleição crescem as denúncias de violências que sofrem. De todos os tipos: simbólica, institucional, psicológica e física, inclusive. Não é à toa que cresce o número de pedidos de afastamento por questões de saúde mental. Pedidos que revelam o peso brutal que recai sobre os ombros de quem tenta fazer política baseada em evidências e direitos, violência ainda mais cruel quando se quer promover políticas que defendam a dignidade das mulheres, em toda sua diversidade, no Brasil.

A violência contra mulheres eleitas mina a democracia e sustenta uma estrutura que teme igualdade real nos espaços de decisão.

A violência contra mulheres eleitas mina a democracia e sustenta uma estrutura que teme igualdade real nos espaços de decisão.Fernando Frazão/Agência Brasil

Apesar de representar mais da metade da população do país, continuamos drasticamente sub-representadas nos espaços de poder. Segundo a União Interparlamentar, a média mundial das mulheres nos parlamentos é de 26,4%. No Brasil, nem chegamos a 18%. Isso coloca o Brasil no 146º lugar entre 193 nações, atrás de quase toda a América Latina e Caribe - à frente apenas do Haiti.

Mas os números são apenas a superfície. Por trás deles, está um ambiente hostil que não apenas desencoraja a entrada de mulheres na política, mas é repleto de estratégias para minar os seus mandatos. A misoginia reina nos parlamentos, livremente e sem pudor. Em 2016, por exemplo, mais de 14 mil candidaturas femininas não receberam sequer um voto nem o próprio, um dado absurdo que indica o nível de manipulação partidária, com uma prática que continua até hoje de candidaturas "laranja", só para cumprir a cota de gênero.

E vale lembrar que o que hoje se estuda como "violência de gênero na política" é reflexo de um Brasil que pouco evoluiu (em todos os sentidos) e que a manutenção dessa estrutura de poder que se recusa a abrir espaço para pautas que desafiam a lógica patriarcal, como os direitos sexuais e reprodutivos, a economia do cuidado e a equidade salarial, permeia todos os partidos, e é uma opção política, não uma obra do acaso. Não se trata apenas de resistir às mulheres enquanto indivíduos, mas de resistir ao que cada vez mais elas representam na política: uma política mais plural, mais ética e mais comprometida com a justiça social, com as pessoas, com o planeta.

Neste cenário, a sociedade civil tem desempenhado um papel fundamental ao criar redes de apoio, observatórios e iniciativas que denunciam, acompanham e acolhem mandatos feministas. No entanto, isso não basta. É urgente que os partidos políticos, o sistema eleitoral e a legislação avancem para garantir não apenas o acesso, mas também a permanência segura e digna das mulheres que ousam falar e buscam o seu lugar de direito na política.

E é importante sempre lembrar: a violência de gênero na política é um ataque direto à democracia. Quando uma mulher é silenciada, todas as vozes que ela representa também o são. E enquanto houver medo, censura, exclusão - e até mortes e ameaças de morte - não poderemos falar em verdadeira representação ou em igualdade de oportunidades.

O futuro da democracia brasileira depende da coragem de enfrentar essa realidade. E a mudança começa agora: com voz, visibilidade e, sobretudo, com a ação e presença das mulheres nos espaços de decisão.


O texto acima expressa a visão de quem o assina, não necessariamente do Congresso em Foco. Se você quer publicar algo sobre o mesmo tema, mas com um diferente ponto de vista, envie sua sugestão de texto para [email protected].

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mulheres na política violência política de gênero igualdade de gênero

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