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As sete pragas de Tarcísio de Freitas

Privatizações, propaganda enganosa e autoritarismo revelam um governo voltado aos interesses privados e distante das necessidades da população.

José Dirceu

José Dirceu

7/1/2026 13:00

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O governador de São Paulo e bolsonarista de carteirinha, Tarcísio de Freitas, não deixou por menos e foi passar 17 dias de férias nos Estados Unidos. Para aproveitar seu descanso, poderia ter escolhido dezenas de destinos no Estado que governa ou em qualquer região do Brasil. Não faltariam opções: as praias do litoral Norte e Sul de São Paulo; cidades como Olímpia, que recebe milhões de turistas por ano, Holambra, Brotas ou Campos do Jordão, reduto tradicional da elite paulistana antes de Trancoso se transformar na meca da Faria Lima e dos ricos paulistas e mato-grossenses; ou ainda Camboriú ou Florianópolis, em Santa Catarina. Mas não. Preferiu ficar próximo de Donald Trump, a quem admira sem disfarces, como demonstrou ao ostentar seu boné no exato momento em que o Império agredia a soberania nacional e a democracia brasileira.

Tarcísio fez mais. Antes de viajar, não sei se já sob a influência de Nizan Guanaes, consultado sobre como conter o crescimento da rejeição ao seu governo após a desastrosa privatização da Sabesp - que, como se vê, caminha para se tornar uma nova Enel, com tarifas elevadíssimas, péssima qualidade de atendimento e manutenção, queda na qualidade da água e uma escassez cada vez mais permanente em várias regiões da Grande São Paulo - passou a investir numa operação de marketing para ocultar o desastre. Tudo isso acompanhado, evidentemente, da distribuição de dividendos a poucos grupos privados, recursos que antes eram reinvestidos na expansão e na melhoria do abastecimento de água no estado.

Acuado pela falta de resultados de seu governo, já que passou praticamente o terceiro ano de mandato em campanha antecipada para a presidência da República, sem entregas relevantes nas áreas que realmente importam à população, como educação, saúde e segurança pública, Tarcísio recorreu à publicidade de obras que não realizou. O Rodoanel Norte, por exemplo, foi recebido com cerca de 80% das obras concluídas; a remoção da Favela do Moinho foi feita com recursos do governo federal; e as chamadas Casas São Paulo, que ele não constrói nem financia, limitam-se a um subsídio entre R$ 10 mil e R$ 16 mil, viabilizadas via FGTS pela Caixa Econômica Federal. Trata-se de um engodo publicitário para esconder o fracasso de sua gestão.

A pergunta que não cala é simples e direta: qual programa Tarcísio de Freitas apresentou para o desenvolvimento econômico de São Paulo? Qual sua proposta para a inovação tecnológica do estado, para a infraestrutura - além do túnel Santos-Guarujá, também bancado com recursos federais -, para a transição energética, para a agricultura e a pecuária? A resposta é uma só: nenhum.

O que vemos é a incúria na prevenção de uma crise hídrica anunciada, que já ameaça a região metropolitana de São Paulo. Ainda assim, Tarcísio priorizou a privatização da Sabesp em detrimento de um plano estratégico de enfrentamento da escassez de água. Nem mesmo a negligência crônica da Prefeitura de São Paulo diante das mudanças climáticas mereceu qualquer ação coordenada do governo estadual. Os deputados do PT, Antônio Donato e Paulo Fiorilio, vêm denunciando a farsa do suposto gestor competente, a começar pela manipulação dos investimentos públicos de 2025, apresentados como os maiores da história, quando, na verdade, estão inflados pela receita da privatização da Sabesp e ainda assim são inferiores aos investimentos realizados entre 2011 e 2014. O mesmo vale para o alegado superávit de R$ 8,28 bilhões, que só foi possível graças aos R$ 14,77 bilhões arrecadados com a venda da Sabesp. Soma-se a isso o aumento do ICMS sobre a gasolina, cuja alíquota subiu cerca de 50%, de R$ 0,96 para R$ 1,47 por litro, entre junho de 2022 e fevereiro de 2025.

Na relação com o grande empresariado, Tarcísio foi um pai generoso. Expandiu as renúncias fiscais para grandes empresas, que devem alcançar R$ 85,6 bilhões em 2026, um crescimento de 34% em relação a 2024, superior ao crescimento das receitas líquidas do estado, de 20% contra 11%. O agravante é que 31 das 50 maiores empresas beneficiadas estão inscritas na dívida ativa do Estado.

Já para os servidores públicos que atendem a população nos hospitais, escolas e delegacias, o tratamento foi outro: reajustes salariais abaixo da inflação e um tíquete-refeição de míseros R$ 12. Os professores têm salário inicial 46,5% abaixo do Piso Salarial Profissional Nacional. Os policiais, por sua vez, foram traídos, pois a prometida valorização salarial não se concretizou, e o reajuste ficou 5% abaixo da inflação acumulada. Quanto aos pesquisadores científicos, alvo preferencial do negacionismo bolsonarista, enfrentam o risco real de extinção de suas carreiras.

Na área habitacional, o que predomina é propaganda enganosa. Nada menos que 69% das unidades entregues estão vinculadas ao subsídio de R$ 10 mil a R$ 16 mil atrelado ao Minha Casa, Minha Vida; apenas 31% correspondem a programas com custo superior a R$ 180 mil por unidade.

Na educação, assistimos a um ataque direto do obscurantismo bolsonarista, com promessas infladas, políticas ideológicas de direita, agendas tecnocráticas e profunda desvalorização da aprendizagem e da carreira docente. O governo engana ao afirmar que 30% dos estudantes do ensino médio estão em cursos técnicos, quando o percentual real é de apenas 17,9% em 2024. Faltam orçamento, infraestrutura, professores, laboratórios e salas adequadas.

A gestão Tarcísio tenta reciclar um projeto derrotado nas urnas com privatização predatória e retrocessos sociais.

A gestão Tarcísio tenta reciclar um projeto derrotado nas urnas com privatização predatória e retrocessos sociais.Lula Marques/Agência Brasil

Do outro lado, surgem as escolas cívico-militares, expressão do autoritarismo e da inversão de prioridades em prejuízo da educação pública, democrática, plural, laica e inclusiva. Impostas a toque de caixa, sem consulta às comunidades escolares, adotam um modelo sem comprovação pedagógica, com militares da reserva da PM - sem formação educacional - responsáveis por atividades cívico-militares, organização e segurança, recebendo salários superiores aos dos professores da rede. Investe-se mais na disciplina armada do que no cuidado pedagógico. Educar crianças e jovens sob uma lógica militar é um despropósito grave, pois a educação militar pressupõe hierarquia rígida e obediência cega aos superiores, valores opostos à liberdade, à pesquisa, ao debate, ao pluralismo, à laicidade e à democracia que devem orientar a escola.

Ainda mais grave é a chamada plataformização do ensino: burocrática, milionária e precarizadora da pedagogia. Não há evidências de que o uso intensivo dessas plataformas melhore o desempenho escolar. Não se trata de rejeitar a tecnologia, mas de questionar seu custo-benefício e a forma autoritária e acelerada de implementação, de cima para baixo, ao custo de mais de meio bilhão de reais. Excluem-se estudantes, desvia-se tempo pedagógico, centralizam-se conteúdos em slides prontos, impõe-se uma uniformização duvidosa, sem engajamento, com perda do interesse pela leitura, tudo para justificar investimentos que beneficiam empresas com vínculos com o governo, em detrimento de políticas estruturais, valorização docente, formação continuada e permanência escolar.

O Ideb comprova o fracasso da gestão bolsonarista na educação paulista, com quedas tanto no ensino fundamental quanto no médio.

Na saúde pública, Tarcísio comete uma fraude ao afirmar ter criado 6.404 leitos. Na realidade, o número caiu de 31.373 em 2022 para 31.124 em 2025. Em 2024, cerca de 4 mil leitos estavam fechados, dado que a Secretaria da Saúde deixou de divulgar. O Tribunal de Contas do Estado constatou carências graves ao analisar apenas 14 hospitais, incluindo falta crônica de pessoal e até 64% de leitos indisponíveis no Hospital de Guaianases. Em 2024, 867 leitos deixaram de funcionar nos hospitais gerais com pronto-socorro. Em cinco anos, a indisponibilidade de leitos aumentou 80%, com 386 leitos a menos para uma população crescente.

Na segurança pública, voltamos aos tempos do esquadrão da morte, da Rota na rua e da lógica da Tropa de Elite como resposta ao aumento da violência. Não houve queda expressiva de crimes como furtos, roubos, latrocínios, homicídios e feminicídios. Em contrapartida, houve crescimento de 120% de jovens entre 10 e 19 anos mortos por policiais em serviço. Assistimos à infiltração do crime organizado nas corporações, ao sucateamento da Polícia Civil, à perda de eficiência, ao aumento da violência e da indisciplina interna, além da crescente politização bolsonarista das forças policiais.

As operações Verão e Escudo, com mais de 100 mortos, revelam execuções por vingança, inclusive de pessoas desarmadas ou sem vínculo com atividades criminosas, além da manipulação de câmeras corporais e fraudes em registros de ocorrências. As autoridades responsáveis estimulam a violência e seu encobrimento.

No afã de ganhar popularidade, Tarcísio retoma a velha cantilena de que matar criminosos resolve o problema da segurança pública, tese amplamente desmentida nos últimos 50 anos em São Paulo e no Brasil. O crime não diminuiu e, ao contrário, organizou-se em facções empresariais e se internacionalizou, infiltrando-se nas polícias e na política. Não há prioridade em valorizar o policial, investir em formação e equipamentos de proteção, nem sequer foi cumprida a promessa de reajuste salarial real.

eção, nem sequer foi cumprida a promessa de reajuste salarial real.

Outras áreas foram simplesmente sucateadas. A assistência social foi desmontada com cortes de recursos, substituída por um factoide chamado Programa Superação, que nada mais é do que uma fraude para ocultar o Bolsa Família do governo federal, que atende 2,46 milhões de famílias, contra apenas 105 mil do Superação. Dos R$ 500 milhões anunciados, R$ 260 milhões foram destinados a cidades mais desenvolvidas, e R$ 105 milhões a supostos agentes de superação, numa prática de empre

A situação se agrava nas políticas para as mulheres: em 2023, a Secretaria executou apenas R$ 788 milhões de um orçamento de R$ 9,6 bilhões; em 2024, o orçamento caiu para irrisórios R$ 24 milhões. O mesmo ocorre na Secretaria da Pessoa com Deficiência e na Secretaria do Trabalho, esta última reproduzindo a política de Bolsonaro, que extinguiu esses ministérios. Em 2024, a execução foi de R$ 72,9 milhões, com previsão de R$ 127 milhões.

Mas a privatização da Sabesp, as concessões rodoviárias e ferroviárias, os pedágios free flow, a indústria da multa, o pacote de 649 novos radares do DER-SP e a entrega de terras públicas aos grileiros do Pontal do Paranapanema são, estas sim, as marcas centrais e permanentes do seu governo.

Em síntese, o governo Tarcísio não representa somente uma má gestão estadual, mas a tentativa deliberada de transplantar para São Paulo o projeto derrotado nas urnas em 2022: um Estado mínimo para os direitos sociais, máximo para os interesses privados, autoritário na segurança, obscurantista na educação, negacionista na ciência e submisso no plano internacional. Cabe à sociedade paulista, às forças democráticas e populares, e aos que acreditam num Estado forte, desenvolvimentista e comprometido com o interesse público, impedir que São Paulo se transforme no laboratório de uma restauração bolsonarista, travestida de gestão técnica, mas marcada, na essência, pelo retrocesso social, pela privatização predatória e pela submissão política.


O texto acima expressa a visão de quem o assina, não necessariamente do Congresso em Foco. Se você quer publicar algo sobre o mesmo tema, mas com um diferente ponto de vista, envie sua sugestão de texto para [email protected].

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