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A fabricação da desordem: o caso Master e a estratégia para 2026

Pressão sobre o STF e exploração do caso Master integram estratégia para desgastar o governo e moldar o cenário eleitoral.

Antônio Augusto de Queiroz

Antônio Augusto de Queiroz

18/2/2026 12:00

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A escalada da pressão sobre o Supremo Tribunal Federal (STF) nos últimos meses, particularmente em torno do chamado "caso Master", tem sido apresentada pela grande mídia como uma legítima preocupação com a integridade do sistema financeiro e a lisura das investigações conduzidas pelo Banco Central e pela Polícia Federal. No entanto, uma análise mais aprofundada dos atores envolvidos, dos interesses em jogo e do timing dos acontecimentos sugere que estamos diante de algo muito mais complexo e perigoso: uma sofisticada operação de desestabilização institucional com um objetivo eleitoral muito claro, o pleito de 2026.

O que se convencionou chamar de "crise de integridade" não passa da embalagem de um presente envenenado. O conteúdo real dessa ofensiva contra o STF é a tentativa de desgastar o governo Lula e criar as condições políticas e sociais para sua derrota nas próximas eleições. Trata-se de uma estratégia orquestrada por setores do mercado financeiro, grandes grupos econômicos e suas representações políticas, que enxergam na desregulamentação e na ausência de controle estatal o ambiente ideal para a multiplicação de seus lucros.

O alvo declarado é o STF, mas o alvo real é o sistema político como um todo, e o nome por trás dessa mira é Luiz Inácio Lula da Silva. Não é por outra razão que a Corte sob ataque é composta, em sua maioria, por ministros indicados justamente pelos governos petistas. O objetivo, portanto, não é aperfeiçoar as instituições, mas sim romper o elo de confiança que as conecta à população, criando um clima de suspeição generalizada que contamine toda a esfera política.

Ataques institucionais e vazamentos seletivos servem a uma agenda de desregulamentação e rearranjo político para 2026.

Ataques institucionais e vazamentos seletivos servem a uma agenda de desregulamentação e rearranjo político para 2026.Pedro França/Agência Senado

Para isso, opera-se com a velha e conhecida tática do vazamento seletivo. Investigação em curso, seja no âmbito do caso Master ou em outras frentes, são transformadas em espetáculo midiático, com informações picadas e descontextualizadas que promovem o linchamento moral de autoridades e instalam na opinião pública a sensação de desordem e corrupção sistêmica. É a fábrica de caos em operação, abastecida pelo descontentamento de setores das próprias corporações de Estado, como a Polícia Federal e o Ministério Público, que ainda não se conformaram com o fim dos holofotes da era Lava Jato.

Mas por que tanta pressão justamente agora? A resposta está nas pautas que efetivamente ameaçam os patrocinadores desse movimento. O pavor real desses grupos não é a fragilidade do sistema financeiro, mas sim o seu fortalecimento regulatório. A perspectiva de uma regulamentação rigorosa das bigtechs, das fintechs, das casas de apostas (bets), questões tributárias que possam onerar grandes fortunas e a proteção ambiental, são temas que tiram o sono do grande capital. Ao pressionar o STF, o objetivo é constranger a Corte a recuar em julgamentos que possam validar essas regulamentações, garantindo, por vias transversas, a manutenção de um vácuo normativo que favorece a exploração irrestrita e a baixa tributação.

Nesse jogo, articula-se a viabilização de um candidato com um perfil muito específico: alguém comprometido com a agenda econômica liberal (desregulamentação, corte de direitos sociais e austeridade fiscal), mas que, diferentemente do bolsonarismo fundamentalista, não negue a ciência nem ameace abertamente o sistema democrático. Seria o "cavalo de Troia" perfeito para implementar um projeto neoliberal profundo sem o estigma autoritário.

Ocorre que o pragmatismo desses setores revela um cinismo assustador. Embora esses segmentos desejem fugir de uma escolha entre Lula e um "bolsonarista raiz", se isso efetivamente se impuser, como tudo indica, a preferência recai sobre este último. A lógica é perversa, mas reveladora: para esses grupos, a defesa da democracia é um valor secundário, facilmente descartável quando contraposto à defesa intransigente de um modelo econômico. O risco de novos ataques às instituições, de novas aventuras autoritárias, é um "efeito colateral" aceitável em troca da garantia de uma política econômica alinhada aos interesses de mercado.

O caso Master, portanto, não é sobre um banco. Os ataques ao STF não são sobre o Judiciário. Trata-se de uma peça de engenharia política para fabricar desordem, desgastar o governo e influenciar as eleições de 2026. O vazamento seletivo e o espetáculo midiático dar suporte a um discurso supostamente moralista e republicano, mas que, na verdade, não passa de cortina de fumaça que esconde a defesa intransigente de uma agenda de desregulamentação e de enfrentamento institucional e um projeto de poder que, na falta de um candidato ideal, está disposto a abraçar o extremismo como mal menor para derrotar Lula e conter o avanço de qualquer pauta que coloque o interesse social acima do lucro do mercado. A democracia, nessa equação, é apenas um detalhe.


O texto acima expressa a visão de quem o assina, não necessariamente do Congresso em Foco. Se você quer publicar algo sobre o mesmo tema, mas com um diferente ponto de vista, envie sua sugestão de texto para [email protected].

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