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Pedro Rodrigues
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Minerais críticos
25/6/2026 11:00
"É difícil imaginar maneira mais tola ou mais perigosa de tomar decisões do que entregá-las a quem não paga preço algum por estar errado." A frase de Thomas Sowell descreve bem o anúncio desta semana. No aniversário de 74 anos do BNDES, diante do presidente da República, o banco e a Petrobras assinaram um acordo de cooperação para pesquisa e desenvolvimento em minerais críticos e terras raras. A presidente da estatal resumiu a ambição sem rodeios: "a Petrobras quer dominar o cenário de tecnologia no Brasil."
A política é a arte do possível. E, no marco dos minerais críticos, o Congresso fez o possível para evitar o pior: a criação de uma estatal de terras raras. O mérito é, em boa medida, do relator Arnaldo Jardim, que resistiu à pressão por uma TerraRaraBras e costurou um texto que, apesar de preservar um mecanismo de intervenção ainda discutível, saiu do Legislativo muito melhor do que entrou. Não durou. O governo surpreendeu, deu um bypass no Congresso e colocou a Petrobras para assumir, na prática, exatamente o papel que a lei havia descartado. A estatal que se evitou na votação voltou pela porta dos fundos.
O problema não é o Brasil estudar suas reservas. É o roteiro que vem sendo criado para esse objetivo. Mais uma vez, uma empresa que explora e produz petróleo é convocada em nome da "soberania nacional" e de agendas que o mundo já abandonou. Enquanto a fronteira global é buscar a melhor tecnologia, as melhores empresas e a maior capacidade de investimento possível, aqui fazemos o oposto: elegemos um campeão nacional que sequer pertence ao setor de mineração. Já que o governo perdeu Vale, improvisamos na Petrobras. O fato é que o Brasil tem a terceira maior reserva de terras raras do planeta e mal estudou um terço do território. Justamente por isso, merecia mais do que um improviso.
Mais uma vez vamos na contramão do mundo. Nos Estados Unidos, o capital convergiu para a MP Materials, mineradora especializada e verticalizada, com refino próprio. A Apple aportou US$ 500 milhões para garantir ímãs fora da China. O Departamento de Defesa entrou como sócio, com contratos de fornecimento de dez anos. Houve até joint venture com a Arábia Saudita. O denominador comum é claro: empresas do setor, tecnologia de ponta e parcerias internacionais. Nada que se pareça com pedir a uma petroleira que aprenda mineração do zero.
O beneficiamento, uma etapa importante onde se cria a riqueza de fato, segue dominado pela China, que responde por mais de 85% do refino mundial. Romper essa barreira exige capital paciente, parceiros e cooperação tecnológica. Exige foco. A Petrobras, que deveria concentrar energia e bilhões no seu core business, é empurrada para mais uma aventura. Uma companhia que já banca subvenção de diesel e disputa a pauta de preço do combustível no Congresso agora deve também aprender a refinar terras raras.
Foi assim com a reserva de mercado da informática, que entregou ao país computadores caros e nenhum campeão nacional. Foi assim com tantos setores protegidos por decreto. A bandeira é sempre a soberania; o resultado, a mediocridade subsidiada. E há o contraexemplo de 1997 que muitos insistem em ignorar. Abrir o mercado de petróleo à concorrência nacional e internacional tornou o Brasil o sexto maior produtor do mundo e deixou a própria Petrobras mais forte. No fim, caminhamos para uma Petrobras cada vez maior e cada vez mais dispersa, e para um potencial de terras raras cada vez mais distante.
O texto acima expressa a visão de quem o assina, não necessariamente do Congresso em Foco. Se você quer publicar algo sobre o mesmo tema, mas com um diferente ponto de vista, envie sua sugestão de texto para [email protected].
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